quarta-feira, 8 de julho de 2026

Copa manchada

A Copa do Mundo de 2026 ficou manchada com a retirada da suspensão de Folarin Balogun, pelo Comitê Disciplinar da Fifa, permitindo que o atacante dos Estados Unidos que recebeu cartão vermelho no jogo com a Bósnia participasse das oitavas de final contra a Bélgica. O regulamento foi para a lata de lixo, abrindo perigosos precedentes.

Ainda mais com os rumores da interferência externa do presidente americano Donald Trump, que fez a solicitação e depois agradeceu a entidade por ter corrigido o que chamou de "grande injustiça". Criou-se um constrangimento para o brasileiro Raphael Claus, que puniu o jogador ao rever a jogada no VAR. A decisão extracampo o desautorizou e violou regra tácita e consensual.

Embora a Fifa tenha alegado que a revogação seguia o artigo 27 do seu Código Disciplinar, que determina que o "órgão judicial pode suspender total ou parcialmente a aplicação de uma medida disciplinar", soa como uma exceção arbitrária a serviço de interesses espúrios, uma vez que Balogun se sobressaía como artilheiro da Seleção dos EUA, com três gols no Mundial.

O futebol se mostrou acima da politicagem. A Bélgica goleou os Estados Unidos por 4 a 1, derrubando a anfitriã com requintes de humilhação e calando 80 mil torcedores em Seattle, na segunda-feira. Sequer o desfalque reagrupado indevidamente conseguiu conter o vexame. Após o triunfo que garantiu o confronto com a Espanha, a Bélgica postou nas redes sociais uma foto da comemoração de Lukaku, com a mão no ouvido, provocando o mandatário intruso: "Reverte isso".

Nem tudo é um mar de rosas no desenrolar da competição. Testemunhamos situações estranhas e atípicas de pressões de regimes no maior evento esportivo do mundo, que insinuam manipulações de resultados. Na Copa de 1978, atuando em casa, a Argentina precisava tirar uma diferença de saldo de gols com o Brasil para se classificar - uma vitória por no mínimo quatro gols no Peru. Sob a coerção da ditadura sangrenta do general Jorge Rafael Videla, contrariando o histórico das duas seleções no torneio, a Argentina varreu os peruanos por 6 a 0. O goleiro do Peru era Ramón Quiroga, argentino naturalizado peruano, duramente criticado por suas falhas imprevisíveis no duelo.

A atitude intervencionista de Trump deve ser colocada no mesmo patamar da adulteração de placar do fascismo de Benito Mussolini, que queria porque queria provar a sua supremacia ideológica no certame de 1934, na Itália.

O primeiro-ministro, com poderes incondicionais no período, transformou a arena numa vitrine de propaganda do Partido Nacional Fascista. Para alcançar o título, houve fortes indícios de cooptação da arbitragem, coação de atletas e censura na imprensa. O árbitro sueco Ivan Eklind, por exemplo, que apitou a semifinal e a final, reuniu-se com Mussolini antes das partidas e validou gols e lances controversos a favor da Itália.

Para se ter ideia de como a armação se evidenciou descarada, nas quartas de final, o goleiro espanhol Zamora saiu de cena fraturado e sete titulares de sua equipe acabaram lesionados. Tratou-se de um massacre sem precedentes. Parecia obra dos Camisas Negras (Camicie Nere), braço paramilitar do Duce. Na disputa de desempate, o juiz René Mercet acatou um gol polêmico de Giuseppe Meazza e anulou dois gols legítimos da Espanha.

Já na semifinal, com a Áustria, o juiz Ivan Eklind, egresso de um banquete com Mussolini na véspera, deu o gol da vantagem italiana (1 a 0) a partir de um empurrão do centroavante Enrique Guaita no goleiro austríaco para dentro da rede com a bola. Não tem como não compreender como uma falta abusiva em qualquer época.

A democracia futebolística, se existe, corre sérios riscos com o retrocesso. Fraudes nascem de despretensiosos lobbies e vão acuando a arte das chuteiras para a extinção da igualdade. _

CARPINEJAR 

 

08 de Julho de 2026
MÁRIO CORSO

Qual o pior vício?

Meu avô gostava de repetir uma pergunta que ele mesmo respondia. Qual seria o pior vício, o cigarro, a bebida ou o jogo? Era o jogo, pois, segundo ele, quem joga, também fuma e bebe.

Lembrei da advertência do meu avô ao ler sobre mais um suicídio vinculado a dívidas com bets. Desde que os jogos on-line chegaram ao Brasil, estão ligados a um variado cardápio de desgraças.

Os jogos a que meu avô se referia eram jogos de carta dentro de clubes, ou no fundo de algum bar. Não era difícil encontrar o jogo, mas não era tão fácil como agora. Basta abrir o celular, a qualquer hora do dia, e começar a falir.

Por que o jogo vicia? Do ponto de vista neurológico é simples, a tensão entre ganhar ou perder libera dopamina. Erroneamente ligada apenas ao prazer, a dopamina traz a sensação de que está ocorrendo algo muito importante, decisivo, é preciso estar alerta. É um neurotransmissor que sublinha, que dá intensidade ao que está sendo vivido. Essa explicação pouco ajuda, todos temos esse modo de funcionamento. Por que uns viciam e outros não é a grande pergunta.

Qualquer vício é indício de uma vida vazia e sem propósito. Quem tem lastro afetivo, vínculos fortes não se deixa destruir por ele. O vício leva quem busca um atalho para se sentir atado à vida.

Existe outra pergunta: deveríamos proteger as pessoas delas mesmas? É o que fazemos quando proibimos as drogas e a publicidade de produtos viciantes. A propaganda de cigarros foi abolida em 2011. A propaganda de bebidas é proibida acima de 13% de teor alcoólico. Fica liberada a de cerveja mas com restrições: não pode estar associada a êxitos esportivos, profissionais e sexuais.

Sabemos que o jogo vicia tanto quanto o cigarro e o álcool. Então, por que permitimos que anúncios de bets patrocinem campeonatos, estampem uniformes e invadam as redes sociais com a promessa de dinheiro fácil?

Meu avô não conheceu os algoritmos, mas intuiu a armadilha: o jogo é o vício que abre a porta para outras compulsões. Hoje, com um cassino no bolso e a solidão como plateia, a aposta não é mais só financeira, é existencial. E quando a vida perde o valor, o próximo lance pode ser o último. _

MÁRIO CORSO

08 de Julho de 2026
OPINIÃO DA RBS

A responsabilidade dos vencidos

A saúde das democracias depende em grande medida da postura dos derrotados nos processos eleitorais. Quando vencidos se negam a reconhecer resultados amplamente chancelados também por observadores internacionais, estimula-se a desconfiança de parte da sociedade nas suas instituições. As divisões sociais se aprofundam e a disputa política se radicaliza.

Não faltam exemplos recentes no continente americano a demonstrar os efeitos nocivos da irresignação com o veredito soberano das urnas, que agora atingem a Colômbia e o Peru. Em 2020, alegando fraudes inexistentes, Donald Trump não aceitou a derrota para Joe Biden. A recalcitrância do republicano em reconhecer que perdeu e as insistentes afirmações sem evidência plausível de irregularidades na eleição tiveram como corolário a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021. No Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpriu roteiro parecido. O desfecho, semelhante ao dos EUA, foi a intentona de 8 de janeiro de 2023. A diferença é que Bolsonaro acabou condenado por tentativa de golpe de Estado.

Após a insurgência contra a vontade dos eleitores surgir à direita, agora é a vez da esquerda abraçar uma postura antidemocrática na Colômbia e no Peru. O presidente colombiano, Gustavo Petro, se recusa a reconhecer a vitória do candidato da ultradireita, Abelardo de la Espriella. Permanece afirmando que apresentará provas de fraudes e vem convocando manifestações contra o resultado. 

O governista derrotado, o senador de esquerda Iván Cepeda, prega "desobediência civil". A transição de poder foi paralisada. Isso enquanto observadores internacionais, como os da União Europeia, atestam que o segundo turno, no dia 21 de junho, transcorreu "transparente e bem organizado". O Centro Carter, organização independente reconhecida no acompanhamento de votações ao redor do mundo, da mesma forma certificou a regularidade do pleito vencido por Espriella com margem inferior a 1 ponto percentual.

No Peru, onde a diferença foi ainda menor, o deputado de esquerda Roberto Sánchez convocou e liderou protestos contra o resultado. De forma dúbia, disse na segunda-feira aceitar o anúncio do Júri Nacional de Eleições (JNE) que confirmou a vitória da direitista Keiko Fujimori, mas manteve as acusações de irregularidades, sem apresentar evidências. Novamente, observadores internacionais, como os da Organização dos Estados Americanos (OEA), chancelaram a lisura do processo. É prenúncio de mais instabilidade no Peru, que teve nove presidentes nos últimos 10 anos.

Cumpre ressaltar que eleições de fachada e sem o escrutínio internacional, que ocorrem em autocracias, onde o líder ou o grupo no poder esmaga a oposição, não se enquadram nesses casos em que a contestação é um sintoma ruim. Um exemplo é o último pleito na Venezuela, em 2024, quando a autoproclamada vitória de Nicolás Maduro não foi reconhecida sequer pelo governo Lula, que agora parabenizou os opostos ideológicos Abelardo de la Espriella e Keiko Fujimori.

Em democracias hígidas, os derrotados aceitam o resultado, lambem as feridas, se reorganizam, fazem oposição firme, mas responsável, e esperam a eleição seguinte. Negar a legitimidade da vitória do oponente é trilhar o caminho perigoso da relativização das regras do jogo no qual a vontade popular é soberana. 

08 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Henrique Ternus

Oposição se articula para derrubar veto de Leite

Pegou mal entre deputados da oposição à direita o veto do governador Eduardo Leite ao projeto que acaba com a taxa de licenciamento de veículos no Estado. Como foi aprovada por unanimidade, os parlamentares esperavam que Leite sancionasse a medida ou pelo menos silenciasse a respeito, deixando a decisão para o presidente da Assembleia, Sergio Peres (Republicanos).

Leite anunciou o veto em vídeo divulgado na noite de segunda-feira, justificando a decisão com o equilíbrio das contas do Estado. Segundo o governador, a taxa garante arrecadação de R$ 750 milhões, da qual Leite disse que o Estado "não pode abrir mão", pois representa um terço da receita do Detran:

- Ninguém quer pagar o preço político de ir contra isso. O impacto fiscal da perda dessa arrecadação é para os futuros governos do Estado, não é para mim. Seria muito conveniente dizer "olha, já que a Assembleia aprovou por unanimidade, então tá, sanciono e toca, e o Estado que se resolva depois".

Quando o projeto foi aprovado, deputados de MDB e PSD, que integram a base governista, foram favoráveis ao fim da taxa. Agora, em minoria e às vésperas da eleição, Leite buscará convencê-los a mudar de ideia.

Entre os opositores, tanto deputados de direita quanto de esquerda já se manifestaram favoráveis à derrubada do veto. Autor do projeto, Rodrigo Lorenzoni (PP) criticou a decisão de Leite, argumentando que o fim da taxa de licenciamento não oferece nenhum prejuízo aos cofres do Estado.

- O Detran é uma autarquia superavitária em R$ 1,1 bilhão por ano. A taxa de licenciamento arrecada R$ 750 milhões por ano. Com o fim da taxa, o Detran segue sendo superavitário em R$ 400 milhões. Mesmo que ele repasse para o Fundo Especial de Segurança Pública R$ 200 milhões, o Detran seguiria com superávit de R$ 200 milhões - calculou.

PT apoiará derrubada

Líder da bancada do PT, o deputado Miguel Rossetto já antecipou que é a favor de extinguir a taxa de licenciamento no Estado. O petista ressalta que, caso Leite entenda necessário fazer recomposição de receitas, ele pode encaminhar uma proposta para ser avaliada pelos deputados.

- Não é razoável manter a cobrança de uma taxa pela emissão do documento físico que deixou de ser impresso e foi substituído por meio digital - concordou. _

Para rebater a crítica de que o projeto é "irresponsável", Lorenzoni resgatou texto protocolado pela bancada do MDB em 2020 que diz ser "exatamente igual" ao seu - assinado, inclusive, pelo atual vice-governador, Gabriel Souza.

Direita boicota reunião e adia o início da discussão da LDO

Insatisfeitos com o veto de Eduardo Leite ao projeto que acaba com a taxa de licenciamento de veículos no Estado, integrantes do bloco de oposição à direita boicotaram a reu­nião de líderes ontem, e não houve quórum para definir a pauta de votação da sessão ordinária. Os líderes das bancadas de PP (Marcus Vinícius), Novo (Felipe Camozzato), Republicanos (Gustavo Victorino) e PL (Adriana Lara) não compareceram ao encontro.

Para que consigam fechar acordos para alterar a ordem do dia, é preciso que os líderes presentes respondam por, no mínimo, dois terços do plenário - ou seja, 37 parlamentares. Sem os quatro partidos da direita, 36 deputados estavam representados.

Com isso, não foi possível incluir na pauta a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que já estava articulada para ser discutida ontem.

Alvo de críticas

A proposta enviada por Leite à Assembleia, que prevê déficit de R$ 4,8 bilhões do governo do Estado no final de 2027, também é alvo de críticas da direita. Além da previsão de alta nas despesas, uma emenda popular conhecida como Descongela é um dos pontos nevrálgicos para as bancadas do bloco político.

A proposta feita por sindicatos que representam servidores do Judiciário, da antiga Caixa Econômica Estadual e da Polícia Civil prevê o pagamento retroativo de vantagens funcionais vinculadas ao tempo, como anuênios, triênios, quinquênios ou licenças-prêmio, que ficaram congeladas durante a pandemia.

Os valores são referentes ao período de 28 de maio de 2020 a 31 de dezembro de 2021, e os sindicatos têm acordo com o governo e com as bancadas de esquerda para que a medida seja aprovada. _

Como não havia quórum na reunião da CCJ de ontem, o debate sobre a PEC que estabelece data-base para reajuste salarial dos servidores de acordo com a inflação só será retomado pelos deputados em agosto, após o recesso.

"Salvação do Rio Grande"

A Fiergs apresentou ontem 10 demandas prioritárias aos candidatos a governador e outras 10 que serão levadas aos presidenciáveis. O único item que se repete, no topo das duas listas, é a criação do Fundo Constitucional das Regiões Sul e Sudeste.

- Esse fundo constitucional é a grande salvação do Rio Grande e dos outros Estados - afirmou Claudio Bier, presidente da Fiergs.

Dentre as demandas relacionadas às eleições nacionais, o terceiro item dos industriais é a contrariedade ao projeto que acaba com a escala 6x1. _

Plano de irrigação

Na pauta levada aos candidatos a governador, também está a cobrança por um plano estadual de irrigação que reduza os impactos das estiagens para o setor industrial.

As demandas foram entregues aos três candidatos mais bem colocados na maior parte das pesquisas: Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL). _

POLÍTICA E PODER

08 de Julho de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Cada um por si

Não se engane: não há interesse público. Cada um tem o seu interesse pessoal, eleitoreiro. O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro esteve ontem na audiência pública do USTR (Escritório de Comércio dos EUA), em Washington, que investiga o Brasil por supostas práticas desleais com base na Seção 301. Disse que a imposição de tarifas ajudaria Lula e que agora seria o "pior momento" para adotá-las. Lula, também candidato à reeleição, por sua vez, tem reforçado o discurso de defesa da soberania para questionar as tarifas que podem ser impostas ao Brasil.

Em ano eleitoral, integrantes da oposição e do governo transformam o USTR em picadeiro externo. Mas a decisão do governo Donald Trump não passa pelo que disserem Flávio ou Lula. Como já se viu, caberá à Casa Branca trumpiana, e essa decisão é ideológica.

Flávio tenta limpar a barra do irmão, Eduardo Bolsonaro, que fizera lobby, no primeiro round, a favor do tarifaço, mas que hoje adota uma lógica próxima. Move-se quase sozinho. Audiências públicas, nesse caso, são inócuas.

Quem irá decidir um eventual recuo de Donald Trump não serão atores políticos, como os pré-candidatos, nem, infelizmente, a diplomacia profissional do Itamaraty, a quem caberia exclusivamente negociar em alto nível. Será o mercado. Aliás, o único recuo do governo americano até agora ocorreu por conta da pressão das empresas, sob o risco de os produtos brasileiros ficarem mais caros e, por tabela, a inflação subir. Coca-Cola, Nestlé, Tesla, Faber-Castell, eBay e Siemens estão na lista de empresas que pediram que os Estados Unidos não implementem a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

É possível, já que Trump só ouve seus pares do mercado. Mas é pouco provável. Se o cálculo da Casa Branca for evitar a inflação, a quatro meses da eleição em que tentará salvar a maioria republicana no Capitólio - e, por consequência, o mandato -, o presidente recua. A esta altura, acho difícil. É jogo jogado. O novo tarifaço virá. A salvação, inclusive para o Rio Grande do Sul, está nas exceções. _

Primeira mulher na presidência da ARI

Em mais de 90 anos, a Associação Riograndense de Imprensa (ARI), finalmente, terá uma mulher como presidente. Hoje, a jornalista Cláudia Coutinho assume o comando da diretoria executiva da entidade para o mandato de 2026 a 2029. A cerimônia de posse será às 10h, no Salão Nobre da ARI, na Avenida Borges de Medeiros, 915, 8º andar, no Centro Histórico de Porto Alegre.

Cláudia sucede o jornalista José Nunes, que esteve à frente da entidade por dois mandatos, 2021-2023 e 2023-2026. A eleição ocorreu no dia 2 de julho, sendo escolhida em chapa única em votação.

A jornalista terá como primeiro vice-presidente o jornalista Leandro Olegário, e como segundo vice Fabio Berti. A nominata completa da nova Executiva é composta por 24 profissionais distribuídos em 12 departamentos, além da superintendente executiva Thamara da Costa Pereira e dos quatro assessores da presidência: Alexandra Zanela, Cristiane Finger, Flávio Dutra e Nilson Souza.

Cláudia é jornalista formada pela PUCRS, tem especialização em Marketing, pela PUCRS; e MBA em Gestão, Marketing e Direito no Esporte, pela Fundação Getulio Vargas e pela Fifa. Trabalhou no jornal Zero Hora e na Revista Amanhã. Atuou na Comunicação e Marketing Esportivo, na Comunicação Pública e na Comunicação Corporativa. Desde 2018, é sócia-diretora da Capítulo 1 - Conteúdo e Design Editoriais. Há seis anos integra o conselho e a diretoria executiva da ARI. _

Maduro e Macron entre os mais "estilosos"

O jornal americano The New York Times divulgou a sua tradicional lista das pessoas mais estilosas de 2026 até o momento. O grupo, formado por 39 nomes, chama a atenção por reunir políticos, como Nicolás Maduro e Emmanuel Macron; estrelas do mundo da música, como Bad Bunny, Rosalía e Blue Ivy Carter; e ícones do cinema, como Meryl Streep.

O jornal explica que a seleção "não é apenas uma apreciação de roupas realmente incríveis. É também um retrato da cultura pop, de momentos virais e de figuras que atraíram a atenção do público (e se vestiram à altura)". O periódico cita que o grupo inclui desde personalidades que inflaram discussões e discórdias até indivíduos que usaram a moda para manifestar sua identidade.

O artista mais ouvido nas plataformas em 2025, Bad Bunny, apareceu na lista por sua apresentação no Super Bowl. Segundo o jornal, "o visual todo creme de Bad Bunny sugeria uma postura altiva, uma imagem orquestrada para rebater as críticas".

No cenário político, o ex-líder venezuelano Nicolás Maduro aparece pelo conjunto da Nike que utilizou no momento de sua captura. Segundo o jornal, o fato de ter se tornado "instantaneamente um meme demonstra a rapidez com que a internet transforma momentos históricos em efemeridades culturais irônicas".

Outro político lembrado é o presidente francês, Emmanuel Macron. Ele integra o grupo por um detalhe singular: os óculos de sol estilo aviador espelhado que utilizou durante um discurso no Fórum Econômico Mundial, em janeiro deste ano. O objetivo do acessório era cobrir uma inflamação ocular.

A premiada atriz Meryl Streep aparece na lista principalmente por fundir sua imagem à de sua icônica personagem Miranda Priestly durante a turnê de O Diabo Veste Prada 2. _

Candidata com tornozeleira eletrônica

A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, confirmou ontem que concorrerá às eleições presidenciais da França em 2027. O anúncio ocorreu após um tribunal de apelação manter sua condenação, mas reduzir o período de inelegibilidade, abrindo caminho para a disputa. Um detalhe na sentença, contudo, chama a atenção: ela terá de cumprir parte da pena sob monitoramento por tornozeleira eletrônica.

Le Pen é acusada de desvio de recursos públicos por utilizar fundos do Parlamento Europeu para pagar funcionários de seu partido. A política foi condenada a três anos de prisão, dos quais dois anos foram suspensos; o ano restante de prisão efetiva deverá ser cumprido em regime domiciliar com vigilância eletrônica. Ela também recebeu uma pena de 45 meses de inelegibilidade, mas com 30 meses suspensos. Na prática, restam 15 meses de restrição, o que viabiliza sua candidatura em 2027.

Sobre o uso do dispositivo de segurança, a líder francesa declarou a intenção de recorrer ao Tribunal de Cassação (equivalente ao Supremo Tribunal Federal no Brasil), recurso que, segundo ela, suspenderia a execução imediata da sanção. _

Até sábado, arrecadação de agasalhos na Capital

Até o próximo sábado, os porto- alegrenses poderão contribuir para a campanha da comunidade judaica, doando roupas, cobertores, calçados e alimentos. Os caminhões passam pelos pontos cadastrados no domingo.

Iom Mitzvah 2026 está com novo formato, com pontos de coleta espalhados pela cidade e a participação de embaixadores, que mobilizam seus condomínios, amigos, familiares e comunidades para ampliar a arrecadação. 

INFORME ESPECIAL

segunda-feira, 6 de julho de 2026

06 de Julho de 2026
CARPINEJAR

Não aguento mais a palavra hexa

Brasil foi passivo. Brasil foi a passeio. Brasil foi preguiçoso. Brasil foi pachorrento. Não teve combatividade, garra, intensidade. Não se mostrou objetivo com a profusão de chances. Desperdiçou o que o destino ofereceu.

Completaremos mais um ciclo sem Copa do Mundo. Serão 28 anos, a maior abstinência de nossa história. Não aguento mais ouvir a palavra "hexa". É a pior campanha desde 1990, e tecnicamente muito similar ao time mediano de Sebastião Lazaroni, que caiu diante da Argentina de Maradona naquela vez.

Tornou-se a aposentadoria melancólica de Neymar, deixando um gol de honra nos acréscimos, que mais pareceu de comiseração. Ele se reduziu a um coadjuvante em quatro edições do torneio. Encarna uma geração consumida pelas sombras. Erramos um pênalti como na desclassificação de 1986. Erramos tudo como nas últimas duas décadas.

Quem nasceu depois de julho de 2002 nunca viu o Brasil levantar a taça. Não sabe como é isso. Desaprendemos a ganhar. A Noruega nem precisou de muito esforço para vencer por 2 a 1 no MetLife Stadium, em Nova Jersey, na tarde de ontem. A Seleção Brasileira terminou com 34% de posse de bola, seu menor índice de todos os tempos (medição desde 1966).

O plantel desacreditado antes da Copa superou as expectativas mais pessimistas. O italiano Carlo Ancelotti, com a bagagem de cinco Ligas dos Campeões, perdeu a mão. Apressou o epitáfio com substituições ofensivas. Bastava Endrick; não precisava de Danilo e Neymar no ápice do confronto.

Tampouco quebramos o tabu de jamais ter superado o oponente da Escandinávia. Somos fregueses. Em cinco jogos disputados entre as equipes, são três derrotas, duas em Copas do Mundo.

O fiorde nos apequenou. Enfrentamos gigantes: Nyland, goleiro, em grande atuação; Ajer e Heggem, zagueiros; Berge, volante; Sorloth e Haaland, atacantes, todos com mais de 1,90m, dominando o céu e a terra. Haaland assumiu a artilharia da competição, com sete gols. Quando tocou na bola, fez. Não existe um matador tão sangue-frio quanto ele. São 62 gols pela Noruega em 54 partidas, o que é inacreditável.

Ele cabeceou como se fosse fácil. Arrematou de fora da área como se fosse simples. Alisson se esticou ao máximo enquanto ele realizava o seu básico.

Não havia nenhuma expressão de cansaço, nenhum suor escorrendo de seu rosto, nenhum esgar de explosão. Era um semideus de rabo de cavalo no meio de meros mortais, um Thor com o martelo da testa e do chute.

Ele se vingou dos memes do filme As Branquelas, nos quais se curvava a Vinícius Júnior. No final, Vini é que desapareceu na decisão, com a sua gula vazia, com a sua tentativa desesperada e atrapalhada de resolver sozinho.

Logo após o triunfo, Erling Haaland postou uma foto no vestiário em seu perfil oficial, encerrando a paródia nas redes sociais: "Ora, ora, ora?". A remada agora será feita para as quartas de final, ecoando em intermináveis coreografias nas arquibancadas.

Os noruegueses mereceram. Exemplificaram em campo as cores da sua bandeira: o vermelho pelo sangue derramado; o branco pela postura gélida como a neve; e o azul por buscar, mais do que nós, a imensidão dos mares.

Existe uma lenda da tradição nórdica, a Saga dos Volsungos, preservada na Islândia medieval e oriunda do imaginário dos antigos povos escandinavos da Era Viking, em que o herói Sigurd mata o dragão Fafnir. Ao provar acidentalmente o sangue do dragão, passa a compreender a linguagem dos pássaros. O triunfo o transforma. O vencedor leva consigo parte da força e do destino do vencido.

Que a Noruega absorva em seu DNA a esperança do torcedor brasileiro, e siga encantando como uma improvável campeã. Pois praticou a imortalidade (Orðstírr) da reputação. Não lutou de qualquer jeito, mas sempre bravamente, com o queixo erguido, enxergando-nos do alto, esparramados e letárgicos no chão. 

CARPINEJAR

 

06 de Julho de 2026
CLÁUDIA LAITANO

Cría cuervos

Uma mulher que defende a submissão feminina pode ocupar uma posição de liderança sem perder a coerência? A conversa surgiu na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, dias atrás, durante uma discussão sobre o projeto de criminalização da misoginia. A deputada Júlia Zanatta, do PL de Santa Catarina, invocou a Bíblia para defender a hierarquia dentro e fora de casa: marido manda, mulher obedece, Deus fiscaliza. Sâmia Bomfim, do PSOL de São Paulo, aproveitou a deixa para cutucar o antifeminismo performático das colegas da bancada conservadora: "Se realmente pensassem assim, não seriam deputadas, seriam mulheres submissas a seus maridos dentro das suas casas".

Quem assistiu Mrs. America (Disney) talvez lembre que a incoerência não é o único problema de quem escolhe militar contra os próprios interesses. A série retrata o embate travado entre mulheres de diferentes perfis ideológicos durante a campanha para a aprovação da Emenda dos Direitos Iguais, no início dos anos 1970. 

De um lado, o movimento feminista, liderado por Gloria Steinem (Rose Byrne) e Betty Friedan (Tracey Ullman), defendendo a lei que dificultaria a discriminação baseada no sexo. Do outro, a ativista conservadora Phyllis Schlafly (Cate Blanchett) e sua turma colocando-se contra a possível perda de "privilégios" femininos, como o direito à pensão e a isenção do alistamento militar obrigatório. Spoiler: o movimento conservador ganhou a parada, muito graças à tenacidade de Phyllis Schlafly. Na cena final da série, a ativista recebe o telefonema que esperou a vida inteira. 

Do outro lado da linha está Ronald Reagan, o presidente que ela ajudou a eleger liderando um exército de donas de casa indignadas. Phyllis espera um cargo como prêmio pelos bons serviços prestados, mas ganha apenas um tapinha nas costas. Em termos políticos, o recado era claro: valeu, amiga, agora volte para a cozinha. (Anos mais tarde, Schlafly serviria de inspiração para Margaret Atwood criar outra campeã na modalidade tiro no próprio pé: Serena Joy, a mulher que acaba sendo vítima da teocracia misógina que ajudou a implantar, no livro O Conto da Aia.)

Mulheres de direita são uma população em expansão e se fazem ouvir nas redes sociais, nas igrejas, nos palanques políticos. Todas usufruem do bem-bom da autonomia conquistada a duras penas pelo feminismo para defenderem qualquer ideia que lhes pareça conveniente - inclusive a de que esposas devem obediência aos seus maridos. Quando seus supostos aliados masculinos decidem atacá-las ou diminuí-las, por excesso de iniciativa ou de protagonismo, ninguém deveria se surpreender, muito menos elas mesmas. Cría cuervos y te sacarán los ojos. 

CLÁUDIA LAITANO

06 de Julho de 2026
OPINIÃO RBS

Conscientização e proteção aos filhos

Intensificou-se nos últimos anos, de forma bem-vinda, o debate sobre os riscos do uso excessivo de telas e do acesso a redes sociais por crianças e adolescentes. As discussões buscam em especial alertar pais e responsáveis acerca dos perigos desse descontrole, mas também incentivar iniciativas legislativas que ajudem a prevenir danos, como a queda do desempenho escolar, e a proteger contra crimes cometidos no submundo virtual.

Os primeiros resultados dessa maior conscientização parecem começar a aparecer. Na quinta-feira, o IBGE divulgou a edição de 2025 da pesquisa sobre acesso à internet e posse de celular por pessoas com 10 anos ou mais, contida na PNAD Contínua. Entre os oito recortes etários, o grupo de 10 a 13 anos foi o único a registrar queda na utilização de smartphone em relação ao levantamento anterior, de 2024. O percentual caiu de 56,7% para 55,2%. 

O uso da internet também apresentou um leve recuo, de 84,9% para 84,4%. Igualmente, foi o único estrato de idade com queda. A preocupação com a segurança e a privacidade é um dos principais motivos. Mesmo que pareça ser uma redução pequena, pode indicar um momento de inflexão da curva de uso. É dever registrar que na faixa etária imediatamente seguinte, de 14 a 19 anos, os números seguem aumentando.

Os resultados coincidem com o início da vigência, no começo do ano passado, da legislação que restringe celulares no ambiente escolar. Foi ainda em 2025 que o youtuber Felipe Bressanim Pereira, o Felca, divulgou um vídeo impactante sobre a adultização de crianças e adolescentes na internet. Mostrou os riscos de exploração sexual e como pedófilos agem nas redes sociais. A denúncia deu impulso para a aprovação no Congresso do chamado ECA Digital, um marco para a proteção de menores de idade no ambiente virtual, que passou a vigorar em março deste ano.

Mas toda essa discussão, em primeiro lugar, fez pais e responsáveis ficarem mais atentos. Levou a decisões como retardar a idade em que os filhos ganham o primeiro celular, limitar o tempo de tela e aumentar o controle parental sobre o uso de redes sociais. Os malefícios do uso desmedido e sem orientação da tecnologia são conhecidos. Refletem-se em notas mais baixas, impactos na saúde mental e no desenvolvimento cognitivo, dificuldades para socializar e exposição a crimes virtuais, como os de cunho sexual. Como reação, a Austrália e países europeus vêm impondo limite de idade para o uso de redes sociais.

Na semana passada, o Ministério da Educação divulgou os resultados de uma pesquisa que mostra, pela ótica dos gestores escolares, os benefícios da lei que limita o celular nos colégios. Dos entrevistados, 97% avaliaram que a participação dos estudantes nas atividades educativas melhorou, 95% atestaram que a socialização e a concentração cresceram, 88% observaram redução de ciberbullying e 56% notaram maior engajamento nas tarefas pedagógicas fora da sala de aula.

O uso da tecnologia traz benefícios e é aliado da aprendizagem quando devidamente acompanhado por adultos responsáveis e orientado por professores em afazeres didáticos. O perigo é a combinação entre imaturidade e exposição precoce e excessiva a telas e redes sociais. É um debate que ainda pode evoluir no país. 

06 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Carlos Rollsing

Novo embate na família Bolsonaro

Depois de ter publicado um vídeo dizendo ter sido apunhalada e maltratada pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro se envolveu em nova polêmica com potencial de desgaste. Na sexta-feira, ela elogiou nas redes sociais uma iniciativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Michelle comentou o lançamento da Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, do Ministério da Educação. "É um sonho realizado", postou a ex-primeira-dama, provocando irritação em Flávio e despertando críticas no bolsonarismo. A reação nas redes sociais foi dura, com montagens associando a ex-primeira-dama ao PT e contendo acusações de traição.

No sábado, Michelle publicou uma nova mensagem nas redes sociais para tentar conter a repercussão negativa causada por seu elogio à iniciativa do governo Lula. No novo post, ela afirma que a defesa das pessoas com deficiência é uma pauta que está "acima de qualquer ideologia ou partido". A ex-primeira-dama também alegou que a política de educação bilíngue para surdos foi elaborada ainda durante o governo Bolsonaro, mas teve a tramitação atrasada por uma ação judicial, o que teria impedido sua entrega antes do fim do mandato. Ela concluiu afirmando que o mais relevante não é a autoria da política, mas seus beneficiários, e parabenizou a comunidade surda.

O episódio do vídeo em que Michelle disse ter sido apunhalada por Flávio já causou a saída dela do comando do PL Mulher. O caso dos elogios à política do governo Lula aprofunda as rusgas dentro da família Bolsonaro e coloca mais dúvidas na manutenção da candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal.

As brigas entre Michelle e os filhos de Bolsonaro, sobretudo Flávio, Eduardo e Carlos, não são novidade. O fato novo é que as rusgas se ampliam no momento em que Jair Bolsonaro, maior líder da direita brasileira, está em prisão domiciliar, inelegível e com a saúde fragilizada.

O que está acontecendo é uma luta pelo espólio de Bolsonaro, nome que simboliza o domínio de uma considerável fatia do eleitorado brasileiro. A querela e os rumores de que Michelle pode fazer novas revelações sobre o enteado têm potencial para causar danos na candidatura presidencial de Flávio, que já está chamuscada pela descoberta de que pediu R$ 61 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção do filme Dark Horse, sobre a vida de Bolsonaro.

As avaliações de que a candidatura de Flávio pode sofrer mais abalos teriam, inclusive, motivado a indicação de Gilberto Kassab como candidato a vice na chapa presidencial de Ronaldo Caiado (PSD). Enquanto isso, Lula aposta nos programas populares a três meses da eleição em primeiro turno. _

Sem partido, Ricardo Gomes decide apoiar Zucco

Desfiliado do PL desde 2024, Ricardo Gomes, ex-vice-prefeito de Porto Alegre, levou sugestões para a área econômica do plano de governo do deputado federal Luciano Zucco (PL), candidato ao Palácio Piratini. O encontro aconteceu no sábado. Ricardo cogitou apoiar Gabriel Souza (MDB), mas optou por estar ao lado de Zucco pela identificação com a direita.

- O RS precisa mudar. Estamos avançando, mas em ritmo lento. O Estado precisa de um choque de liberdade econômica - afirmou Ricardo. _

Oposição vai ao MPC questionar licitação do governo Leite

A deputada estadual Laura Sito (PT) ingressa hoje no Ministério Público de Contas (MPC) e no Tribunal de Contas do Estado (TCE) com ofícios requerendo análise da licitação do Estado para a contratação de serviços de comunicação vencida pelas empresas Escala Comunicação e Marketing e House of Creativity (HOC). O caso está chamando atenção porque a HOC tem como CEO o publicitário Fábio Bernardi, marqueteiro da campanha do governador Eduardo Leite em 2022.

Experiente em comunicação política, Bernardi também está no núcleo de comunicação da candidatura do vice-governador Gabriel Souza ao Palácio Piratini em 2026. _

Indenização concedida

A 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) decidiu, por unanimidade, conceder indenização à filha menor de idade de uma médica que atuava em hospital de Passo Fundo à época da pandemia de coronavírus.

A profissional tinha controlado um câncer, mas, durante a emergência sanitária, contraiu o vírus em novembro de 2020. Depois, registrou retorno da doença e faleceu em setembro de 2021. O pedido de indenização foi negado no INSS e na primeira instância da Justiça Federal, que alegou não ter ficado comprovada a relação causal entre a covid e o óbito.

A decisão foi reformada no TRF-4. O desembargador-relator Rogério Favreto destacou que a lei 14.128/21, onde consta o direito à indenização aos profissionais de saúde incapacitados e herdeiros diretos em caso de morte, não exige relação exclusiva entre o vírus e o óbito. A norma menciona presunção legal de que a covid resultou no falecimento, mesmo que não tenha sido a causa única ou imediata, desde que preenchidas condições como diagnóstico do vírus, nexo temporal e laudo médico. A indenização ficou em R$ 180 mil, conforme valores previstos na lei. _

Atuação marcante

Foi inaugurada a fase de denúncias do Ministério Público à Justiça em razão dos supostos crimes em compras da Secretaria da Educação de Porto Alegre (Smed). Se a apuração chegou a tal ponto, papel fundamental foi desempenhado pela ex-vereadora Mari Pimentel, que denunciou irregularidades e não se intimidou com a base governista ao presidir a CPI da Educação na Câmara.

Mari não foi reeleita em 2024, mas segue filiada ao Republicanos, para onde foi depois de colher antipatia no Novo pela condução da CPI. Ela tomou a decisão de não concorrer na eleição de 2026, mas não fecha a porta para voltar no futuro. _

Perda de mandato

Está marcado para hoje, às 14h, na sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS), o depoimento do secretário-geral de Governo do Palácio Piratini, Artur Lemos, na condição de testemunha do PSD na ação de perda de mandato por infidelidade partidária movida  pelo PSDB contra o deputado estadual Valdir Bonatto (PSD).

O parlamentar trocou o tucanato pelo PSD em janeiro de 2026, antes da abertura da janela em que a mudança de sigla é autorizada. Após o depoimento de Lemos, vice-presidente do PSD-RS, a ação deve avançar à fase de alegações finais, parecer do Ministério Público e julgamento. _

POLÍTICA E PODER

sábado, 4 de julho de 2026


04 de Julho de 2026
CARPINEJAR

Dos joelhos até os calcanhares

As meias foram diminuindo de tamanho de geração a geração. Meus pais na infância usavam três quartos; eu, a soquete; meus filhos, as invisíveis ou sapatilha. Meus pais usavam meias até os joelhos; eu, até os calcanhares; meus filhos preferem que não sejam vistas. Elas começaram a desaparecer. Cada época abocanhou um naco de sua medida.

É uma história silenciosa do estilismo, acompanhando o desejo de destapar o corpo. Pode ser efeito da superexposição da aparência nas redes sociais, da tendência fitness, das academias de musculação. Ou porque o tênis passou a ser protagonista, com a ostentação de marcas e modelos, e roubou a cena da sua fiel coadjuvante.

O vestuário encolheu junto com os costumes. As meias não sofreram redução somente de tecido, mas também de importância e influência. Antes faziam parte do visual; agora a intenção é camuflá-las, num minimalismo que apenas privilegia o indispensável.

O acessório não é nem enfeite. Mudou de função. Antigamente protegia do frio; nos tempos modernos, protege do atrito do calçado. A liberdade se tornou sinônimo de despojamento. Quanto menor a peça, maior seu consumo: fones sem fio, por exemplo.

Nas fotografias amareladas de meus pais, eles posavam com meias de algodão grosso, lã ou mistura de fios, porque aqueciam mais. Possuíam elástico firme ou ligas para evitar que escorregassem. As tonalidades revelavam discrição: cinza, marrom, azul-marinho, bege e preto.

Sua constância no período se explicava pela versatilidade: eram adotadas tanto com sapatos sociais quanto com calçados esportivos. Ninguém mostrava a canela, sinal de pouca elegância, status que migrou hoje para não mostrar as meias.

Na década de 50, crianças não abdicavam do seu emprego nos passeios e na escola, completando o dueto do uniforme com as bermudas. Tratava-se de um código que transmitia sobriedade, disciplina, decência, respeito à família.

Depois, conforme as barras das calças ficaram mais largas e a moda assumiu um caráter informal e casual, as meias três quartos deram lugar às de cano médio, coloridas, divertidas, com estampas. Participei desse momento em que sua extravagância indicava uma ideologia de insubordinação e independência.

Atualmente, olho para os pés de meus filhos e não enxergo meia nenhuma. Está por baixo, constrangida, sufocada. Não há sentido em falar "arregaçar as meias" ou "puxar as meias". Não há sentido em deixar uma gaveta unicamente para elas. Ocupam um espaço simbólico.

E, paradoxalmente, reivindicam cifras muito mais salgadas - vendidas de modo avulso, não em pacotes com uma dúzia. Gastamos o dobro para algo que não se percebe. Um par de meias virou um presente secreto. Você jamais testemunhará o presenteado se exibindo com o regalo.

São as novas roupas íntimas. 

CARPINEJAR

04 de Julho de 2026
EUGÊNIO ESBER

Michelle antes, Jair depois

No dia em que Michelle Bolsonaro irrompeu nas telas brasileiras para expor suas desavenças com o enteado Flávio Bolsonaro, pensei, entre tantas hipóteses razoavelmente plausíveis, que estava nascendo uma persona política de fisionomia própria - e ambições muito próprias, também. Se me enganei ou não, o tempo dirá. Mas um erro, desde já, assumo ter cometido em minha primeira e imediata avaliação, a mesma, aliás, de muitos observadores da cena política. 

Não foi a primeira aparição disruptiva de Michelle. "A posse. Lembra da posse?", alertou-me a Maira. Eu não lembrava. Mas não foi preciso muito esforço para concluir que a enigmática personalidade da ex-primeira-dama se delineou aos olhos do público, pela primeira vez, em 1º de janeiro de 2019.

Assim como a cuidadosa preparação do vídeo-bomba de 24 de junho de 2026, Michelle de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro construiu e esculpiu, no seu íntimo, um plano que a faria tornar-se notícia no Brasil e no mundo: discursar na posse do marido, Jair Messias Bolsonaro, feito inédito na história do Brasil.

Mais do que uma quebra de protocolo, a primeira-dama protagonizou outro ineditismo: discursou em Libras, a linguagem brasileira de sinais, para homenagear pessoas com deficiência e, particularmente, a comunidade surda, na qual se inclui um tio dela. Postado atrás dela, com expressão séria, Jair acompanhava a leitura do texto de Michelle pela auxiliar Adriana Ramos. Ao final, a pedido do público, Jair e Michelle se beijaram.

A imprensa brasileira e internacional deixou de lado o viés de antipatia ao capitão que derrotara o petismo e adoçou a cobertura da posse com menções à suavidade e à empatia da jovem de 37 anos incompletos nascida em Ceilândia, Distrito Federal.

Depois de tudo, Michelle deu entrevista em que contestou insinuações de "marketing" em sua iniciativa. Contou, porém, que planejou o ato em segredo - inclusive do marido - durante 10 dias. Só comunicou Jair de seu plano duas horas antes da posse. "Olha, eu vou discursar, mas você fica tranquilo que deve ser menos de quatro minutos."

Faltando apenas meia hora para o início da cerimônia, marido e mulher combinaram como seria. A primeira-dama falaria antes do presidente.

E assim foi feito, como nunca antes no Brasil ou no mundo.

Posteriormente, frente às câmeras da TV Record, Michelle relataria, descontraída, e com certa euforia, o nervosismo do cerimonial na véspera da posse.

- Foi um momento cômico, porque uma pessoa do alto escalão ficou extremamente em pânico. "A senhora vai discursar... O presidente já sabe?" Falei: "Não". E ele: "Como assim ?o presidente não sabe??". Eu falei: "Qual o problema?". _

EUGÊNIO ESBER

04 de Julho de 2026
OPINIÃO RBS

OPINIÃO RBS

Investigação em defesa do interesse público

Três anos após o início das apurações policiais, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) denunciou 22 pessoas por suposto envolvimento em fraudes no âmbito da Secretaria Municipal da Educação (Smed) de Porto Alegre. É a primeira acusação do MP relacionada à Operação Capa Dura, realizada pela Polícia Civil para investigar irregularidades na compra de 544 mil livros, em 2022, a um custo de R$ 36,5 milhões. Ainda cabe à Justiça analisar se aceita a denúncia e, a partir disso, dar prosseguimento ao processo que pode resultar na responsabilização e na punição dos eventuais culpados. O andamento das averiguações, porém, já é um resultado emblemático da vigilância permanente que o jornalismo profissional deve exercer em uma sociedade democrática.

A atuação das autoridades teve início após a publicação de uma série de reportagens do Grupo de Investigação da RBS (GDI) sobre indícios de ilegalidades em compras da Smed. Os repórteres Adriana Irion e Carlos Rollsing relataram o abandono de milhares de livros e materiais didáticos adquiridos sob suspeita de direcionamento de licitação e esquecidos em depósitos sob condições inadequadas. Fiscalizar as ações do setor público e o uso dos recursos obtidos por meio do pagamento de impostos, com equilíbrio e responsabilidade, é justamente um dos pilares do jornalismo independente e plural.

Espera-se que as instituições competentes deem curso à análise das provas colhidas ao longo dos últimos anos de forma célere, técnica e livre de pressões partidárias. Embora todo e qualquer desvio de dinheiro público seja um delito de extrema gravidade, irregularidades envolvendo uma área tão importante como a educação se mostram especialmente repreensíveis, tanto pelo expressivo volume de verbas que essa pasta costuma concentrar quanto pelo caráter simbólico da malversação de recursos que deveriam ser destinados à formação de crianças e jovens.

Após a publicação das reportagens, a Polícia Civil abriu sete inquéritos. Em fevereiro, a conclusão das investigações resultou no indiciamento de 34 pessoas - entre as quais 22 foram agora denunciadas pelo Ministério Público. Nessa lista estão a ex-secretária da Educação da Capital Sônia da Rosa, o empresário Jailson Ferreira da Silva e os ex-vereadores Alexandre Bobadra (PL) e Pablo Melo (MDB). Enquanto a defesa da ex-secretária optou por se manifestar somente após ser citada formalmente, os demais negam participação em quaisquer irregularidades. Se as denúncias forem aceitas pela Justiça, terão a oportunidade de apresentar suas contraprovas no decorrer da ação judicial.

Qualquer que seja o desfecho do episódio, é fundamental que sirva de exemplo para o poder público redobrar o cuidado com o dispêndio de recursos e seus mecanismos de autocontrole. É inaceitável que, em sociedades com tantas demandas por saúde e educação, de um lado, e verbas tão escassas para atender aos anseios da população, de outro, qualquer centavo seja comprometido por má gestão ou ação deliberada. Quando a máquina governamental falhar na aplicação de seu orçamento, restará a permanente disposição do jornalismo profissional em representar e fazer valer os interesses da sociedade. _

04 de Julho de 2026
COOPERATIVISMO - Bruna Oliveira

"É mais que um trabalho, é um compromisso com a vida"

Há 30 anos, a Cooperativa Univens, situada no bairro Sarandi, na zona norte de Porto Alegre, gera renda, oportunidade e renovação para o seu entorno. Atualmente, grupo de mulheres costureiras produz roupas, uniformes escolares e de firmas, bolsas, sacolas ecobags e lençóis hospitalares

Na zona norte de Porto Alegre, o fio que ganha forma pelas mãos de mulheres costureiras tece uma trama que vai muito além da vestimenta e se traveste em mudança social. Há 30 anos, a Cooperativa Univens - Unidas Venceremos, gera renda, oportunidade e renovação para a comunidade do seu entorno.

O trabalho feito pelas mulheres da Vila Nossa Senhora Aparecida, no bairro Sarandi, é um caso emblemático da cooperação pelo trabalho. Juntas, as 24 costureiras cooperadas dividem as tarefas, os ganhos, o tempo, o espaço e os problemas.

Começou em 1996, quando a necessidade de gerar renda encontrou ocasião no ofício das mulheres da comunidade, recorda a diretora-presidente da cooperativa, Nelsa Fabian Nespolo, 63 anos. O sonho coletivo, naquela época, era costurar para o Hospital Conceição, centro de saúde referência para os moradores do bairro:

- Dois fatores se juntaram: precisávamos de renda e havia a vontade de costurar para o hospital. Mas, para isso, precisávamos ser uma cooperativa. E assim começamos. É mais que um trabalho, é um compromisso com a vida.

Como no bordado à mão livre, nem tudo saiu como o planejado, e outras tramas foram se mostrando possíveis ao longo do percurso. Enquanto a meta de atender a rede hospitalar não desenrolava, uma encomenda de 500 camisetas para vestir metalúrgicos deu o fôlego para avançar. Aos poucos, os equipamentos foram adquiridos, os clientes foram chegando e a rede feminina tramada pela costura foi ficando mais firme.

Plano de ir além

Foi só em 2024 que o sonho da Univens enfim alcançou o seu primeiro objetivo, com a seleção na primeira chamada pública promovida pelo GHC. Em seguida, os lençóis costurados na Vila Nossa Senhora Aparecida chegaram ao Hospital da Criança, referência no tratamento infantil no Rio Grande do Sul. Em 2025, as peças já cobriam adultos na hematologia e na oncologia, e atualmente estão em ampliação para a maternidade do Hospital Fêmina, também na Capital.

O plano é ir além. Outra disputa de compra pública está em aberto para atender ao Grupo Hospitalar Conceição, além de negociações em andamento com três hospitais privados do Interior. Por serem feitos de tecido orgânico, os lençóis da cooperativa irritam menos a pele dos pacientes, conferindo um ganho aos tratamentos de saúde.

- Queremos muito ampliar a entrega para outros hospitais, porque isso nos dá uma segurança de renda certa, e o restante buscamos com outros produtos que a gente faz. Ampliar a compra pública significa crescer a cooperativa. Muitas vezes, essa é a única renda da família - diz Nelsa.

Da costura das mulheres, produzem-se roupas, uniformes escolares e de firmas, produtos corporativos, bolsas, sacolas ecobags e os lençóis hospitalares. Mas nem sempre as mãos da comunidade souberam costurar. O grupo de cooperadas reúne desde as que já manuseavam a máquina àquelas que aprenderam na cooperativa.

Há seis anos entre elas, Vera Monticeli, 63 anos, diz ser grata pela oportunidade de trabalhar junto às mulheres. Tudo o que sabe de costura, diz, aprendeu ali.

- Fiz um curso básico na cooperativa e a Nelsa me convidou para trabalhar. Hoje eu digo que sei costurar. Tudo o que sei de costura eu aprendi aqui dentro. (Estar) onde todo mundo faz junto, onde todo mundo pega junto, é muito gratificante - conta.

O perfil na cooperativa é diverso. Muitas são viúvas, outras são mães solo, e há as que são chefe de família - da qual o único sustento vem da renda da cooperativa. Também há as que trabalham de casa, sem frequentar a sede, e as que se dedicam aos reparos.

- A cooperativa dá uma segurança financeira, e, portanto, de vida. Sobretudo, para as mulheres. É tão importante ter uma rede de proteção na nossa volta e um grupo onde se pode contar os problemas... Tem dias que a vida é mais difícil. E compartilhar as alegrias também. É o verdadeiro sentido de cooperar, num todo, na vida das mulheres - diz a diretora-presidente.

Circulação de dinheiro

O impacto econômico e social desde que o cooperativismo passou a fazer parte da comunidade vai além dos limites da Univens e se revela em mudança de realidades. O dinheiro que passou a circular a partir da venda das peças girou também o comércio, os serviços e as oportunidades para novos negócios no bairro. Mais do que isso, chegou à qualidade de vida das mulheres. Todas moram perto da cooperativa, algumas delas vão de bicicleta, e isso representa tempo a mais com as suas famílias. _

Polêmicas envolvem os 250 anos dos EUA

Neste sábado, os Estados Unidos comemoram o aniversário de 250 anos de sua independência. A série de celebrações propostas pelo governo americano começou há uma semana e deve se estender além da data oficial. O país já está em ritmo de festa: na sexta-feira, as ruas de diversas cidades foram tomadas por bandeiras, chapéus e souvenirs em vermelho, azul e branco.

Dois fatos têm chamado a atenção no pano de fundo da festividade: a forte polarização em torno das comemorações e a centralização da imagem do presidente Donald Trump nos eventos.

A polarização

Os preparativos para o quarto de milênio de independência americana começaram ainda em 2016, quando o Congresso criou o America250, um comitê bipartidário para organizar as festividades. No entanto, em seu segundo mandato, Trump criou o Freedom 250, uma parceria público-privada sob o guarda-chuva de sua própria administração.

A criação deste segundo grupo esteve no centro de uma forte discussão nos últimos dias envolvendo o Partido Democrata. A oposição divulgou um relatório acusando consultores ligados a Trump de envolvimento em fraude financeira para enganar doadores.

Segundo os democratas, apoiadores que pretendiam contribuir com o fundo America250 receberam, na verdade, os dados bancários do Freedom 250.

O relatório aponta que o Freedom 250 foi concebido sob os cuidados da ala republicana para servir como "um veículo para uma visão nacionalista cristã, partidária e centrada em Trump da identidade americana", e que os recursos arrecadados serviram para inflar "o ego, a ideologia política e os projetos pessoais do presidente".

A imagem de Trump

Trump anunciou que este será o aniversário "mais espetacular" da história americana. O primeiro indício da apropriação da data surgiu ainda em dezembro, quando o republicano enumerou, em um vídeo, uma lista de programas para o aniversário da nação.

De acordo com a CNN, Trump desfez planos que vinham sendo elaborados há anos para a festividade e direcionou verbas federais para sua visão, atraindo críticas de que o ato se tornou uma celebração mais voltada para o presidente do que para o país.

A abertura oficial das comemorações ocorreu na semana passada com a Grande Feira Estadual Americana, no National Mall, evento que se estende até dia 10. Segundo o The New York Times, diante da forte politização, diversos artistas cancelaram apresentações, alegando desconforto com o viés partidário.

O ápice das festividades ocorre neste fim de semana. O principal evento batizado de Saudação à América, com desfiles, demonstrações militares e um show de fogos de 40 minutos e 850 mil disparos. O presidente fará o discurso principal que, segundo suas próprias palavras, será longo - mesmo que a previsão indique máxima de 37ºC em Washington DC no sábado. Trump participará de praticamente todas as cerimônias, e o cronograma oficial da festa foi moldado para se adequar à agenda dele.

A principal crítica de analistas locais, como Jon Favreau, Jon Lovett, Dan Pfeiffer e Tommy Vietor, do podcast Pod Save America, é de que a celebração centralizou todas as atenções em Trump. O jornal Los Angeles Times seguiu na mesma linha, apontando: "O espetáculo que os americanos verão terá Trump como figura central". _

Lula parabenizou a presidente eleita do Peru, Keiko Fujimori, após a Justiça Eleitoral do país confirmar a vitória dela na eleição. "Conte com o Brasil para construirmos juntos uma América do Sul mais próspera, integrada, democrática e soberana", escreveu o brasileiro. Keiko será a nona presidente em 10 anos no Peru.

Ciclovia vai unir pedal e cerveja

Farroupilha entregou na sexta-feira a Ciclovia Desvio da Cerveja. A obra, com mais de 8 quilômetros de extensão, fica às margens da rodovia VRS-813, entre Farroupilha e Garibaldi. O projeto recebeu um investimento de R$ 3 milhões do Estado e de quase R$ 5 milhões do município.

Ao longo do percurso, a pista integra diversas cervejarias artesanais da região, consolidando um roteiro que une pedal, gastronomia, cultura e paisagem.

Além da pavimentação, a estrutura conta com sinalização horizontal e vertical, além de balizadores flexíveis ao longo de todo o trecho. Para a prefeitura, a via pode potencializar um novo polo de cicloturismo. _

Semana italiana em Porto Alegre

Se você aprecia massas, vinhos e, principalmente, a cultura italiana, Porto Alegre viverá, entre segunda e sábado, o legado da imigração no RS.

Trata-se da 20ª Settimana Italiana di Porto Alegre, uma homenagem à trajetória dos imigrantes que cruzaram o oceano para construir a vida no Estado. O tema desta edição será Dall?Italia all?America (Da Itália para a América).

Destaca-se da programação a exposição Dall?Italia all?America, que resgata cenas da saga italiana no RS; a apresentação La notte del canto lírico, com o musical Il Barbiere di Siviglia; lançamentos literários; gravação do programa de televisão; entre outras atividades. _

A pedido do Papa, reitores debatem IA

O reitor da PUCRS, Ir. Manuir José Mentges, participou na sexta-feira de um encontro em Curitiba com os demais reitores das PUCs de todo o Brasil. A reunião atendeu a um pedido do papa Leão XIV e teve como objetivo debater as transformações tecnológicas, em especial os impactos da inteligência artificial.

A conferência vai ao encontro das diretrizes da encíclica Magnifica Humanitas, lançada pelo Pontífice em maio. O documento trata justamente sobre o avanço da IA na sociedade e detalha as preocupações e orientações da Igreja Católica a respeito do tema.

Além do reitor da PUCRS, participaram da reunião padre Anderson Antonio Pedroso (PUC-Rio), Olga Izilda Ronchi (PUC Goiás), irmão Rogério Mateucci (PUCPR) e Victor de Barros Deantoni (PUC-Campinas). _

INFORME ESPECIAL 

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