domingo, 6 de setembro de 2026

05 de Setembro de 2026
CARPINEJAR

Danúbio Azul

Vivo incentivando a torcida como um louco. Mas tudo tem um teto, meu emocional está destruído. A valsa na Arena doeu mais do que a eliminação para o Vitória, para o Mazembe, para o Globo.

É impossível torcer para o Inter não cair com Pezzolano. Ele se supera em decisões equivocadas. Com seu fiasco diante do Grêmio, sua dispensa é obrigatória.

Ou Pezzolano cai, ou o Inter cai. Não adianta esperar mais um confronto. A direção vem cometendo o suicídio do clube. O presidente Alessandro Barcellos quer "reaglutinar" o quê? O medo da dispensa é covardia incompetente.

Pezzolano terminou humilhado pelo contestado Luís Castro. O que revela em qual patamar se encontra.

Pezzolano despejou R$ 9 milhões pelo ralo, a premiação para a semifinal da Copa do Brasil, num período de sérias dificuldades financeiras - e o Inter despejou pelo ralo quase o mesmo valor com o salário de Pezzolano em seus nove meses de inatividade.

Pezzolano já dançou mentalmente há tempo, e nos fez dançar o Danúbio Azul na Arena. Pezzolano estragou a marca de nunca termos sido desclassificados num mata-mata pelo maior rival.

Pezzolano levou duas vezes 3 gols do Grêmio. Pezzolano sacrificou o Gauchão. Pezzolano, quanto mais tempo arranja para treinar, mais desastroso é o seu resultado. Uma competição a menos não melhora em nada o entrosamento.

Pezzolano não desfruta de liderança moral. Ele sabota o plantel, e ainda usa a desculpa da sua limitação para permanecer no cargo.

Pezzolano chega ao absurdo de alegar que a tática que havia armado se desmanchou com o primeiro gol no Gre-Nal, sendo que ele sofreu um gol aos 14 e outro aos 22. Aos 25, não restava esperança.

Pezzolano não arrumou a defesa nem acertou o ataque.

Pezzolano justificou sua escalação para o clássico: "é burrice jogar com cinco atrás quando o rival tem três atacantes". E como foi com o Bahia?

Pezzolano não explica coisa com coisa, mais sonso do que cachorro em dia de mudança.

Pezzolano é um dos piores mandantes do campeonato. Pezzolano não ganha em casa no Brasileiro desde 16 de maio. Pezzolano é um dos piores visitantes do campeonato. Pezzolano não ganha fora de casa no Brasileiro desde 5 de abril.

Pezzolano conseguiu a proeza de jogar recuado no Beira-Rio contra o Grêmio, e com a posse de bola na Arena, numa inversão incompreensível. "Imposible creer en un entrenador que no gana."

Pezzolano possui um aproveitamento raquítico de 33,33% no Brasileiro. Não se diferencia de Ramírez e Medina. Chafurda abaixo de Ramón Díaz em desempenho.

Pezzolano ocupa a 18ª colocação com apenas 25 pontos somados em 25 rodadas. Seguindo com a média de um ponto por rodada, ele alcançará no máximo 38 pontos. Pezzolano é monótono no perde-empata. Jamais apresentou progresso.

Pezzolano cultiva a mania de relegar ao banco quem se destaca. Não existe titularidade ou esquema definido. Não existe reconhecimento dos méritos. Alan Patrick, Carbonero e Vitinho amargaram banco. Quem presta fica na reserva.

Pezzolano é perito em criar descontentamento, forçando seus atletas a atuarem deslocados de posição quando não se mostram seguros nem em suas posições de origem. É evidente o desespero do grupo. Sequer Bernabei sabe quem é.

Pezzolano pretende surpreender o adversário e surpreende o próprio time. Brinca de agente duplo. Pezzolano aceitou continuar sem goleiro e atacante.

Pezzolano não deu certo na Inglaterra (Watford), na Espanha (Real Valladolid) e no México (Pachuca), por que daria certo aqui? Pezzolano só se sagrou campeão da Série B. Talvez Barcellos esteja enxergando longe: já busca garantir o treinador para a segunda divisão.

Não me custa avisar. Depois será complicado voltar para a Série A: o regulamento da B passou por alterações, agora unicamente os dois primeiros sobem direto.

Isso que sou um torcedor otimista. 

CARPINEJAR

Devido processo legal não é amnésia

Existe um consolo perverso em semanas desgraçadas como esta: a biblioteca.

Nada do que o STF produziu nesta semana é novo. Está descrito e publicado, às vezes há séculos. A novidade é o Brasil transformando bibliografia em plantão de notícias.

Raymundo Faoro abre a fila. Em Os Donos do Poder, descreveu o estamento que se apossa do Estado e o administra como patrimônio próprio, sem deixar de se apresentar como serviço público. Faltava o capítulo do contrato de R$ 131 milhões entre um banco e o escritório da mulher de um ministro, alterado por um perfil com o nome dele.

Sérgio Buarque de Holanda desenhou o homem cordial, incapaz de operar a instituição sem convertê-la em intimidade. "Estou na torcida por vocês" e "já estou com saudade de você", atribuídos ao procurador-geral da República e chegando ao celular de um banqueiro prestes a ser preso, são o homem cordial com data e horário.

Edward Coke, em 1610, ajudou a consagrar a ideia de que ninguém deve ser juiz em causa própria. Quatrocentos e dezesseis anos depois, um procurador-geral citado num relatório pede a nulidade dele, e um ministro atingido pelo caso usa inquérito sob sua relatoria para investigar o colega que o investiga.

Kant escreveu que é injusta a ação cuja máxima não suporta ser tornada pública. Serve para uma semana de votos mapeados de antemão e print de bloco de notas em visualização única.

E. P. Thompson protege tudo isso da acusação de formalismo. Marxista, passou Senhores e Caçadores inteiro mostrando como a lei serviu aos poderosos, e terminou defendendo o império da lei como bem humano incondicional. Fica difícil chamar o devido processo de preciosismo.

Mas o devido processo legal não é amnésia.

O país inteiro já leu as mensagens e conheceu conversas que não deveriam interessar só aos autos. A lei existe para impedir condenações arbitrárias, não para obrigar a sociedade a fingir que não viu o que viu.

Ninguém está dispensado de prova, defesa e julgamento. Mas o sigilo judicial não dá a ninguém o direito de apagar da vida pública o que já é incontornável. É preciso abrir tudo o que puder ser aberto. Antes de decidir quem merece cadeia, o Brasil terá de decidir quem merece voto. E para isso o eleitor não precisa de tutela, precisa de luz.

Maquiavel estaria sentado, confortável, tomando notas. O placar contado antes de existir pedido e a mistura entre relação pessoal e poder institucional dariam uma nova edição comentada de O Príncipe.

Só que ele também escreveu, nos Discursos, que a república incapaz de conter seus poderosos não dura.

Nem o cínico deixa a semana sair ilesa. _

Esta coluna contém informação e opinião

Eugênio Esber

eugenioesber@novotexto.net

131 milhões nas ruas

O que hoje o jornal espanhol El País chama de "bomba atômica", referindo-se ao escândalo provocado no Brasil pelas ligações "entre um juiz e um banqueiro preso", está completando nove meses de gestação. Foi em dezembro de 2025 que o jornal O Globo publicou uma notícia-bomba sobre o contrato de R$ 129 milhões (na verdade, R$ 131 milhões) que o escritório jurídico da família do ministro Alexandre de Moraes, do STF, faturou para defender os interesses de Daniel Vorcaro, banqueiro que havia sido preso em novembro, quando se preparava para fugir do Brasil em seu jatinho particular. 

Desde então, Moraes não deu uma única entrevista nem fez pronunciamento público para desfazer a informação de que enriqueceu colocando sua toga de ministro da Suprema Corte a serviço do financista que aplicou o maior desfalque no sistema financeiro nacional e na poupança de uma multidão de brasileiros. O silêncio de Moraes é uma confissão de culpa.

Na noite desta quinta-feira, o ministro, que parece sem defesa para a suspeita de haver incorrido em crimes gravíssimos, como corrupção passiva e advocacia administrativa, perdeu miseravelmente o controle e, em fúria, partiu para uma retaliação pessoal. Incluiu um colega de Corte, o ministro André Mendonça, no famigerado Inquérito das Fake News (4781), aberto há mais de sete anos para investigar qualquer um sobre qualquer coisa - uma espécie de AI-5, mas ainda pior que o ato institucional da ditadura militar. 

O ódio de Moraes contra Mendonça, relator do processo relativo ao Banco Master no Supremo, é por ter sido exposto, em indícios colhidos pela polícia, como um magistrado que desonra o STF e a Justiça brasileira. 

Diálogos encontrados no telefone de Daniel Vorcaro indicam que ele contava com a assessoria de Moraes para ter acesso a informações sigilosas sobre diligências contra si e seu Master no Banco Central, na Polícia Federal, no Ministério Público e até no Judiciário. E o pior dos mundos: Vorcaro pediu orientação sobre quando deveria se mandar - sim, fugir - do Brasil. Isso tem nome. É obstrução da Justiça.

Para um juiz, é fim de carreira. Até meu amigo Alter, radical da moderação, diz que é caso de cadeia. Mas o presidente do STF, o gaúcho Edson Fachin, demora-se em honrar as calças e levar de imediato, ao plenário, o pedido de investigação contra Moraes. E a ministra Cármen Lúcia, tão pudica nas afetações verbais, apressou-se a levar, segundo a imprensa, solidariedade a Moraes,

Pode um país sério aceitar esta pouca-vergonha? A pergunta é para mim, é para você. Segunda-feira, dia 7 de setembro, gostaria de ver, nas ruas, pelo menos 131 milhões de brasileiros dispostos a ecoar um novo grito pela independência do Brasil. 

OPINIÃO ZH 

05 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Crise sem precedentes expõe as entranhas do STF

No fundo do poço em que está o Supremo Tribunal Federal, existia um alçapão, revelado agora na crise que expôs as entranhas de uma Corte movida a interesses e vaidades. Não são todos, é preciso frisar, mas a guerra entre Alexandre de Moraes e André Mendonça acaba atraindo tanta atenção que os outros submergem como se fossem espectadores na arena em que se digladiam os briguentos.

A reação do ministro Alexandre de Moraes à divulgação de suas relações promíscuas com Daniel Vorcaro foi partir para o ataque a Mendonça, acusando-o de atropelar os ritos previstos na Constituição Federal.

O presidente do Supremo, Edson Fachin, deu cinco dias úteis para os briguentos se explicarem. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal são parte do problema e terão de participar da solução.

Não há até agora equivalência entre os delitos de Moraes e de Mendonça, mas tudo tem de ser investigado. Ninguém está acima da lei. O silêncio barulhento de Moraes soa como confissão de que suas conversas com Vorcaro e o contrato de R$ 130 milhões da esposa, Viviane Barci de Moraes, não têm explicação republicana.

Do alto de sua condição de decano, o ministro Gilmar Mendes propôs a saída de agentes da Polícia Federal dos gabinetes de ministros. Moraes e Mendonça têm os seus, e isso desagrada a direção da PF, porque mina a própria instituição.

A perda de credibilidade das instituições cria o cenário ideal para os oportunistas, ainda mais quando se está a um mês da eleição que vai definir dois terços do Senado, o presidente da República, 27 governadores, 513 deputados federais e os deputados estaduais e distritais de todo o país. _

INSS anuncia redução nas filas

Depois de anos de reclamações de segurados pela demora no atendimento, o INSS anuncia que atingiu a meta de reduzir as filas em todo o Brasil, tanto para as aposentadorias quanto para as perícias médicas. No Rio Grande do Sul, de acordo com os números divulgados na sexta-feira, a redução foi de 56%. Traduzindo o percentual em números, a pilha diminuiu de 140.413 processos em janeiro deste ano para 60.459 em agosto.

O tempo médio de decisão para os segurados é de 23 dias, número inferior ao do Brasil, que está em 34 dias. O tempo de espera por uma perícia médica, que era de 28 dias em agosto de 2023, caiu para 15 dias em agosto deste ano. É importante registrar que esses números são referentes à média. _

Juliana Brizola leva campanha para a região central do Estado

Depois de uma semana focada na Região Metropolitana, com agendas na Capital, na Expointer e em Eldorado do Sul, a candidata ao governo do RS pelo PDT, Juliana Brizola, encerrou o período com um roteiro pela região central do Estado.

Juliana passou a sexta-feira em Santa Maria, onde gravou materiais de campanha, acompanhada de Paulo Pimenta, santa-mariense que concorre ao Senado pelo PT. Depois de rápida passagem por São Martinho da Serra, onde visitou uma propriedade rural, caminhou pela Praça Saldanha Marinho até o Calçadão de Santa Maria, onde manteve contato com comerciantes e moradores.

A agenda terminou em ato do presidente estadual do PT, Valdeci Oliveira, que tenta vaga na Câmara dos Deputados.

Neste sábado, Juliana passa por Venâncio Aires e retorna a Porto Alegre no domingo. _

Divisão do fundo eleitoral do PP mostra repasses desiguais no RS

A falta de clareza sobre os critérios adotados para a distribuição do fundo eleitoral entre os 29 candidatos a deputado estadual do Progressistas no Rio Grande do Sul tem causado frustração e revolta entre postulantes do partido. Cerca de R$ 10,5 milhões foram distribuídos entre os concorrentes, com repasses que variam entre R$ 60 mil e R$ 1,2 milhão.

Entre os atuais deputados, ficou definido que todos receberiam R$ 400 mil para disputar a reeleição. Entretanto, Guilherme Pasin aparece no topo da lista, com R$ 1,2 milhão, seguido por Joel Wilhelm, contemplado com R$ 920 mil. Rodrigo Lorenzoni e Gaúcho da Geral, ambos concorrendo pela primeira vez pelo PP, têm mais de R$ 600 mil à disposição. Marcus Vinícius, que disputa o segundo mandato, e Adolfo Brito, que tenta chegar ao nono mandato consecutivo, ganharam cerca de R$ 450 mil cada um.

Chamam atenção ainda os repasses feitos a Nicole Webber Covatti e Sandro Franciscatto, o Sandro do Covatti - esposa e tio de Covatti Filho, presidente estadual do partido. Ambos receberam R$ 400 mil, mais do que a metade da nominata, que obteve repasses entre R$ 60 mil e R$ 300 mil.

À coluna, Covattinho explicou que os candidatos a federal informaram à direção nacional com quais postulantes a estadual fariam dobradinha e quanto destinariam da sua parte para a campanha conjunta. _

POLÍTICA E PODER

05 de Setembro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

rodrigo.lopes@zerohora.com.br

Inovação, ciência e tecnologia: os planos de governo para o RS

Há consenso entre os principais candidatos ao governo do Estado sobre um ativo importante do Rio Grande do Sul: universidades de excelência, instituições de pesquisa e um ecossistema de inovação consolidado, formado por parques tecnológicos, incubadoras, startups e empresas.

O desafio é transformar esse potencial em desenvolvimento. Ainda existe um descompasso entre o conhecimento produzido nos campi e sua aplicação no setor produtivo e na gestão pública.

Nos programas de governo dos postulantes ao Piratini, essa preocupação aparece de diferentes maneiras, mas com um ponto de convergência: a necessidade de aproximar universidades, centros de pesquisa e tecnologia, empresas e poder público, criando condições para que conhecimento e inovação se traduzam em novos produtos, negócios, investimentos e soluções para o Estado.

A coluna analisou os programas de governo e reúne, a seguir, as principais propostas dos quatro candidatos, em ordem alfabética, de partidos com representação no Congresso Nacional. _

Fortalecer ecossistema de inovação por meio de Coredes, universidades e setor produtivo.

Apoiar municípios na criação de legislações.

Criar Comitê de Assessoria em Projetos Estratégicos do Estado (Cape) para fortalecer a cooperação entre governo e educação superior.

Ampliar apoio a startups, incentivando proteção intelectual, transferência de tecnologia e acesso a financiamento.

Regulamentar e operacionalizar o Sandbox Regulatório no Estado.

Internacionalizar o ecossistema de inovação, fortalecendo o RS como destino de investimentos. Ampliar parcerias e potencializar eventos, como o South Summit Brazil.

Consolidar a Política Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação 2025-2030.

Preservar financiamento da pesquisa.

Fortalecer a Fapergs e direcionar o fomento à pesquisa e à inovação para áreas de desenvolvimento, aproximando universidades, centros de pesquisa, empresas e setor produtivo.

Fortalecer projetos cooperativos, núcleos de inovação tecnológica, provas de conceito, propriedade intelectual e licenciamento.

Aperfeiçoar o Inova RS e apoiar parques, incubadoras e ambientes regionais.

Instituir sandboxes e fluxos experimentais apenas nas áreas de competência estadual.

Ampliar a integração entre universidades, centros de pesquisa, empresas e poder público.

Apoiar startups e empresas inovadoras e promover a "soberania digital" da administração.

Assegurar recursos da Fapergs. Apoiar startups e govtechs.

Expandir ambientes comunitários de inovação e inclusão digital nas periferias.

Fomentar pesquisas e soluções em inteligência artificial em áreas como saúde, clima, agricultura e gestão pública.

Fortalecer soberania e infraestrutura tecnológica, expandindo a Infovia Gaúcha, e estimular a implantação de data centers sustentáveis, abastecidos por energia renovável.

Fortalecer o Conselho Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Financiar pesquisa orientada a desafios climáticos, saúde, agro e indústria.

Apoiar parques, incubadoras e ambientes de inovação no Interior.

Criar programa de transferência tecnológica para pequenas empresas.

Estimular capital semente, venture capital e fundos de coinvestimento.

Conectar universidades, empresas e governos em redes temáticas. Medir patentes, contratos, startups, produtividade e empregos gerados.

Sistema antigranizo

O governo do Estado lançou, durante a Expointer, o edital de chamamento para apoio à manutenção e operação de sistemas antigranizo, iniciativa que envolve 18 municípios da Serra e dos Campos de Cima da Serra. A proposta prevê a instalação de cerca de 130 unidades de proteção distribuídas entre os municípios. A estrutura será voltada à redução de danos causados pelo granizo em áreas agrícolas, especialmente em regiões com forte produção de uva e outras culturas. _

Os cem mais da saúde

Vários executivos gaúchos ou de entidades com forte ligações com o RS foram reconhecidos entre as cem personalidades mais influentes da saúde, em 2026. O prêmio é realizado desde 2013 pelo Grupo Mídia, por meio do Ecossistema Healthcare. Entre os premiados está Mohamed Parrini, CEO do Hospital Moinhos de Vento (categoria Qualidade e Segurança); Franco Pallamolla, presidente da Lifemed (Empresário); Pedro Tedesco Silber, diretor-presidente da Construtora Tedesco (Espaço, Operações & Facilities); Evandro Luis Moraes, diretor-geral do Hospital São Lucas da PUCRS (Qualidade e Segurança); Hilton Mancio, CEO do Tacchini Saúde (Qualidade e Segurança); e Pedro Westphalen, deputado federal (Representatividade). O prêmio foi entregue em São Paulo. _

Gramado no top 10

A Decolar registrou crescimento de 20% nas buscas por viagens para este feriado de 7 de Setembro na comparação com 2025. Gramado, na Serra, aparece em 10º lugar. Veja os principais destinos:

Rio de Janeiro

São Paulo

Maceió

Foz do Iguaçu

Salvador

Recife

Fortaleza

Natal

Porto Seguro

Gramado

Tensão geopolítica

Em uma amostra do aumento da tensão geopolítica no Ártico, a Noruega reteve o navio russo Professor Molchanov no arquipélago de Svalbard, a pedido da estatal ucraniana Naftogaz, que busca cobrar mais de US$ 4 bilhões por expropriação de ativos da Crimeia. A embarcação de pesquisa, com cientistas russos a bordo, ficou impedida de deixar o porto de Barentsburg, na ilha de Spitsbergen. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia convocou a embaixadora norueguesa em Moscou, Heidi Olufsen, para apresentar um protesto e classificou o gesto como "ato de pirataria".

INFORME ESPECIAL

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

31 DE AGOSTO DE 2026
EM NOVA PETRÓPOLIS

EM NOVA PETRÓPOLIS

Rebeca e Anna se conheceram na adolescência, em Belém (PA), e transformaram a paixão pelos livros em projeto na Serra. A iniciativa reúne cenários inspirados em magia e romance. Além de local para ir comprar um livro, a ideia é ser um ponto de encontro para os leitores

A mais de 3 mil quilômetros do local onde se tornaram amigas há cerca de 16 anos, as duas se reencontraram na Serra como se as histórias tivessem sido escritas justamente para esse destino. Anna Júlia, natural do Rio de Janeiro, morava no estado fluminense e veio a Gramado passar a lua de mel em 2020. Na viagem, passou por Nova Petrópolis e, num ato definido como "loucura", comprou uma casa e se mudou com o esposo, Luiz Guilherme Prado. Rebeca morava em Antônio Prado com o marido, que passou em uma prova de residência médica em Nova Petrópolis.

No reencontro das amigas, mesmo estando há anos sem contato pessoalmente, os livros foram assunto. E a ideia de tornar o sonho de adolescentes em realidade ganhou força. Assim, nasceu o projeto da Livraria Romântica, em maio de 2026. O estabelecimento abriu as portas em julho e já tem conquistado o público leitor nas redes sociais pelos ambientes temáticos.

A livraria encanta pela riqueza de detalhes, todos pensados por fãs de livros para fãs de livros. São dois ambientes temáticos: o da fantasia e o de romance. As escolhas dos temas são, justamente, em função do gosto das donas.

- A gente sempre brincava que nós duas somos leitoras, mas parece que a gente nunca leu a mesma coisa. E isso é perfeito, porque tem coisas que eu nunca leria se não fosse a Rebeca para me indicar. Até para os clientes, porque, às vezes, chega uma pessoa que gosta mais de fantasia, e a Rebeca vai lá, ou então romance de época, aí é com a Anna Júlia - explica Anna.

Imersão no universo fantástico

A imersão se estende ao teto do ambiente. Forrado com um material que simula nuvens, a iluminação obedece ao comando de voz e da varinha mágica. Para acender, é preciso apontar a varinha e dizer o nome do feitiço Lumos. Para desligar a luz, o comando é Nox.

- Essa ideia veio dos nossos corações de leitoras. A gente queria que as pessoas se sentissem dentro de um livro. Temos easter eggs (mensagem secreta escondida de propósito) como os livros voando, a Nimbus 2000, o teto de velas... - conta Rebeca.

Logo ao lado, no ambiente dedicado ao romance, os tons de rosa tomam conta, com detalhes como uma mesa de chá, com bule e pãezinhos decorativos. Para instigar a nostalgia, há o setor dos romances de banca, livros curtos de capa mole e baixo custo, vendidos em bancas de jornal e famosos no Brasil nos anos 1960.

- A gente quer que a pessoa se sinta acolhida, num ambiente lúdico. Que chegasse aqui e ficasse com aquela sensação de quentinho no coração, de sentir que está na regência (universo onde se passa a história de Bridgerton), ou dentro de um livro da Jane Austen - orgulha-se Rebeca.

Além da ludicidade, a proposta das sócias é tornar o ambiente um local de acolhimento para a comunidade leitora. Conforme as sócias, é comum que mulheres adultas sejam julgadas pelos tipos de livros que leem, como histórias de fantasia.

- A gente quer propor um espaço que seja bem acolhedor e seguro. A gente quer que a pessoa seja uma adolescente de novo e se sinta respeitada - afirma Anna.

Cenário bucólico

- A gente mora aqui há seis anos e pensava "Nova Petrópolis é uma cidade tão linda, tão histórica", mas acaba sendo uma cidade de passagem, porque as pessoas querem ir só pra Gramado. Então, ver a evolução da livraria e as pessoas parando, todo mundo ganha, né? - observa Anna.

Mas para quem vai em busca de livros, os que mais têm saído são as edições de colecionador de sagas como O Senhor dos Anéis, Harry Potter e As Crônicas de Nárnia. Esse último universo, inclusive, é que vai ser tema de um novo espaço que está sendo montado na sala ao lado.

- Achávamos que os livros mais baratos sairiam mais. O que realmente mais sai são as edições de luxo. A gente percebe que a pessoa vem aqui e é como se ela quisesse viver uma experiência completa. Vim num lugar lúdico, então eu vou levar algo de recordação - explica Rebeca. _

Como chegar

A Livraria Romântica fica no centro de Nova Petrópolis, no Parque Aldeia do Imigrante. Para ter acesso ao espaço, é necessário comprar ingressos (R$ 38) - moradores de Nova Petrópolis não pagam ingresso.

Endereço: Avenida 15 de Novembro, 1.966 - Centro, Nova Petrópolis

Horário: de quarta-feira a domingo, das 10h às 17h

GABRIELA ALVES

31 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

Compra Assistida, controle necessário

Uma reportagem publicada em GZH sob o selo do Grupo de Investigação (GDI) da RBS revela preocupantes suspeitas de irregularidades envolvendo a aquisição de imóveis para quem foi afetado pela enchente em Porto Alegre por meio do programa Compra Assistida. A apuração dos jornalistas Humberto Trezzi e Guilherme Milman descobriu que pairam desconfianças sobre um em cada 14 beneficiários do projeto destinado a garantir um novo teto a quem foi atingido pela intempérie.

Embora os 308 contratos com indícios de ilegalidade representem uma fatia minoritária em comparação aos 4,4 mil favorecidos, conforme indica a matéria veiculada na quarta-feira em GZH e na edição de Zero Hora do fim de semana, sinalizam a urgência de reforços nos mecanismos de controle de diferentes esferas de governo e a necessidade de melhorar o desenho e a integração das políticas públicas diante de futuras catástrofes.

Criado pelo governo federal em junho de 2024, na esteira do pior desastre climático do Estado, o programa prevê o repasse de imóveis avaliados em até R$ 200 mil. Pode ser beneficiado quem se enquadra nas faixas 1 ou 2 do Minha Casa Minha Vida (com renda de até R$ 4,7 mil mensais), teve a residência danificada pela cheia e mora em área de risco. Em contrapartida, os contemplados têm de deixar o antigo endereço e não podem vender ou alugar a nova casa.

Há evidências de que parte dos atendidos não seguiu alguma dessas normas, seja por falsear o cadastro ou usufruir de maneira imprópria do bem comprado com dinheiro público. Vale ressaltar que, em situações emergenciais, é fundamental que os governos atuem de forma ágil para amenizar o sofrimento da população. Essa presteza não pode ser confundida com o afrouxamento da fiscalização. O pior cenário é quando o atendimento aos necessitados é feito de forma morosa e, ainda assim, suscetível aos espertalhões que veem no infortúnio coletivo uma brecha para a conquista de vantagens individuais indevidas.

A prefeitura da Capital argumenta que a Caixa Econômica Federal demorou meses para liberar a lista de endereços de quem adquiriu imóvel por meio do programa. Ou seja, o município sabia quem havia sido contemplado, mas desconhecia o local escolhido para residir. Conforme a reportagem, isso dificultou o trabalho de verificar se as pessoas estavam de fato morando no imóvel destinado a elas ou haviam cedido, alugado ou vendido a residência.

Diante dessa situação, é crucial que os órgãos públicos sigam fiscalizando a execução do projeto, que os casos suspeitos sejam devidamente apurados - e os eventuais responsáveis, punidos - e, acima de tudo, que o episódio sirva de lição para o aprimoramento da aplicação de políticas sociais de moradia. Uma vez que os fenômenos climáticos severos tendem a ser cada vez mais frequentes, será preciso contar com projetos de realocação populacional céleres e confiáveis. A melhor forma de prevenir o mau uso de recursos públicos é integrar órgãos e níveis de governo e aprimorar o cruzamento de informações antes mesmo da concessão do benefício. 

31 de Agosto de 2026
CAMPO E LAVOURA - Carolina Pastl

A oportunidade para a safra de inverno

A transição energética ganha espaço entre os debates do terceiro dia da 49ª Expointer, hoje, no parque Assis Brasil, em Esteio, com iniciativas que aproximam o agronegócio (mais especificamente, a produção de inverno) do mercado de biocombustíveis. Enquanto o setor da canola vai discutir o uso do grão como matéria-prima para a produção de energia, a Be8 vai apresentar o seu investimento em Passo Fundo, superior a R$ 1,5 bilhão, para a produção etanol de cereais e demais produtos a partir do trigo.

No caso da canola, a discussão, que ganhou força durante o 4º Rally da Canola, em diferentes regiões do RS e do Paraná na última semana, será assunto do primeiro Campo em Debate da Casa RBS na feira, a partir das 10h, com mediação de Gisele Loeblein. A ideia será debater caminhos para a expansão da área cultivada, que já cresce, e mercados futuros.

Neste ano, a canola ocupa de 395 mil hectares no RS, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola). Mas um levantamento da Rede Técnica de Cooperativas (RTC), da CCGL, estima que o potencial é de que se possa chegar a 1,4 milhão de hectares. Atualmente, conforme a Abrascanola, o mercado de alimentos absorve o equivalente a 100 mil hectares de canola. Parte da produção restante pode ser destinada à fabricação de biocombustíveis ou à exportação.

A ideia, no caso da Be8, será fomentar o cultivo do trigo no Estado. A possibilidade de ampliar esses dois mercados, vale lembrar, também tem a ver com calendário agrícola do RS. Dos cerca de 9 milhões de hectares ocupados por culturas de verão, como a soja, menos de 2 milhões são utilizados no inverno, segundo a Abrascanola, com culturas como trigo e canola. _

Vitrine da carne

A carne de cordeiro ainda carrega uma fama que o setor considera coisa do passado: a de ter cheiro e sabor fortes. Para ajudar a mudar essa percepção, a proteína é uma das que está exposta na Vitrine da Carne Gaúcha até sábado, no parque Assis Brasil, em Esteio, durante a 49ª Expointer.

A apresentação, acompanhada por 40 pessoas, foi conduzida pelo chef Bruno Ivanoff em parceria com a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), Farsul, Celebra Gourmet e Escola de Gastronomia do Senac. _

Quando o campo encontra o mar

- Chegou o momento de surfar na onda (do brangus e da pecuária). Os próximos anos serão de mar bom. Não baixem a régua.

A frase do produtor, leiloeiro e surfista Pedro Bastos deu o tom de uma conversa diferente na 49ª Expointer. Ontem, durante o Dia do Brangus, pecuária e surfe dividiram o mesmo palco para discutir o futuro da carne e da própria raça, que tem, nesta edição, o maior número entre os bovinos de argola. O painel "Pecuária, carne e o Brangus na visão de agro-surfistas", promovido pela Associação Brasileira de Brangus, reuniu Eduardo Linhares da Silva, Ignácio Tellechea, Ignácio Weiller, Pedro Bastos e Rafael Linhares da Silva, com mediação de Roberto Grecellé, executivo-chefe da entidade.

Para Bastos, o produtor brasileiro deve aproveitar o momento:

- Os EUA estão com o menor rebanho da história, e a China retirou a cota. 

120 anos de angus no Brasil

Assim como a devon, a raça angus, originária da Escócia, completou 120 anos de história no Brasil. Foi em 1906, em Bagé, na Campanha, onde chegou ao país o primeiro touro angus de que se tem registro, Menelik, trazido do Uruguai pelo criador Leonardo Collares Sobrinho. De lá para cá, a raça ajudou a transformar a pecuária de corte brasileira e se tornou sinônimo de carne de qualidade. Na Expointer, uma homenagem marcou a data: a inauguração de uma placa comemorativa na casa da Associação Brasileira de Angus. _

O gaúcho Patric Luderitz foi eleito vice-presidente da Confederação Brasileira de Apicultura (CBA). Ele está como presidente em exercício da Federação Apícola e de Meliponicultura do Rio Grande do Sul (Fargs).

CAMPO E LAVOURA

31 de Agosto de 2026
INFORME ESPECIAL

Rafael Valim

Advogado brasileiro que integra a equipe de defesa da ex-presidente

"No caso Cristina, houve uma campanha difamatória"

A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner contratou o brasileiro Rafael Valim para a sua equipe de advogados. Ele vai liderar a defesa em cortes internacionais. Cristina foi condenada no "Caso Vialidad".

Como você passou a integrar a equipe de defesa da ex-presidente Cristina Kirchner?

O núcleo próximo da Cristina me procurou e eu quis examinar o caso. Eu tinha, obviamente, uma impressão do que era, mas não conhecia tecnicamente. Fiquei convencido de que era uma causa boa a ser defendida.

A ONU pode alterar a decisão da Justiça argentina?

Essa é a grande incompreensão, não só na Argentina, mas como foi no Brasil na época do caso Lula. A primeira coisa que as pessoas estão questionando é que levar à ONU é uma ingerência no Poder Judiciário da Argentina. Agora, como que temos de entender isso? O sistema internacional de proteção dos Direitos Humanos integra as ordens internas por deliberação dos próprios Estados nacionais. 

No caso da Argentina, como resultado do processo de redemocratização, houve uma abertura muito grande do sistema constitucional aos Direitos Humanos. E esses tratados na Argentina têm status constitucional. A constituição estabelece que o pacto internacional de direitos civis e políticos e o protocolo facultativo são o que permite o acesso dos cidadãos à ONU. É o próprio sistema constitucional argentino que habilita esse questionamento, caso se configurem violações às garantias fundamentais.

Você trabalha a tese de lawfare. O que é isso?

É uma junção da palavra "law", direito, e "warfare", que é guerra. E essa é a concepção do Direito ser instrumentalizado como uma arma para destruir inimigos. Como sabemos, o Direito nasce na ideia de ser um instrumento de pacificação social. E ele pode ser desvirtuado para ser usado como uma arma de destruição. Eu digo que no lawfare é uma guerra muito mais perversa, porque ela é camuflada. Eu conceituo como o uso estratégico do Direito para fins de deslegitimar o inimigo.

Quais exemplos podemos citar de casos de lawfare?

Talvez um exemplo de (sala de) aula foi o caso Lula. Porque nós temos três dimensões na teoria: da geografia, do armamento e das externalidades. Da geografia é a escolha do órgão aplicador do Direito. Eu falo disso há alguns anos, que o Sergio Moro era um juiz incompetente. Depois tem o armamento, que é o uso, no caso aqui do lawfare, das normas e das leis que lhe são favoráveis. 

Ou, quando você não tem uma lei que é favorável, você cria estados de exceção, que foi também o que aconteceu no caso Lula. E depois nós temos as externalidades, que é o papel dos meios de comunicação, das redes sociais, para gerar e criar um ambiente de culpabilidade. Que torna mais fácil o ataque.

Quais pontos que vocês levarão à ONU para classificar o caso Cristina como lawfare?

Violação à imparcialidade. Nós demonstramos que não houve um tribunal independente que julgou Cristina. Houve manobras para escolher juízes. Houve violação à presunção de inocência. Como semelhança do caso Lula, no caso Cristina também houve uma maciça campanha difamatória e a criação de um ambiente de culpabilidade. Arguímos que de oito a 10 artigos do Pacto Internacional de Direitos Políticos foram violados. _

Colaborou Maria Clara Centeno

Maduro aparece em fotos na prisão

Os perfis de Nicolás Maduro no Telegram e no X publicaram fotos do ex-presidente da Venezuela na prisão. As imagens são datadas de 25 de junho.

"Envio estas fotos como um pequeno presente a todos os meus netos e netas, às crianças, e a toda a gente nobre que nos ama. Quero que saibam que estamos firmes", disse um trecho da mensagem divulgada. 

resiliência

A Granpal realizará, no dia 8, um seminário internacional para debater o crescimento econômico, governança metropolitana, atração de investimentos, competitividade, inovação e resiliência. O evento contará com a participação do Instituto Deltares, da Holanda, que realiza pesquisas sobre água, subsolo e infraestrutura.

INFORME ESPECIAL

sábado, 22 de agosto de 2026

22 de Agosto de 2026
CARPINEJAR

Anjos de asas cortadas

Foi só um tapa, e crianças aparecem espancadas. Foi só um empurrão, e crianças são arremessadas nas paredes e nos móveis. Foi só uma queda de uma brincadeira, e crianças entram em coma. 

O inferno deve estar vazio, porque as tragédias estão enchendo as nossas ruas. Em Porto Alegre, no domingo passado, presenciamos mais um episódio de inexplicável e sombrio assassinato na infância.

Samylle, de 4 anos, sob a tutela dos tios, apesar de a guarda judicial pertencer à mãe, não resistiu aos ferimentos advindos de um castigo. O responsável de 22 anos afirma que aplicou apenas palmadas em sua bunda, e numa única vez, porém Samylle morreu de politraumatismo.

A Justiça decretou a prisão preventiva do réu. A Polícia Civil trata o caso como homicídio doloso, por ele ter assumido o risco de causar a morte.

O casal de tios com o qual Samylle morou nos últimos meses, com o aval do Conselho Tutelar, buscou atendimento na UPA Bom Jesus porque a menina havia convulsionado, e alegou que os hematomas seriam decorrentes de um tombo numa recreação.

Não é correção, nunca será correção, mas brutalidade a um ser frágil. Não é que perdeu a medida, mas promoveu um ato de violência gratuita e insana. Não é que educava, mas intimidava. Não é que pretendia dar uma lição provisória, mas investia suas forças para calar uma inocência para sempre. Não é que pretendia que ela deixasse de fazer algo errado, mas que deixasse de viver e perturbar.

A boçalidade nunca tem freios. Nem a vulnerabilidade inibe o ataque. A raiva não pede licença nem motivos. Não era a criança que vinha precisando de limites, era o adulto que carecia de limites.

Novamente aquele que cuidava matou. Novamente o berço se tornou cemitério. Novamente ouvimos versões inverossímeis a partir dos depoimentos para as autoridades. A criação nas mãos erradas gera destruição.

A razão assassina, de acordo com testemunha, resumiu-se ao fato de a pequena ter feito necessidades na calça. É de se supor o quanto ela já vivia sob o jugo de ultimatos e pressão psicológica. Seu corpo se mostrava desregulado de tanto medo. Clamava por ajuda. Gritava por socorro.

Samylle não pôde se defender, não pôde dizer o que sofria, não pôde ser resgatada por um colo redentor.

Desejava ser amparada, traduzida, apoiada, orientada. Desejava que alguém preparasse as suas tranças, colocasse os enfeites coloridos nos seus cabelos, a incentivasse a rir, demonstrasse paciência para responder à sua curiosidade sobre o mundo. Embora tenha trocado de lar após denúncias que correm em sigilo, não encontrou o carinho de que precisava, e sim manchas roxas na cabeça, nas pernas e nas nádegas.

Como se sentiria protegida, migrando de casa em casa, de crise em crise, sem jamais encontrar uma rede realmente segura? Não vai passar. Dói monstruosamente, e não vai passar. Cortam-se as asas dos anjos. Não há escada para o céu. 

CARPINEJAR

22 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

Sinais de baixa renovação na Câmara

Na contramão da insatisfação da sociedade com o desempenho da Câmara dos Deputados, diferentes prognósticos, de instituições e cientistas políticos, elevam as apostas em um baixíssimo índice de renovação na Casa na eleição deste ano. É possível que os números conhecidos no próximo dia 4 de outubro mostrem a menor oxigenação desde a redemocratização do país. Por certo há parlamentares com bons serviços prestados que merecem a recondução, mas a chegada de novos rostos e ideias é saudável para qualidade da representação política. Diante do empoderamento do Congresso e dos altos volumes de recursos administrados pela cúpula dos partidos, fica difícil vislumbrar uma reversão significativa desse cenário.

Uma recente análise do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a partir do histórico das eleições anteriores e dos novos fatores que dão mais força aos candidatos em busca de reeleição, projeta que a renovação neste ano ficará entre 14% e 44%. Assim, teria grandes chances de acabar abaixo da menor taxa de eleição de novos deputados federais, de 43%, em 1988.

Vários aspectos sustentam as previsões de um inédito número de reeleições. Entre elas, o alto índice de recandidaturas. Dos 513 deputados em exercício, 438, ou 85,38% do total, vão tentar permanecer na Câmara. São oito a menos do que em 2022, mas isso porque 42 deputados - o dobro de quatro anos atrás - vão buscar colocação no Senado, que neste pleito terá dois terços das vagas em disputa. Apenas 14 deputados não vão se candidatar a nada.

Salta aos olhos a grande assimetria de condições de competitividade entre os deputados com mandato e novos postulantes à Câmara. Apenas em emendas individuais, cada membro da Casa teve este ano em média R$ 40 milhões para distribuir às suas bases, na busca de fidelizar eleitores e assegurar o apoio de prefeitos. Sem falar nas demais verbas que custeiam viagens, material, combustível e assessores.

As minirreformas eleitorais de 2015 e 2017 e o advento das federações, bem-vindos em muitos aspectos, também acabam contribuindo com essa tendência. As alterações legislativas tiveram o propósito de dificultar a criação de novas siglas e de estimular fusões, incorporações e associações, com o objetivo de diminuir a grande fragmentação partidária e, de certa forma, facilitar a governabilidade no contexto do presidencialismo de coalizão. Um dos principais mecanismos é a limitação do acesso ao dinheiro do fundo partidário, pelas cláusulas de desempenho. São regras que começaram a ser implementadas em 2018 e seguirão se tornando mais restritivas até 2030. Também foi reduzido o número de candidatos que cada legenda ou federação pode lançar.

O resultado é que, neste ano, a quantidade de postulantes à Câmara é de 7,6 mil, 28% abaixo dos 10,6 mil em 2022. A relação candidatos/vaga caiu de 21 para 15. Há menos gente na disputa e a preferência dos partidos passou a ser privilegiar ainda mais quem já detém o cargo, a partir da própria competitividade conferida pela atividade parlamentar. Diante do espírito de corpo reinante, trata-se de uma realidade que tende a ser mais difícil de ser modificada, continuando a dificultar uma saudável renovação na Câmara. São circunstâncias que reforçam a importância de o eleitor dar maior atenção à escolha do candidato ao cargo que merecerá seu voto daqui a seis semanas. 

22 de Agosto de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Datafolha mostra cenário estável na eleição

Como se houvesse uma camada de Teflon a proteger o presidente Lula (PT) e o candidato do PL, Flávio Bolsonaro (PL), nada se move para além da margem de erro no cenário eleitoral. A pesquisa do Datafolha, a primeira realizada após o início oficial da campanha, traz números idênticos ao levantamento anterior e aos de outros institutos. Na simulação de segundo turno entre os dois, Lula tem 47% das intenções de voto e Flávio, 43%. Em 24 de julho, Lula tinha 48% e Flávio, 43%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

No primeiro turno, Lula segue à frente, com 39%, seguido de Flávio, com 33%. Abaixo deles, Ronaldo Caiado (PSD) tem 5%, Renan Santos (Missão), 4%, Romeu Zema (Novo), 3%, Augusto Cury (Avante), 2%, Samara Martins (UP), 1%, Rui Costa Pimenta (PCO), 1%, Wilson Grassi (Democrata), 1% e Edmilson Costa (PCB), 1%. Clariana Barão (DC) e Hertz Dias (PSTU) não pontuaram. Branco, nulo ou nenhum somam 6% e indecisos, 4%. Em um segundo cenário, o Datafolha incluiu Pablo Marçal (PRTB), que está inelegível mas registrou a candidatura. O índice dele foi de 2%.

Flávio e Lula empatam na rejeição

Mais uma vez, registra-se empate técnico no quesito rejeição entre Lula e Flávio. Questionados pelo Datafolha sobre os candidatos em que não votariam de jeito nenhum, 46% responderam Flávio e 45%, Lula. Também ocorre empate técnico no segundo pelotão entre Zema (16%), Renan (14%) e Caiado (14%).

Três dados atestam que há margem para alteração do cenário com a propaganda de rádio e TV: 27% dos entrevistados disseram que ainda podem mudar seu voto, os indecisos, brancos e nulos somam 11% na estimulada. E na espontânea, indecisos, brancos e nulos chegam a 38%.

A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e está registrada no TSE com o número BR-04496/2026. O Datafolha ouviu 2.058 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 18 e 20 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. _

Pelas pesquisas do Datafolha divulgadas na sexta-feira, três candidatos estariam eleitos no primeiro turno: Tarcísio Freitas (Republicanos) em São Paulo, Eduardo Paes (PSD) no Rio, e Raquel Lyra (PSD) em Pernambuco.

Como será dividido o tempo na TV

No dia 28, terá início o horário eleitoral em rádio e televisão. A divisão do tempo e a ordem de aparições dos candidatos foram anunciadas nesta sexta-feira pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS).

Na estreia, Luciano Zucco (PL) será o primeiro a aparecer na propaganda eleitoral, e terá também o maior tempo: 4 minutos e 24 segundos. Juliana Brizola (PDT) virá na sequência, com 2 minutos e 21 segundos.

Marcelo Maranata (PSDB) é o terceiro, com 30 segundos. Gabriel Souza (MDB) fecha o bloco dos candidatos a governador, com 1 minuto e 44 segundos. Nos demais dias, a apresentação segue o sistema de rodízio. 

aliás

Os oito candidatos ao Senado terão de dividir sete minutos diários. Marcel van Hattem e Sanderson terão o maior tempo (3 minutos e 25 segundos para dividirem), seguidos de Manuela d?Ávila e Paulo Pimenta, com 1 minuto e 49 segundos. Germano Rigotto e Frederico Antunes terão 1 minuto e 20 segundos.

Candidato do PL faz incursão de três dias por nove cidades da Serra

Candidato a governador pelo PL, Luciano Zucco escolheu um terreno fértil para encerrar a primeira semana de campanha nas ruas. Nos últimos três dias, Zucco fez uma incursão por nove cidades da Serra.

Em 2022, a maior parte dos votos foi para os candidatos do PL: Onyx Lorenzoni, na disputa pelo Palácio Piratini, e Jair Bolsonaro, na corrida presidencial.

A agenda terminou na sexta-feira em Caxias do Sul, com caminhadas pelas ruas da região central e visitas a comitês de candidatos aliados.

Antes de Caxias, o candidato do PL passou por Vacaria, Lagoa Vermelha, Guaporé, Bento Gonçalves, Nova Prata e Veranópolis, Garibaldi e Farroupilha. _

Grendene doa R$ 2,5 milhões para campanha de Zucco

Menos de uma semana depois do início da campanha, apenas dois candidatos a governador apresentaram relatório parcial sobre recursos recebidos na campanha. O primeiro é Luciano Zucco (PL), que ganhou, de uma só vez, R$ 2,5 milhões do empresário Alexandre Grendene.

Pela legislação eleitoral, empresas não podem fazer contribuições para campanhas, mas seus donos podem doar como pessoas físicas.

A única outra campanha que registrou entrada de recursos é a de Rejane Oliveira (PSTU) - R$ 500 doados por Marcela Azevedo. _

Van Hattem no topo das doações

Entre os candidatos ao Senado, a maior entrada de recursos foi registrada por Marcel van Hattem (Novo). O deputado recebeu um total de R$ 651 mil nestes primeiros dias, sendo R$ 500 mil do diretório estadual do partido e o restante de doações de pessoas físicas: R$ 50 mil de Marcos Ribeiro Simon, R$ 30 mil de Valdomiro Remussi, R$ 20 mil de Antonio Augusto Bastos Filho e R$ 15 mil de Marina Helena Santos.

A assessoria de Marcel informa que esse dinheiro repassado pelo partido é de doações privadas e não do fundão eleitoral. A lista das pessoas que doaram para a sigla pode ser conferida no site DivulgaCand, do TSE.

Ainda sem incluir na campanha, Van Hattem também arrecadou mais de R$ 726 mil em vaquinha online. Em segundo lugar, vem Ubiratan Sanderson (PL), que recebeu R$ 100 mil do empresário Celso Rigo.

Paulo Pimenta declarou duas doações de pessoas físicas, no valor total de R$ 50 mil, sendo R$ 30 mil de recursos próprios e R$ 20 mil da esposa Cláudia Pereira Dutra.

Os demais não apresentaram relatório parcial de receita ou despesa. _

POLÍTICA E PODER

22 de Agosto de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Mudança na Lei Seca é vitória do bom senso

Quem dirige sob efeito do álcool põe outras pessoas em risco. Logo, é fundamental que a mão forte do Estado atue sobre quem assume a possibilidade de matar. Havia, no entanto, uma lacuna sobre outras drogas, que são tão graves quanto a cerveja, o vinho e os destilados ao serem combinadas com a direção. Drogas psicoativas, como o próprio nome diz, também modificam o comportamento.

Por isso, é muito positiva a mudança na chamada Lei Seca, que passa a exigir, nas abordagens, o uso de equipamentos que também detectem o consumo de outras drogas. Cabe, agora, aos Estados, fazer sua parte e comprar os aparelhos, que, por enquanto, ainda são limitados quanto ao índice de presença no sangue para o caso das substâncias psicotrópicas. Detectar presença é uma coisa, a quantidade, outra. Com álcool também se evoluiu assim.

Sobre a adoção de uma triagem e um segundo olhar sobre o fenômeno do álcool residual, há uma vitória do bom senso. Primeiro, porque o pré-teste não é punitivo. Tem foco na orientação. Segundo porque a realização de uma fase de seleção, antes do teste do etilômetro, pode acelerar o processo da blitz. Nem todo mundo faz "bafômetro", nome popular do equipamento, processo que, muitas vezes, é demorado.

Sobre o álcool residual, também vitória do bom senso: uma pessoa que come um bombom de liquor ou faz uso do enxaguante bucal não pode ser tratada da mesma forma de quem ingere álcool e assume a direção de um veículo. A oportunidade de fazer o segundo teste já é de praxe nas blitze, mas, agora, passa a ser regulamentada. _

Arroz de Canoas para a Colômbia

Um avião com 19 toneladas de arroz saiu de Canoas, na Região Metropolitana, para a Colômbia. A carga é uma resposta ao pedido de assistência formulado pelas autoridades colombianas após o terremoto que atingiu o país no último dia 10 de agosto.

As doações partiram na quinta-feira, com a estimativa de chegar a Pereira, uma das cidades mais afetadas, nesta sexta-feira.

A doação segue a bordo da aeronave cargueira KC-390, da Força Aérea Brasileira (FAB). O arroz é proveniente dos estoques públicos do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), administrados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência da República, a quantidade de material doado não compromete o abastecimento nacional.

O epicentro do terremoto que atingiu a Colômbia há cerca de dez dias foi em San José del Palmar. O episódio teve magnitude 7,4, deixando 319 mortos e 4,5 mil feridos. _

Parceria entre TJRS e Corte internacional

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) e a Corte Interamericana de Direitos Humanos assinaram um acordo de cooperação para fortalecer o diálogo entre o Judiciário gaúcho e o Sistema Interamericano de Direitos Humanos. Com a assinatura, o TJRS é o primeiro tribunal do Sul e o primeiro de grande porte no país a firmar essa parceria.

O acordo visa ao intercâmbio de experiências e boas práticas na proteção dos direitos humanos e à melhoria da prestação jurisdicional, além de ampliar a difusão da jurisprudência interamericana. Estão previstas pesquisas, eventos acadêmicos conjuntos e a oportunidade de estágios. _

Entrevista - Lilia Frankenthal
Advogada criminalista e presidente da Aviva18

"Posso ser sionista e ser contra a política do governo de Netanyahu"

Advogada criminalista e presidente da Aviva18, Lilia Frankenthal está lançando o livro O Antissionismo Impossível - História, Direito e Crime na Negação da Autodeterminação Judaica. Na obra, ela reúne história, direito penal e análise da linguagem, explorando significados e consequências da negação da existência do povo judeu.

Por que o antissionismo é impossível, como a senhora afirma no título do livro?

Sionismo é o direito ao judeu de ter a sua autodeterminação. Até 1948, o antissionismo podia existir. Porque o sionismo era a meta de um projeto: Israel. Depois que Israel foi reconhecido e existe, o antissionismo não é mais possível. Porque aquele projeto, que era uma teoria, foi concretizado. Ser contra assentamentos, políticas de governo, guerras, é crítica legítima. Só que não é sionismo. O sionismo já conseguiu o que queria. Então, como você vai ser antissionista? Não existe mais, não é mais uma ideologia, não é mais uma coisa acadêmica.

Ações antissionistas não são recentes. O livro lembra episódios que já mostravam esse teor antes da fundação de Israel.

Para entender o conceito preciso voltar lá atrás porque as pessoas costumam dizer: "Claro, vocês foram expulsos de não sei quantos países". Mas o antissemitismo começou lá atrás. A primeira manifestação foi quando queriam que os judeus se assimilassem e adorassem os deuses que na época existiam, e eles se recusaram. Ali, começou. Não tem nada a ver com política, com sionismo, não tem nada a ver, inclusive, com Israel. O antissemitismo é algo anterior. Como durante milênios isso foi sendo repetido de diferentes formas, a desumanização do povo judeu vem existindo e culminou na Shoah (Holocausto). E continua, porque a primeira coisa que você precisa para ser racista é desumanizar o outro. Como os judeus vêm sendo desumanizados há muito tempo se tornam um alvo fácil de narrativas. O antissemitismo vem mudando de roupa.

Como explicar às pessoas que é possível criticar o governo de Israel sem negar a existência do Estado de Israel ou mesmo o direito de um povo de existir?

Sabe quem mais critica o governo de Israel? Os israelenses. Politicamente falando. Eu, se formos sentar para fazer crítica legítima, eu também tenho mil. Claro que Israel está mais dentro do meu coração e tem mais a ver comigo. Mas a crítica legítima faz parte da democracia. "Não concordo com o que o governo está fazendo, condeno a guerra, os assentamentos". Tudo isso é crítica legítima. Agora, quando colocam todos os sionistas, judeus, em um grupo monolítico, você está desumanizando aqueles indivíduos. Quando você desumaniza, você adota com uma narrativa falsa, como "os sionistas são todos genocidas". Posso ser sionista e ser contra a guerra. Eu posso ser sionista e ser contra a política do governo de Netanyahu. E não há nenhum problema nisso. Há uma diferença muito grande em você fazer a crítica legítima e a crítica a um grupo. 

INFORME ESPECIAL

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05 de Setembro de 2026 CARPINEJAR Danúbio Azul Vivo incentivando a torcida como um louco. Mas tudo tem um teto, meu emocional está destruído...

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