sexta-feira, 15 de junho de 2018



António de Sousa Lara, 

o 'tremendista' António de Sousa Lara, professor, político e autor de mais de 65 obras, acaba de publicar a versão ampliada de As portas de Dante (Editora Revan, 296 páginas). 

O professor doutor Lara, deputado do parlamento português em várias legislaturas, subsecretário de Estado da Cultura, foi embaixador em Cabo Verde da Soberana e Militar de Malta e delegado do parlamento português na União da Europa Ocidental, entre outras missões. Professor universitário há 42 anos, Lara é titular do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa e doutor honoris causa por três universidades estrangeiras. 

As portas de Dante tem profundas e embasadas reflexões, especialmente de ordem política, sobre métodos de ciências sociais; o caos da Europa dividida, a subversão, o terrorismo, a globalização econômico-financeira, o regresso da geopolítica, a esquerda e a direita no Ocidente e seus valores e interesses, a suspensão da democracia e a sua alternativa sistêmica, guerra de civilizações no cotidiano, consumo, teoria da alienação, ciência separada da fé, teologia da política, a resolução de conflitos e outras questões. Não por acaso, as epígrafes do livro são trechos do Inferno, da Divina Comédia de Dante. 

Na introdução, o autor fala que colegas e amigos dizem que o politólogo se tornou um "tremendista" e apocalíptico. Ele diz que, para uma realidade apocalíptica, é preciso uma apreciação apocalíptica. 

O autor não se interessa muito por ele mesmo e pensa que as considerações, sim, devem ser expostas à dialética da crítica e do contraditório. Lara até espera que a história venha lhe desdizer por completo e que tudo não passe de um pesadelo "tremendista". Mas ele não muda de posição. Os escritos do livro, recentemente publicados em obras coordenadas pelo professor, foram repensados, revisados e ele os considera um manifesto. "A guerra, o caos e a subversão no século XXI já são (e serão mais) de proporções tão dantescas quanto aos efeitos", diz ele. 

Tal como os vulcões é o título da breve parte 12 do livro, seu final. Lá, escreveu Lara: "A guerra e qualquer outra forma de subversão muito raramente são uma surpresa total. Bem pelo contrário. Tal como os vulcões, anunciam-se com antecedência, não invulgarmente, mais do que uma vez. O processo subversivo não é mudo. As multidões é que não querem ouvir. Nem as elites. Estamos, de novo, perante a concretização do velho princípio vulgus vult decipi. E a história faz-lhes a vontade: ergo decipiatur. Este escrito trata de alertar para o vulcão que há muito estremece e fumega. 

Dizem que as pessoas não querem mais más notícias, que precisam acreditar nos homens. Lembro-me sempre dos judeus na Alemanha nazista. Não quiseram ler o Mein Kampf. Não quiseram ver o óbvio. Quiseram acreditar nos homens. E abriram-se as portas do inferno. Na apresentação escreveu: "Cumpro um dever de consciência ao publicar este escrito. Está feito. O processo já começou. Parece ser imparável. Ai da humanidade".   

a propósito... 

Claro que as visões de António de Sousa Lara podem e devem ser objeto de polêmica, como, aliás, ele mesmo pretende. Ao fim e ao cabo, pensamentos e reflexões como as dele servem, no mínimo, para ficarmos atentos com relação ao complexo e, por vezes, aterrorizante quadro político global. Além de pensar e refletir, é preciso agir. Eleições estão chegando, bom momento para analisar a conjuntura e buscar o melhor caminho. 

A democracia, como disse Churchill, é o pior dos regimes políticos, mas não há nenhum melhor do que ele. Mas é melhor deixar essa conversa séria para depois do Hexa, não é? (Jaime Cimenti) - 

Jornal do Comércio (https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/colunas/livros/2018/06/632625-marco-aurelio-imperador-filosofo.html)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem em destaque

12 de Agosto de 2026 CARPINEJAR Os efeitos colaterais das canetas nos restaurantes Desde maio, já circula no Brasil uma caneta emagrecedora ...

Postagens mais visitadas