sábado, 1 de agosto de 2026

01 de Agosto de 2026
DRAUZIO VARELLA - Médico, cientista e escritor

A síndrome do coração partido

Existente desde a Grécia Antiga, metáfora literária só encontrou em 1990 amparo na fisiologia humana

Conheci dona Cândida muitos anos atrás. Era a matriarca de uma família com oito filhos. O marido, coronel nordestino à moda antiga, acostumado a dar ordens ríspidas aos empregados da fazenda, ficava na miúda nas querelas com esposa.

A dedicação da mãe aos filhos era a razão de seu viver. Ai de quem os tratasse mal, chegou a ir às vias de fato com uma professora que ousou dar uma reguada na mão do mais velho. Quando todos cresceram, ela não ia para a cama nem deixava os empregados jantar enquanto o último não voltasse para casa.

Embora jurasse amar todos com a mesma intensidade, seu xodó por Francisquinho, um dos mais novos, era indisfarçável. Quando ele entrou na faculdade de Medicina, na capital, então, a dona Cândida não coube em si de tanto orgulho. Para provocá-la, uma das filhas dizia que se o irmão se afogasse no açude, a mãe gritaria: "Socorro! Meu filho que é quase médico está se afogando".

Quando o rapaz cursava o quarto ano, a mãe recebeu um telefonema, da faculdade. Em uma briga de trânsito, Francisquinho fora baleado.

O comércio da cidadezinha encerrou as portas para que todos acompanhassem o féretro. Eram tantas as flores que foi preciso uma caminhonete para acomodá-las.

Dona Cândida guardou luto em silêncio sepulcral, até a missa de sétimo dia. Sentada no banco em frente ao altar, queixou-se de tontura. Levada às pressas, faleceu no caminho do hospital. Na cidade, não houve quem não atribuísse o desfecho à perda do filho.

Histórias de alguém que caiu morto ao receber uma notícia terrível como essa povoam a literatura e o teatro desde os gregos.

O que talvez você não saiba é que somente em 1990 essa metáfora literária encontrou amparo na fisiologia humana. Aconteceu quando o médico japonês Hikaru Sato descreveu o quadro que ficaria conhecido como "síndrome do coração partido".

Trata-se de uma miocardiopatia induzida pelo estresse intenso, também chamada de síndrome de Takotsubo, nome dado pela semelhança entre o formato que o ventrículo esquerdo adquire na sístole, e um takotsubo, armadilha que os pescadores japoneses usam para capturar polvos.

Mais frequente em mulheres

A síndrome do coração partido costuma ocorrer em pessoas que, sem evidência de obstrução coronariana, quadro infeccioso ou outra agressão cardiológica que a justifique, sofrem uma perda seguida de descontrole, desespero e colapso emocional. Ela mostra que emoções intensas disparam uma cascata de mediadores que podem afetar o funcionamento do coração, a ponto de levá-lo à parada. Em oposição à morte súbita dos dramas teatrais, no entanto, o óbito ocorre dias ou semanas depois do acontecimento que o desencadeou.

Está longe de ser a condição benigna e transitória que se imaginava no passado. Ocorre com maior frequência em mulheres mais velhas que apresentam comorbidades, enlutadas pelo desaparecimento de um ente querido. O quadro evolui com insuficiência cardíaca e redução da contratilidade do ápice do ventrículo esquerdo que, muitas vezes, simula infarto do miocárdio.

Um estudo dinamarquês publicado na revista Frontiers, em 2025, avaliou 1,7 mil pessoas que viveram situações de luto. Sintomas intensos por meses persistiram em 6% delas; a demanda por visitas aos serviços de saúde cresceu; o uso de antidepressivos e de sedativos foi 5,6 vezes superior ao daqueles com sintomas leves; e o de ansiolíticos, 2,6 vezes maior. O risco de morte aumentou 88%, especialmente nas primeiras fases do luto, época em que a carga de estresse costuma ser mais elevada.

O papel do cérebro

A mortalidade a médio e longo prazo é semelhante à dos infartos do miocárdio.

A descrição da síndrome deu origem a diversos estudos sobre os mecanismos envolvidos nas conexões entre circuitos cerebrais e o funcionamento cardíaco: o eixo cérebro-coração.

Estresses emocionais intensos são capazes de ativar circuitos de neurônios envolvidos na regulação da resposta às emoções e no funcionamento do sistema nervoso simpático, com liberação de catecolaminas, entre as quais a adrenalina. Como consequência, a frequência cardíaca e a pressão arterial aumentam, acompanhadas de alterações dos marcadores inflamatórios em circulação e da resposta imunológica.

Exames de neuroimagem revelam desarranjo funcional na conectividade dos circuitos autonômicos/emocionais. A origem da síndrome não está no coração, mas no cérebro. _

DRAUZIO VARELLA

J.J. Camargo é cirurgião torácico, diretor do Centro de Transplantes da Santa Casa de Porto Alegre e membro titular da Academia Nacional de Medicina

Existe alguém do lado de lá

Ao formular certa pergunta, o médico não está apenas interrogando o paciente: está auditando a própria consciência

"Quando o outro sofre, a última coisa de que ele precisa é uma explicação teórica para a sua dor. Ele precisa de uma presença que suporte o mistério do seu sofrimento."

(Viktor Frankl)

No consultório ou no hospital, sob o brilho frio do monitor e a exatidão dos exames, priorizamos com todo o rigor a técnica, porque disso dependerá o controle daquela doença que nos trouxe o paciente em busca de uma solução. Tudo o que for tecnicamente insuficiente implicará em perda para quem apostou na nossa competência. Ali, com toda precisão medimos a função pulmonar, reconstruímos imagens em 3D, calculamos volumes e nos socorremos da ajuda da tecnologia que nossos antecessores não dispuseram.

Talvez por isso tendemos a acreditar que somos os protagonistas absolutos daquele enredo. Uma pena que precisamos demorar um tempo para entender que há um outro lado, atento e angustiado, que será exposto com uma pergunta simples que desestabiliza essa pompa: "O que, dessa experiência sofrida, o senhor considerará inesquecível?".

Ao formulá-la, o médico não está apenas interrogando o paciente; está, no fundo, promovendo uma auditoria na própria consciência. E o choque que se segue, a descoberta de que o inesquecível para quem sofre habita uma sombra que a clínica não enxergou, é a prova cabal de que a medicina acontece em dois planos paralelos.

Para quem opera, o "inesquecível" é o sucesso da manobra ousada, o milagre da fisiologia restabelecida, a complexidade vencida na solidão do bloco cirúrgico. Para o paciente, o inesquecível é quase sempre algo ínfimo, invisível ao olhar puramente técnico: a mão que hesitou antes de tocar o ombro, aquela travada antes de responder uma pergunta, o tom com que uma notícia foi dada ou, dolorosamente, como ela foi omitida.

O paciente não habita o mesmo mapa que nós. Enquanto mapeamos a patologia, ele mapeia o medo, o desespero, a ameaça da morte tornada real. A autovigilância do cuidado médico é a expressão mais alta da Medicina da Pessoa: o reconhecimento de que, embora a técnica trate a doença, é a humanidade - essa coisa fugidia que só floresce no detalhe - que acolhe o espírito. O uso dessa estratégia manterá o médico alerta. Mas mesmo assim muitas vezes ele se surpreenderá ao descobrir que nem tinha percebido o que o paciente valorizou tanto a ponto de considerar inesquecível.

Impossível esquecer a lição de um paciente que, ao receber alta depois de um transplante fantástico que tinha sido contraindicado por alto risco, em outro centro, respondeu que inesquecível tinha sido o carinho da menina da portaria que, no meio da madrugada, foi capaz de perceber o seu medo e a sua solidão e que, depois de ajudá-lo com o carrinho do oxigênio até o elevador, lhe deu um beijo e prometeu rezar por ele.

Paradoxalmente, esse choque de percepção é a melhor notícia que um médico pode receber. Significa que ele não se tornou um autômato. Significa que, entre a tomografia e o bisturi, entre o protocolo e o transplante, existe um homem que entende que a competência técnica é apenas o palco; a peça real, aquela que ficará gravada na memória de quem sofre, é o encontro.

Se um dia formos esquecidos por tudo o que curamos, por todas as mortes que evitamos, seremos lembrados por aquilo que, sem notar, oferecemos sem medir: o olhar que viu, além do pulmão, a biografia de quem respira. Validar essa vivência é a maior lição de Medicina Narrativa que se pode dar a um médico jovem. É dizer ao paciente, sem palavras, que a dor dele tem o mesmo peso que a nossa ciência. 

J.J. CAMARGO 

01 de Agosto de 2026
MARTHA MEDEIROS

Caos calmo

Quando li o título Caos Calmo destacado na capa, logo entendi que não era apenas o nome de mais um livro brilhante de Sandro Veronesi, e sim a definição de uma era.

Até uma matéria de jornal sobre a final da Copa ganhou a manchete "Caos x Calma". Pegou. Reflexo do jogo que estamos todos jogando, desde a primeira hora da manhã até a noite, inclusive dormindo. A paz do sono tenta neutralizar a bagunça da mente, mas pergunte aos insones quem está vencendo.

Viramos administradores do caos. Tentamos não entrar em desespero diante do evidente descontrole climático, que tem potencial para nos enlouquecer. Morrer de causa natural, agora, significa morrer de ventania, de alagamento. Além disso, governos continuam a confirmar seu poder através de guerras. Afetam a economia mundial e desconsideram a perda de vidas humanas, o que influencia nossas perspectivas.

As pessoas estão escolhendo sexo em cardápios virtuais, encontros rápidos para alívio da tensão. Quase ninguém quer investir tempo na construção de uma relação. Os desejos mudaram: em vez de amor e felicidade para sempre, dinheiro para gastar hoje ainda. O futuro já não entusiasma. Das coisas mais tristes que li outro dia: depois da eficiente campanha antitabagista, jovens estão voltando a fumar. E o motivo dói na alma: a longevidade começa a deixar de ser atrativa. Olha a profundidade disso.

Se tudo será destruído - cidades, amores, sonhos, florestas - o quanto importa viver?

O próprio luto perdeu significado. Difícil honrar um sofrimento pessoal em um mundo onde a dor passou a ser uma banalidade. Nosso cotidiano está tão embrutecido e trepidante que, curiosamente, o lugar onde menos encontramos turbulência é dentro de aviões.

Seria importante conversarmos sobre essas questões durante o jantar, não estivéssemos com os olhos e ouvidos ocupados com nossos celulares. A tecnologia raptou a humanidade. Viramos dependentes do que desconhecidos ostentam, vendem e ensinam em tutoriais e podcasts. Todos têm algo definitivo a dizer, uma dica imperdível de filme, livro, padaria. Todos sabem tudo: psicanalistas, escritores, cozinheiros, deputados. Tagarelas sortidos. Lá estou eu, lá está você, nós e nossas boas intenções, dentro do mesmo caldeirão de opiniões, imagens falsas, violências verbais, tentando manter a cabeça fora d´água com medicamento, meditação ou optando por uma saída mais radical: se mudar para o mato, fugir dessa loucura para manter nossa autenticidade, nosso "eu" original. Mas está sabendo, né? Ser quem você é se tornou obsoleto.

Costumo ser mais calma do que caótica, você me conhece. Mas não sei o que me deu. Precisando viajar. De avião. Algumas horas sem turbulência, paquerando o céu. _

MARTHA MEDEIROS

01 de Agosto de 2026
SARA BODOWSKI

Costa Doce - Uma história de sabores em Pelotas

O Bistrô Pelotense já é tradicional em Pelotas: são 27 anos de história e sabores na Costa Doce gaúcha. O ambiente te acolhe já na chegada, com muita arte e objetos que criam uma identidade visual única. E a cozinha do chef Márcio Ávila parte da tradição gaúcha para renovar a gastronomia local, usando quase todos os insumos da região.

Se você for no almoço, se prepare para um buffet incrível. À noite, um à la carte delicioso te espera. E dois pratos, pelo menos, me conquistaram: o filé alto e o mil-folhas de matambre - que são camadas de matambre assadas de forma lenta, com carne da região. E a dica: os vinhos são todos rótulos gaúchos, escolhidos direto na estante do restaurante. Dá até pra comprar e levar pra casa. São todos de ótima qualidade.

O Bistrô Pelotense fica na Rua Rafael Pinto Bandeira, 2.120, e funciona de segunda a sábado, das 11h30min às 14h e das 19h às 23h. Contato pelo (53) 3229-2029 e no Instagram @BistroPelotense. No @RoteirodaSara tem um vídeo da minha visita há duas semanas! _

Familiar - Café rural em Estância Velha

A Sabores do Rancho é uma daquelas agroindústrias familiares que são exemplos da rica produção gaúcha de laticínios. Já visitei a propriedade, que fica em Estância Velha, e gostei muito dos queijos, dos iogurtes e dos sorvetes. Tudo é feito de forma artesanal, com o leite das vacas Jersey criadas ali mesmo. O trabalho da família já rendeu prêmios, como o bronze no Concurso de Queijos e Doces de Leite Artesanais do RS, e é presença garantida há anos na Expointer. Eles inclusive estão no vídeo fixado no meu Instagram @SaraBodowsky, onde estão três queijarias gaúchas para conhecer.

E, agora, vem a novidade: a partir do dia 8, um café rural passa a ser servido todos os sábados, das 15h às 18h. A mesa é farta, com pães, cucas, bolos, tortas, pastéis, pão de queijo, linguiça fervida, tábua de frios, além dos queijos, iogurtes e sorvetes da casa, acompanhados de café, leite, chá e suco natural. Tudo por R$ 60 por pessoa, sempre com reserva pelo WhatsApp (51) 99696-1066.

A Sabores do Rancho fica no Rincão da Saudade, em Estância Velha. Mais informações no Instagram @saboresdorancho_laticinio. _

Gastronomia - Jantar harmonizado no Catherine

O Catherine é, sem dúvida, um dos meus restaurantes preferidos em Gramado. A começar pelo fondue, um dos atrativos tradicionais da região, que é diferente, fora da curva. O à la carte é ótimo e o ambiente acolhe como uma tradicional casa de família - que era o prédio, originalmente.

E no dia 6 de agosto o restaurante recebe a Zanotto Vinhos e Espumantes, marca do Grupo Vinícola Campestre, com vinhos muito interessantes produzidos nos Campos de Cima da Serra, para uma noite especial de gastronomia e vinhos.

A partir das 18h, o chef residente Nícolas Heckel apresenta um menu harmonizado em cinco etapas (R$ 400 por pessoa), criado para valorizar ingredientes regionais. A viagem começa com um amuse bouche acompanhado de Brut Branco e passa por pratos como a polenta taragna com queijo serrano e tutano, harmonizada com Sauvignon Blanc, e a carne de sol com arroz cateto e pinhões, combinada com Malbec. Para encerrar, tartelette de pequenos frutos com Brut Rosé Champenoise. Quem preferir, também pode pedir o cardápio regular da casa na mesma noite.

O Catherine fica na Rua Emílio Sorgetz, 200, no Centro de Gramado, em frente à Praça das Rosas. Reservas pelo (54) 2136-5252 e mais informações no Instagram @catherinegramado. _

SARA BODOWSKI

01 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

A eleição e o nosso jornalismo

A cobertura de eleições é um dos momentos mais desafiadores e nobres do jornalismo. Os princípios fundadores do ofício estão a cada instante colocados à prova. Como esse período está prestes a começar de forma mais intensa, o Grupo RBS reafirma ao público os compromissos do nosso jornalismo, voltado a oferecer a melhor e mais transparente informação possível aos gaúchos.

O aspecto desafiador da cobertura se deve aos cuidados redobrados dos profissionais. Os nervos estão à flor da pele e os pilares da atividade, como a imparcialidade e o equilíbrio, são ainda mais necessários e objeto de atenção do público, das candidaturas e da Justiça Eleitoral. Mas é dever da imprensa informar os acontecimentos e, não raro, os fatos desagradam um ou outro lado. Exercer o jornalismo em dias de ânimos tão exacerbados exige firmeza e reflexão constante para cumprir a missão de relatar com objetividade e independência.

O caráter nobre da cobertura passa pela relevância da decisão a ser tomada pelos eleitores. Está em jogo o destino do Estado e do país. Trata-se de uma escolha que precisa ser consciente e livre. O jornalismo presta um serviço essencial à sociedade e à democracia, por oferecer o insumo basilar para que cada leitor, ouvinte e telespectador possa decidir o voto a partir de informações apuradas e checadas com rigor. Isso inclui dedicação para desmentir inverdades e distorções com potencial de prejudicar o juízo dos eleitores. A disseminação de ferramentas de inteligência artificial (IA) realça a importância dessa tarefa.

Ciente das suas responsabilidades com os gaúchos, o Grupo RBS dá publicidade às diretrizes para a cobertura das eleições gerais de 2026. São orientações que guiam o trabalho de repórteres, editores e comunicadores, e situam o público e os atores políticos sobre o que esperar da conduta ética de profissionais e veículos. O nosso jornalismo terá como eixo contribuir para um voto lúcido, embasado em informações publicadas de maneira criteriosa.

A prioridade é abrir espaços para a apresentação e a discussão de planos de governo, propostas legislativas e o confronto de ideias. O Estado e o país têm uma série de problemas a enfrentar, das finanças públicas à educação, e o que a população espera é saber como essas questões podem ser solucionadas, de forma factível. A eleição para o Congresso exigirá ainda mais atenção do eleitor neste ano. A percepção da sociedade é a de que deputados e senadores se dedicam mais a temas de interesse próprio do que do país.

Os postulantes ao Piratini terão na quinta-feira, no debate promovido pela Rádio Gaúcha, a primeira grande oportunidade de expor seus planos de governo. Uma plateia formada por ouvintes e representantes de entidades relevantes para o Estado ajudará a sabatinar os candidatos.

A transparência é outro alicerce da nossa cobertura eleitoral. Isso inclui demonstrar como se dão os processos de apuração e de checagem de uma informação. Um exemplo é o projeto da RBS TV de levar telespectadores para acompanhar os bastidores da produção e da veiculação de notícias pela emissora, da reunião de pauta à exibição das reportagens. Rádio Gaúcha e GZH também terão iniciativas para o público conhecer a rotina dos profissionais. Mostrar como se faz reforça a confiança e a credibilidade do compromisso do nosso jornalismo de prestar um serviço de interesse público que, neste momento, tem o propósito de colaborar para o aprimoramento da democracia. _

As diretrizes que norteiam a cobertura eleitoral do Grupo RBS

1 | A cobertura do Grupo RBS prioriza propostas de governo, comparação de biografias e prestação de serviços, com foco no eleitor.

2 | A RBS tem compromisso com o combate à desinformação e acompanha de perto o uso da inteligência artificial na disseminação de notícias falsas.

3 | O Grupo RBS estimula a transparência ao explicar critérios editoriais durante a cobertura para que o público conheça ainda mais os processos do jornalismo profissional.

4 | Os veículos da RBS tratam partidos e candidatos de maneira equilibrada e independente.

5 | O espaço dedicado a cada candidato na cobertura segue critérios claros e objetivos, que consideram a representação parlamentar e o desempenho nas pesquisas eleitorais.

6 | Durante o período eleitoral, os veículos da RBS se abstêm de publicar artigos, de candidatos ou de terceiros, que possam afetar o equilíbrio entre as candidaturas.

7 | As pesquisas eleitorais são tratadas como complemento da cobertura, não como assunto principal.

8 | O Grupo RBS não realiza pesquisas eleitorais. Contrata e divulga apenas pesquisas de institutos reconhecidos.

9 | Os veículos da RBS não divulgam resultados de pesquisas contratadas por partidos, candidatos ou governos.

10 | Durante o período eleitoral, a RBS não divulga publicidade com resultados de pesquisas de intenção de voto.

11 | A RBS não cede ou comercializa material de arquivo para campanhas eleitorais e desautoriza que material produzido e divulgado por seus veículos seja usado na propaganda eleitoral.

12 | As despesas da cobertura eleitoral são pagas exclusivamente pelo Grupo RBS. Profissionais da empresa não podem aceitar cortesias de candidatos, partidos, coligações ou federações.

13 | É vedada a distribuição de propaganda política e a exposição ou o uso de material eleitoral nas dependências do Grupo RBS.

14 | Colaboradores da RBS que decidirem concorrer a cargos eletivos ou participar de propaganda eleitoral precisam se afastar de suas funções durante o período previsto.

15 | Comunicadores e jornalistas do Grupo RBS devem considerar aplicativos de mensagens e redes sociais como comunicação pública, na qual prevalece o regramento ético esperado na sua atuação profissional.

OPINIÃO RBS

01 de Agosto de 2026
POLÍTICA E PODER

PP impõe derrota a Flávio e escancara incoerência

O PP já tinha avisado Flávio Bolsonaro que ficaria neutro na eleição presidencial quando a senadora Tereza Cristina voltou atrás na sua decisão inicial de não ser candidata, foi ao encontro de Flávio e saiu dizendo que toparia o desafio. Passou a ideia de que tinha combinado com o presidente do seu partido, Ciro Nogueira. Mas não. Depois de Tereza confirmar que recebera o convite de Flávio e que estava disposta a aceitar, o PP divulgou nota oficial reafirmando a dita neutralidade.

Em se tratando de centrão, neutralidade pode ser interpretada como "acender uma vela para cada santo" e, depois, negociar com o eleito a participação no governo, oferecendo como ativo o número de representantes no Congresso. E como o presidente Lula está à frente nas pesquisas, PP e União Brasil não querem queimar cartuchos.

O que Ciro fez foi jogar Flávio aos leões e, ao mesmo tempo, tirar a escada de candidatos do PP vinculados ao bolsonarismo. Outra hipótese para explicar o afastamento de Flávio é o fato de Ciro ser um sujeito que sabe demais e ter sido definido por Vorcaro como "um amigo que a vida me deu". Desconfia-se que Ciro pode saber de fatos que comprometem Flávio e não quer ser visto como parceiro se alguma nova bomba estourar. 

PP impõe derrota a Flávio e escancara incoerência

O PP já tinha avisado Flávio Bolsonaro que ficaria neutro na eleição presidencial quando a senadora Tereza Cristina voltou atrás na sua decisão inicial de não ser candidata, foi ao encontro de Flávio e saiu dizendo que toparia o desafio. Passou a ideia de que tinha combinado com o presidente do seu partido, Ciro Nogueira. Mas não. Depois de Tereza confirmar que recebera o convite de Flávio e que estava disposta a aceitar, o PP divulgou nota oficial reafirmando a dita neutralidade.

Em se tratando de centrão, neutralidade pode ser interpretada como "acender uma vela para cada santo" e, depois, negociar com o eleito a participação no governo, oferecendo como ativo o número de representantes no Congresso. E como o presidente Lula está à frente nas pesquisas, PP e União Brasil não querem queimar cartuchos.

O que Ciro fez foi jogar Flávio aos leões e, ao mesmo tempo, tirar a escada de candidatos do PP vinculados ao bolsonarismo. Outra hipótese para explicar o afastamento de Flávio é o fato de Ciro ser um sujeito que sabe demais e ter sido definido por Vorcaro como "um amigo que a vida me deu". Desconfia-se que Ciro pode saber de fatos que comprometem Flávio e não quer ser visto como parceiro se alguma nova bomba estourar. 

Rosane de Oliveira

01 de Agosto de 2026
EM FOCO

EM FOCO

No primeiro semestre de 2026, RS teve 734 ocorrências com morte, uma redução de 2,5% em relação ao mesmo período de 2025. As três principais rodovias federais do Estado, BR-116, BR-386 e BR-290, lideram os registros

Número de acidentes de trânsito fatais registra queda

O trânsito do Rio Grande do Sul teve 734 acidentes fatais no primeiro semestre de 2026, que resultaram em 819 mortes, conforme dados do Detran- RS. O número de ocorrências caiu 2,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando ocorreram 753 acidentes. Para o professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e doutor em Mobilidade Carlos José Antônio Kümmel Félix, a redução é positiva, mas ainda insuficiente para indicar uma mudança consistente no cenário da segurança viária no Estado.

Considerando os primeiros semestres dos últimos cinco anos, 2024 segue como o período com maior número de acidentes fatais nas rodovias gaúchas (759). Apesar da queda em 2026, o total ainda supera o de 2023 (730). As três principais rodovias federais do Rio Grande do Sul que lideram o ranking de acidentes fatais no primeiro semestre de 2026 são a BR-116, a BR-386 e a BR-290.

Segundo a professora de Mobilidade e Infraestrutura da Unisinos Danielle de Souza Clerman, o intenso fluxo de veículos de diferentes perfis torna essas rodovias mais complexas e exige soluções integradas para aumentar a segurança.

- São rodovias que têm um tráfego muito misto, com transporte pesado de cargas muito relevante, mas também de veículos de passeio, de pessoas que moram em uma cidade e trabalham em outra. Isso reforça a necessidade de ainda mais atenção, fiscalização e projetos de engenharia conectados entre si - explica.

Atenção

A especialista observa ainda que tanto a BR-116 quanto a BR-386 passam por obras de duplicação e melhorias. Para ela, a necessidade de reduzir a velocidade e redobrar a atenção nos trechos em intervenção pode ter contribuído para estabilidade ou leve redução dos índices.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) também atribui o elevado número de ocorrências às características dessas rodovias. Segundo a corporação, a BR-116, que liga Vacaria a Pelotas, concentra intenso fluxo e ainda possui poucos trechos duplicados. Já a BR-386 passa por obras, e a manutenção dos índices é considerada positiva diante das intervenções.

No caso da BR-290, que liga Uruguaiana ao Litoral, a PRF destaca que a rodovia reúne trechos de pista simples e partes em obras de duplicação. Além disso, as longas retas podem contribuir para excesso de velocidade e ultrapassagens indevidas. _

Perigos que exigem atenção

Principais fatores de risco

Excesso de velocidade

Uso de celular ao volante

Consumo de álcool

Falta do cinto de segurança

Cansaço

Fonte: Detran

Rodovias federais do RS que lideram ranking de acidentes fatais*

BR-116 - 30 ocorrências no primeiro semestre de 2026; 35 no mesmo período de 2025

BR-386 - 24 em 2026; 25 em 2025

BR-290 - 24 em 2026; 21 em 2025

* Primeiro semestre de 2026

Condições do tempo podem explicar pico de acidentes em maio

Na comparação mensal, maio foi o mês com o maior número de acidentes fatais no trânsito do RS em 2026. Foram 155 ocorrências, alta de 22% em relação ao mesmo mês de 2025. O tempo chuvoso pode ter contribuído para esse cenário, segundo a PRF.

- O que nos preocupa é que esses acidentes são quase sempre ao amanhecer ou anoitecer. Observamos que a pessoa está cansada e ainda enfrenta uma luminosidade desfavorável, seja pelo sol nos olhos ou pela neblina - acrescenta o chefe da Comunicação Social da PRF no Rio Grande do Sul, Alessandro Castro.

Além do clima, características de alguns trechos podem explicar o aumento das ocorrências. A BR-285 passou de 16 para 26 acidentes com morte no primeiro semestre deste ano. No trecho entre Muitos Capões e Saldanha Marinho, no norte do Estado, a combinação de baixa visibilidade e desatenção dos motoristas preocupa a polícia.

Como a iluminação pública nas rodovias está concentrada, em geral, apenas nos trechos urbanos, a recomendação é evitar viagens sob chuva intensa ou neblina e interromper o deslocamento em um local seguro sempre que as condições forem desfavoráveis. _

As rodovias estaduais que registram mais acidentes fatais

Entre as rodovias estaduais, a RS-324 e a RS-239 registraram o maior número de acidentes com morte no primeiro semestre, com 20 ocorrências cada. A primeira cruza as regiões Norte e Serra, enquanto a segunda liga o Vale do Sinos ao Litoral Norte. Na comparação com 2025, a RS-287 teve alta de 10 para 18 acidentes fatais, e a RS-453 passou de 12 para 16. Já a RS-122, que liga a Região Metropolitana e o Vale do Caí à Serra Gaúcha, apresentou uma das maiores reduções, de 23 para 13 casos.

Segundo o Comando Rodoviário da Brigada Militar, excesso de velocidade, desatenção e ultrapassagens em locais proibidos estão entre as principais causas dos acidentes.

A corporação afirma que reforça a fiscalização em trechos com aumento de acidentes, especialmente nos horários de maior ocorrência, entre 7h e 8h e entre 17h e 19h. Alguns locais também passarão a ser monitorados com drones. _

Soluções

passam por infraestrutura, fiscalização e comportamento

A forma como as rodovias são projetadas, sinalizadas e fiscalizadas é tão importante para a segurança quanto o comportamento de quem está ao volante, avaliam especialistas.

- Mais do que analisar estatísticas, precisamos compreender que a segurança viária resulta da interação entre quatro componentes fundamentais: a infraestrutura, o veículo, o comportamento humano e a gestão pública. Quando um desses elementos falha, aumenta significativamente a probabilidade de acidentes - explica o professor Carlos Félix.

Essa visão está alinhada ao conceito de Sistema Seguro (Safe System), que considera que erros humanos são inevitáveis e que o sistema deve ser preparado para reduzir suas consequências. Na prática, isso significa investir em dispositivos de segurança e soluções de engenharia que tornem as vias mais seguras. 

Erechim dá exemplo sobre resposta a desastres

Enchentes, deslizamentos de terras, estiagem, granizo, tornados... O Rio Grande do Sul, nas palavras do coronel Luciano Boeira, coordenador Estadual da Defesa Civil, gabarita a lista da Cobrade, a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres, que organiza os eventos em grupos como geológicos, hidrológicos e meteorológicos.

Grosso modo, é como o CID dos médicos, o sistema de códigos criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para padronizar o diagnóstico de doenças, sintomas e problemas de saúde no mundo todo. No caso dos desastres, é como se o RS tivesse, potencialmente, riscos para todas as "doenças" possíveis.

Uma conjugação de fatores geográficos e meteorológicos, unido à ocupação humana e aos efeitos das mudanças climáticas, transformam o nosso Estado em laboratório vivo das transformações ambientais e testam nossa capacidade de adaptação. Você pode olhar para esse diagnóstico e ficar preocupado, pessimista ou até apavorado.

A outra opção é agir. Um grupo de voluntários, especialistas, pesquisadores e gestores públicos da região do Alto Uruguai escolheu a segunda opção. Entre quinta-feira e domingo, Erechim está realizando o 1º Clima Summit - Treinamento de Resposta a Desastres e Encontro de Voluntários, voltado à capacitação de gestores públicos, equipes de Defesa Civil, profissionais da área de emergência e voluntários.

Tive a honra de mediar o primeiro painel, intitulado El Niño - Ações de Prevenção e Resposta, que reuniu, além do coronel Boeira, o coronel Maurício Ferro Corrêa, comandante do 2º Comando Regional do Corpo de Bombeiros Militar, Ronaldo Manica, presidente da Força Voluntária Alto Uruguai e um dos organizadores do evento, e o meteorologista Rafael Santana.

Principais assuntos

Às vésperas de um El Niño vitaminado, conversamos sobre temas que precisam estar na boca e na mente dos gaúchos: Boeira, por exemplo, alertou que é muito baixo o número de pessoas cadastradas para receber os alertas por SMS da Defesa Civil em caso de ameaças; o coronel Maurício falou sobre a necessidade de articulação entre os diferentes atores, na hora do desastre, para que não se "bata cabeça" em meio ao caos; Manica comentou sobre a necessidade de uma mudança de cultura por parte da população, que precisa começar a compreender a necessidade de atender alertas da Defesa Civil em casos de evacuação preventiva, e Rafael salientou a importância de dados científicos confiáveis para uma previsão do tempo precisa e os riscos de erros em sensores, como denunciou a coluna na semana passada sobre os erros nas estações do Inmet. Até domingo, outros temas serão debatidos.

O principal ponto é que não se cria um ambiente de trocas como esse do nada.

Saí do encontro, na quinta-feira, satisfeito com o que vi e ouvi: primeiro, pelo espírito de comunidade que, no trabalho dos voluntários, alimenta uma sensação de maior segurança em caso de risco de tragédias, segundo, porque, em um país que se preocupa pouco com segurança e previsibilidade, os voluntários de Erechim estão dando exemplo de que é possível uma cultura de prevenção e treinamento. E terceiro por perceber que é possível sairmos melhores a partir de nossas tragédias. Não é possível mudar a realidade da emergência climática. Mas é possível mudar como reagimos a ela. _

Cães abandonados na Vila Dique

As casas do trecho 1 da Vila Dique, o mais próximo da Freeway, serão demolidas a partir de segunda-feira. A ação é uma medida da prefeitura, que retirou as 70 famílias da região que foi fortemente alagada durante a enchente de 2024. A maioria dessas pessoas foi deslocada para outras regiões ou localidades próximas, por meio de compra assistida e outros mecanismos.

Contudo, ao realizar uma vistoria nesta sexta-feira no local, o secretário de Habitação e Regularização Fundiária de Porto Alegre, André Machado, deparou com uma cena que chamou sua atenção: aproximadamente 40 cães abandonados, alguns até presos em coleiras e em postes, ou trancados em cercados.

- Eu realmente espero que os donos vão até lá buscar os animais, pois é uma imagem chocante ver aqueles bichinhos abandonados. Uns até amarrados. Eu não vi, mas conversei com moradores ali da localidade que falaram que há cavalos soltos também na região - conta Machado.

Preocupado com a situação, o secretário procurou o Gabinete da Causa Animal da prefeitura, que o informou que os animais, após a enchente, foram microchipados - ou seja, é possível identificar até mesmo os seus donos.

Questionado, o Gabinete da Causa Animal explicou que realizou uma ação no local nos últimos dias. Informou ter feito vacinação e microchipagem nos animais. A coluna perguntou sobre o que será feito com esses animais que estão na área neste momento. Segundo a pasta, não foi recebida solicitação formal sobre os cães em questão, mas lembrou que, caso tenham microchip, os tutores deverão ser identificados. _

Uma faca de dois gumes para Netanyahu

Há muito ceticismo ainda em torno do anúncio do Hamas de que irá depor as armas. Estamos falando de um grupo terrorista que cometeu o maior atentado da história de Israel, em 7 de outubro de 2023, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, em uma ditadura que torna refém a própria população, e que rejeita a ideia da existência de Israel por princípio, desde a sua criação nos anos 1980.

O que temos até o fechamento desta edição é a informação, por parte de porta-vozes do Hamas à AFP, de que o grupo estaria disposto a entregar as armas a um comitê tecnocrata. Se, de fato, o acordo vingar e o Hamas entregar as armas a um comitê técnico, que é formado por palestinos, é preciso saber se o grupo conta com força suficiente para se impor sobre à organização extremista.

Ponto de atenção: o Hamas condiciona o desarmamento a Israel se retirar do território de Gaza. Ou seja, assim como fez ao anunciar a disposição em deixar o poder, o grupo joga a responsabilidade para o governo de Benjamin Netanyahu.

Israel realiza eleições em 27 de outubro, dois dias depois do segundo turno no Brasil. Netanyahu é candidato na renovação da Knesset, o parlamento. Mas é um premier que se alimenta da guerra.

Minha opinião: o anúncio do Hamas é como uma faca de dois gumes para Netanyahu. Por um lado, ele pode se vangloriar de que colocou fim ao grupo terrorista. Por outro, há muita gente que pode ver a saída de Gaza como uma derrota, como uma capitulação israelense, especialmente sua base mais conservadora, que desejaria inclusive a anexação total do território de Gaza.

Ao entregar as armas, o Hamas pode estar tentando negociar no futuro algum tipo de participação política. Acho difícil de ocorrer porque estamos falando de fundamentalismo islâmico. Não é separatismo, não é resistência. O Hamas prega a dissolução de Israel. Mas aguardemos. _

Apoiadores da causa animal se reúnem no sábado, no Parque Moinhos de Vento, em Porto Alegre. O evento "Vakinha Pet" terá uma ampla programação, que inclui a lojinha da ONG Salva Latas e brechó solidário. Toda a arrecadação obtida com as atrações será destinada à organização.

INFORME ESPECIAL 

sexta-feira, 31 de julho de 2026

31 de Julho de 2026
CARPINEJAR

Cabeça de porongo

Existe uma expressão muito nossa: "me virei o mate!". É o equivalente ervateiro ao "me caiu os butiás do bolso". Trata-se de raiva, mortificação e espanto.

Não há quem não tenha exclamado a frase diante de uma trapalhada generalizada com a bebida típica. Você está chimarreando na maior tranquilidade e, de repente, tropica na cuia cheia, perturbando o seu momento de paz.

Pode se queimar. Pode emporcalhar seriamente o ambiente.

Quem nunca fez lambança? Quem nunca se desequilibrou? Maculou o sofá, que assumiu uma coloração vintage esverdeada? Entupiu o teclado, espalhou os grãos pelo estofado do carro, sujou o uniforme no meio do serviço sem a possibilidade de trocá-lo imediatamente, transformou cachorros e gatos em miniaturas do Incrível Hulk?

Derrubar um chimarrão é um pequeno luto. Perde-se o rumo da conversa, do trabalho, das ideias. É como interromper um devaneio ou um raciocínio que jamais será recuperado. Nem tanto pelo desperdício do material, ou do tempo de preparo, mas por ferir o orgulho. Você se irrita consigo mesmo, xinga a sua patetice, porque sempre acontece em câmera lenta, parecendo que teria como evitar o acidente. Você termina nocauteando a sua serenidade. É uma apneia que antecede o ronco final.

Difícil explicar o constrangimento para os que não são daqui. Atinge a nossa condição de gaúcho, o nosso sentimento perfeccionista com os rituais.

É mais ofensivo ao nosso espírito do que espatifar um prato de comida recém-servido no chão, do que derramar a xícara de café em cima de documentos, do que quebrar um copo, do que ver o sorvete despencar do cone na primeira lambida, do que fechar a aba de um texto longo sem salvá-lo.

Enquanto a térmica é silenciosa, segura e discreta, o porongo, que depende de um suporte para se firmar na mesa, costuma ser bagunceiro e anárquico. Uma página nas redes sociais, @matesderrubados, administrada por um casal da região metropolitana de Porto Alegre, aproveitou o nosso peculiar pânico e vem obtendo acolhida calorosa com as videocassetadas de seus seguidores.

Os criadores, que preferem manter o anonimato, contam que a iniciativa surgiu com um objetivo simples: rir dos tradicionais desastres domésticos. Inclusive, os vizinhos argentinos e uruguaios se sentiram entusiasmados em participar da gincana.

Eu coleciono livros manchados de erva. Receberam um banho da minha afoiteza.

Além do histórico de vexames na cama, estragos no tapete persa da mãe e no computador, minha grande façanha foi no Grêmio Náutico União. Inventei de dar uns goles no chimarrão na borda da piscina, jurando que era um drinque, mas ele escorregou de minhas mãos absolutamente molhadas, interditando o lugar e acabando com a calmaria etérea dos banhistas. Observou-se uma cena cinematográfica: o mate boiando, aprendendo a nadar.

Talvez seja por isso que ninguém goste de lavar a cuia, retirar o montinho antes de empedrar, cavoucar o recipiente com extrema atenção. Bate o medo de errar a pontaria do lixo e conspurcar a cozinha. Pior não é morrer com a cuia na mão, mas deixar a cuia morta para algum familiar limpar. É o cúmulo do descaramento e do egoísmo. 

CARPINEJAR

31 de Julho de 2026
MARCO MATOS

Não é normal

Numa única semana: tornado, enchentes em vários rios, temporais com granizo. Tudo isso ainda no começo de um El Niño que, segundo as projeções, poderá estar entre os mais intensos já registrados.

Depois de uma sequência de dias assim, o que esperar? E nem estou falando do "futuro", de algo distante, reservado para as próximas gerações. As mudanças climáticas deixaram de ser um alerta para se tornar uma realidade que já provoca transformações profundas e impactos cada vez mais graves no planeta. A questão agora não é mais discutir se elas existem. A questão é como vamos nos adaptar a elas e a essa nova configuração do clima, mais instável, mais imprevisível e mais propensa a eventos extremos.

Logo após a enchente de 2024, um termo muito usado no período pós-pandemia voltou a circular com força: o novo normal. A expressão passou a ser repetida quase como um sinônimo de resignação, como uma forma de dizer que, daqui para a frente, as coisas serão assim mesmo.

Mas é preciso separar algumas coisas.

As mudanças no clima são reais. Seus efeitos já estão entre nós e dificilmente poderão ser revertidos completamente. Também é possível que os próximos meses tragam novos episódios de chuva intensa, vendavais e inundações. Ignorar essa realidade seria um erro.

Outra coisa, porém, é a sensação de insegurança, de despreparo, de desamparo e de impotência que muitos gaúchos ainda carregam desde a tragédia do ano passado. Isso não pode ser tratado como parte inevitável do novo cenário climático. Isso não pode ser o novo normal.

Há alguns dias estive em um colégio do bairro Sarandi, na Zona Norte de Porto Alegre, participando de um painel sobre o pós-enchente promovido por um grupo de pesquisadores. Durante minha participação, fiz uma pergunta ao auditório. Questionei o que fariam se, naquele exato momento, surgisse um alerta informando que o bairro voltaria a inundar. Para onde iriam? Quem procurariam? Onde buscariam abrigo ou ajuda?

O silêncio foi a resposta.

Ninguém soube dizer exatamente o que faria.

As obras estruturais de proteção são complexas, exigem recursos, planejamento e tempo. Todos conhecemos o ritmo estranho da burocracia e sabemos que soluções desse porte não aparecem da noite para o dia. Mas os planos de contingência, aqueles que orientam a população sobre como agir diante de uma emergência, já deveriam ser amplamente conhecidos pelas comunidades mais vulneráveis.

Não temos controle sobre a chuva, sobre os rios ou sobre a intensidade do próximo temporal. Mas temos responsabilidade sobre a forma como nos preparamos para eles. Se os eventos extremos tendem a fazer parte da rotina, a falta de informação e a ausência de respostas não podem fazer. Talvez o novo normal seja conviver com um clima mais difícil. O que não pode ser normal é ainda não saber o que fazer quando o próximo alerta tocar. _

O conteúdo desta coluna reflete a opinião do autor

MARCO MATOS

31 de Julho de 2026
OPINIÃO RBS

Ajuste fiscal é tema incontornável

Com a dívida pública do país no maior nível dos últimos cinco anos e subindo, é inadiável implementar um ajuste fiscal robusto a partir de 2027 para conter a trajetória insustentável dos gastos. Será inescapável para o futuro governo, seja ele de Luiz Inácio Lula da Silva, em um novo mandato, seja de qualquer outro nome da oposição.

Causa preocupação que o tema, até agora, tenha sido abordado somente de forma superficial, mesmo pelos candidatos que querem desalojar o petista do Planalto. Aguarda-se que, nas próximas semanas, com o início oficial da campanha, as propostas para o controle das contas surjam e sejam consistentes e críveis. Caso contrário, as empresas e as famílias brasileiras continuarão a padecer com um juro sufocante que só produz endividamento e inadimplência. O Banco Central (BC) acabará forçado a manter a Selic em patamar elevado para segurar a inflação.

Os números atestam a situação delicada. Em junho, a dívida pública federal cresceu 2,6% ante maio, em torno de R$ 240 bilhões, e chegou a R$ 9,27 trilhões. O indicador demonstra o endividamento do Tesouro para financiar o déficit do governo. Em maio, conforme o BC, a dívida bruta do governo geral - que também inclui Estados e municípios - avançou para 81,1% do PIB, nível elevado para um emergente e avanço de 0,9 ponto percentual sobre o mês anterior. Em janeiro, estava em 78,7%. O Tesouro projeta que a trajetória de alta seguirá até 2029, quando atingiria 87,9%.

O arcabouço fiscal adotado pelo governo Lula carece de credibilidade. Para respeitá-lo formalmente, o Planalto optou por excluir uma série de gastos do cálculo. Um autoengano. Na vida real, os gastos seguem em alta. Apenas o pacote de bondades eleitorais prevê R$ 190 bilhões. Desse total, R$ 118 bilhões ficaram fora do teto da regra, conforme cálculos do economista Marcos Mendes, um dos maiores especialistas em contas públicas do país.

Noticia-se que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, procurou interlocutores de grandes bancos para sinalizar que, em um eventual novo governo, o limite de crescimento dos gastos da inflação não seria mais de 2,5%, mas entre 1,5% e 2%. É insuficiente para o tamanho do desafio, potencializado pelo crescimento das despesas obrigatórias, como benefícios previdenciários e programas sociais, indexados ao aumento do salário mínimo, e em meio a um orçamento cada ano mais engessado. E nem sequer é um compromisso de campanha.

Na oposição, o candidato mais bem posicionado nas pesquisas, Flávio Bolsonaro, fala em "tesouraço" nos gastos, mas até aqui é bastante genérico em suas ideias. A economista Daniella Marques, coordenadora de propostas do senador do PL para a área, cita redução de despesas e controle da dívida, porém tampouco exibe detalhes. Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) também vão na linha da responsabilidade fiscal, mas têm propostas ainda abstratas ou politicamente de difícil implementação.

Não se espera que, pela pouca popularidade do tema, os candidatos propagandeiem como cortarão gastos, em especial os sociais. Mas a sustentabilidade das contas públicas é um tema incontornável e os postulantes à Presidência têm o dever de ser transparentes com os eleitores. _

Opinião do leitor

leitor@zerohora.com.br - Instagram e X @gzhdigital - facebook.com/gzhdigital - Opiniões, fotos ou histórias de leitores devem ser endereçadas à seção Leitor com nome, profissão, endereço e telefone. Os textos devem ter, no máximo, 700 caracteres. ZH reserva-se o direito de selecioná-los e resumi-los para publicação.

Almanaque Gaúcho

Com "Memórias do Renner" (ZH, 28/7), voltei ao passado. E como amei fazer parte desta emoção. Trabalhar no Renner foi muito gratificante. O Sr. A. J. Renner foi uma pessoa boníssima. Grêmio Esportivo Renner, foi sensacional acompanhar tudo de perto. Muito obrigada, Leandro Staudt, por esta lembrança encantadora. _

Maria Lurdes Derenji - Aposentada - Imbé

Alagamentos

Li a matéria do dia 28/7 em GZH em que o diretor-presidente do Dmae diz que os alagamentos em Porto Alegre serão resolvidos até 2031. Sr. diretor, estamos em 2026. É uma vergonha ver esse prazo. Estamos na era da maior tecnologia até então vivida. Aos moradores de Porto Alegre e visitantes, sugiro comprar botas novas, pois serão muito necessárias. _

Luiz Anselmo Colling - Consultor de empresas - Porto Alegre

Erros em série

A trama de Eduardo contra o Brasil nos EUA: primeiro tarifaço sobre nossas exportações. O encontro do pré-candidato Flávio com Trump na Casa Branca: segundo tarifaço. A "Carta aos brasileiros", escrita por Jair e divulgada nas redes sociais: Flávio alvo de investigação por propaganda antecipada. O dinheiro sujo tomado por Flávio de Daniel Vorcaro (Master): R$ 61 milhões, supostamente para financiar o filme sobre a vida do ex-presidente. O "fogo amigo" de Michelle. As suspeitas levantadas por Flávio (a exemplo do pai, declarado inelegível), em fala a embaixadores estrangeiros, sobre o processo eleitoral. A série de erros e tiros no pé dos Bolsonaro só facilita a reeleição de Lula! _

Clovis José Formolo - Aposentado - Porto Alegre

Fundo do poço

Quando o advogado de uma agremiação usa áudio falso (conversa de site que faz paródia entre a comunicação do árbitro e a equipe do VAR) para defesa de um jogador, como fez o advogado do Internacional no caso do jogador Victor Gabriel, não é só no campo que as coisas estão ruins. Fora do campo está pior ainda. _

Vital Romaneli Penha - Aposentado - Jacareí (SP)

Feminicídios

A imprensa divulga que o Rio Grande do Sul tem 46 feminicídios neste ano até agora. A Lei Maria da Penha parecia ser uma luz no fim do túnel, mas até o momento o que se vê é a complacência de alguns delegados e juízes, que ainda não compreenderam a gravidade desses crimes. As vidas das mulheres parecem valer pouco. Muito triste isso. _

Lauro Becker

Empresário - Porto Alegre

OPINIÃO RBS

31 de Julho de 2026
NOTÍCIAS

Pesquisa para o governo do RS mostra Juliana com 24% e Zucco com 22%

Eleições 2026

Novo levantamento da Quaest reforça um cenário de indefinição no Estado. Além do equilíbrio entre os dois primeiros colocados na consulta estimulada, a versão espontânea revela que 83% dos entrevistados ainda não citaram um nome. O índice sugere que a disputa permanece amplamente aberta

Pesquisa Quaest divulgada ontem mostra Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) tecnicamente empatados na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul nas eleições de outubro, já que a margem de erro é de três pontos percentuais.

Esta é a segunda pesquisa da Quaest com os postulantes ao Palácio Piratini em 2026. O levantamento anterior foi divulgado em abril e também apontava para empate técnico.

Na sondagem estimulada, Juliana Brizola aparece com 24%, seguida de Luciano Zucco, com 22%. Mais atrás estão Gabriel Souza (MDB), com 6%, Marcelo Maranata (PSDB), com 3%, e Cesar Pontes (PCO) e Rejane Oliveira (PSTU), ambos com 1%. Afirmam estar indecisas 31% das pessoas ouvidas, enquanto 12% dizem que vão votar em branco ou nulo ou não votar.

Já na pesquisa espontânea, quando os nomes dos pré-candidatos não são apresentados aos entrevistados, Zucco está à frente, seguido de Juliana Brizola e Gabriel Souza. A grande maioria (83%) revelou estar indecisa.

Mudança

Quando questionados se a escolha de voto para governador é definitiva, 34% dos entrevistados afirmaram que sim, enquanto 62% disseram que podem mudar a escolha caso algo aconteça. Outros 4% não souberam ou não responderam.

Também foram realizadas três simulações de segundo turno. Em duas, Juliana Brizola vence Zucco e Gabriel Souza, enquanto em outra, Zucco derrota Gabriel Souza.

Presidência

A pesquisa também mostra como está a disputa para presidente entre os gaúchos. Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 32%, contra 30% de Lula (PT) - ambos tecnicamente empatados, na margem de erro de três pontos percentuais.

A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 1.104 pessoas, com 16 anos ou mais, entre os dias 24 e 28 de julho. O nível de confiança é de 95%. O registro da pesquisa no TSE é RS-04790/2026. _

Segundo turno para o Piratini

A Quaest fez também três simulações da segunda etapa do pleito para o governo do Estado.

Cenário 1

Juliana x Zucco

Juliana Brizola: 35%

Luciano Zucco: 31%

Indecisos: 21%

Branco/nulo/não vai votar: 13%

Cenário 2

Juliana x Gabriel

Juliana Brizola: 35%

Gabriel Souza: 20%

Indecisos: 26%

Branco/nulo/não vai votar: 19%

Cenário 3

Zucco x Gabriel

Luciano Zucco: 32%

Gabriel Souza: 20%

Indecisos: 28%

Branco/nulo/não vai votar: 20%

Segundo turno para o Planalto

Quatro simulações feitas entre os eleitores gaúchos

Cenário 1

Lula x Flávio

Flávio Bolsonaro (PL): 40%

Lula (PT): 35%

Indecisos: 11%

Branco/nulo/não vai votar: 14%

Cenário 2

Lula x Caiado

Lula (PT): 33%

Ronaldo Caiado (PSD): 32%

Indecisos: 13%

Branco/nulo/não vai votar: 22%

Cenário 3

Lula x Renan

Lula (PT): 34%

Renan Santos (Missão): 25%

Indecisos: 14%

Branco/nulo/não vai votar: 27%

Cenário 4

Lula x Zema

Lula (PT): 35%

Romeu Zema (Novo): 29%

Indecisos: 13%

Branco/nulo/não vai votar: 23%

31 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Juliana e Zucco arrancam em vantagem na campanha

Os números da pesquisa Quaest divulgada ontem trazem boas e más notícias para os candidatos Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL), que estão à frente, tecnicamente empatados, com 24% e 22%, respectivamente, no primeiro turno. No segundo, Juliana tem 35% e Zucco, 31%. Essas são as boas notícias. As más: os dois são também os mais rejeitados e 62% dos entrevistados dizem que sua opção não é definitiva.

Candidato do governo, Gabriel Souza (MDB) tem somente 6% das intenções de voto e está tecnicamente empatado com Marcelo Maranata (PSDB), que tem 3%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Uma das tabelas que os candidatos precisam prestar atenção é a que mostra conhecimento, potencial de voto e rejeição. Na resposta a essa pergunta, 33% disseram que conhecem Juliana e votariam nela, 34% não conhecem e 33% a rejeitam. Em relação a Zucco, 25% responderam que conhecem e votariam ele, 55% não conhecem e 20% o rejeitam.

O que mais impressiona é que 73% disseram não conhecer Gabriel Souza, mesmo ele sendo vice-governador desde 2023. Por ser menos conhecido, sua rejeição também é menor - apenas 15% disseram que conhecem Gabriel e não votariam nele. Maranata é desconhecido de 86% dos eleitores e rejeitado por 10%.

Além do baixo índice de intenção de voto, Gabriel tem outro problema: 51% acham que Eduardo Leite não merece eleger o sucessor, contra 38% que responderam sim. A favor do vice-governador há outro número que é o da aprovação do governo Leite, que é de 48%, o que poderá favorecê-lo se Leite se engajar na campanha e deixar claro que ele é o candidato que representa o governo. Os que reprovam o governo Leite somam 42%.

A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 1.104 pessoas, com 16 anos ou mais, entre os dias 24 e 28 de julho. O nível de confiança é de 95%. O registro da pesquisa no TSE é RS-04790/2026. _

Cenário de disputa acirrada no Senado

Com duas cadeiras em disputa, a eleição para o Senado é sempre um desafio para os institutos de pesquisa. Na pesquisa da Genial/Quaest divulgada ontem, Manuela D?Ávila (PSOL) mantém o primeiro lugar do levantamento anterior, liderando tanto no primeiro quanto no segundo voto. Manuela é a primeira opção de 15% dos eleitores e a segunda de 9%. Se dividir por dois para chegar a 100%, a candidata do PSOL tem 12%, mas esse número não é o mais relevante.

O ex-governador Germano Rigotto (MDB) e o deputado federal Paulo Pimenta (PT) têm números semelhantes entre si. Rigotto é o primeiro de 11% dos eleitores e o segundo de 7%. Pimenta é o primeiro de 10% e o segundo de 7%. Marcel van Hattem (Novo) tem 12% na primeira opção, mas só 3% na segunda. Por isso, numericamente, está atrás dos demais concorrentes. Seu companheiro de chapa, Ubiratan Sanderson (PL), tem 6% na primeira opção e 7% na segunda. Os demais ficam entre zero e 1%.

O que torna o cenário para o Senado ainda mais incerto é o fato de que 62% dos entrevistados responderam que sua opção não é definitiva. Van Hattem e Sanderson têm um eleitorado mais firme: 64% disseram que sua opção é definitiva. O terceiro com voto mais consolidado é Pimenta, com 56% dos seus eleitores dizendo que sua opção é definitiva. Depois, Manuela, com 47%, e Rigotto, com 35%. _

Conhecidos (ou não)

rosane.oliveira@zerohora.com.br

No quesito conhecimento, potencial de voto e rejeição, vários dados chamam a atenção.

Manuela é a primeira em tudo: líder no quesito "conhece e votaria" (28%), menor índice de desconhecimento (28%), mas também a maior rejeição (42%).

Mesmo tendo sido governador de 2003 a 2006, Rigotto é desconhecido de 39% dos eleitores e rejeitado por 35%.

Deputado federal e ex-ministro, Pimenta é desconhecido de 41% e rejeitado por 38%.

Também deputado federal, Van Hattem é desconhecido de 67% e rejeitado por 14%.

Ainda mais desconhecido é Sanderson (71%).

Rigotto e Frederico definem suplentes

Às vésperas das convenções, Germano Rigotto (MDB) definiu que o ex-vice-governador José Paulo Cairoli e o jornalista Antonio Hohlfeldt, ex-presidente da Fundação Theatro São Pedro, serão seus suplentes na disputa pelo Senado.

Frederico Antunes (PSD) também definiu sua primeira suplente, a ex-vice-prefeita de Caxias do Sul, Paula Ioris. _

Agenda adocicada de Zucco e Gabriel na Fenadoce

Foi uma tarde adocicada para Gabriel Souza (MDB) e Luciano Zucco (PL), adversários na disputa pelo Palácio Piratini. Os dois estiveram em Pelotas ontem para prestigiar os últimos dias da Fenadoce, cuja programação encerra no domingo.

Pela manhã, Gabriel palestrou em reunião-almoço promovida pela Câmara de Comércio de Rio Grande. Aos empresários, o vice-governador falou sobre o presente e o futuro do Estado, e apresentou ações para desenvolver a Metade Sul, com destaque para matriz energética, ensino técnico e soluções para enfrentar a crise climática.

No caminho de volta à Capital, aproveitou para uma parada em Pelotas, onde visitou os estandes da Fenadoce, acompanhado de Frederico Antunes e Paula Mascarenhas. Fã de quindim, Gabriel não resistiu a um desafio feito pela dupla e provou três unidades do doce que é símbolo da feira.

Zucco foi mais cedo à feira, e por isso os adversários não se encontraram no centro de eventos. Acompanhado da vice, Silvana Covatti (PP), da esposa Joyce e políticos aliados, o candidato a governador do PL visitou os expositores e conversou com a população. Após receber relatos de abandono da Metade Sul, Zucco defendeu a criação do fundo constitucional para os Estados do Sul para ampliar os investimentos na região. Além disso, colocou entre suas prioridades garantir a conclusão das duplicações da BR-116 e da BR-392.

Nos estandes, Zucco provou um picolé de butiá e acompanhou o processo de fermentação para preparação de figo cristalizado. Aproveitou também para comprar doces para a filha Antônia, de oito anos. _

Valdemar intervém para apagar incêndio no PL

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, entrou em cena para tentar acalmar os ânimos nos bastidores da direita gaúcha e frear o racha que estava sendo ensaiado. Em carta endereçada ao diretório estadual, Valdemar comunica que os candidatos do partido estão "autorizados a realizar dobradas com candidatos dos partidos aliados".

Nos últimos dias, aviso do presidente estadual, Giovani Cherini, em tom de ameaça aos filiados do PL e candidatos que fizerem campanha para concorrentes de outros partidos não foi bem recebido por aliados de outras legendas. O alerta de Cherini aos filiados segue uma resolução do PL, de abril de 2026, assinada pelo próprio Valdemar. No documento, o presidente nacional proíbe a participação do partido em coligações com partidos de esquerda nas eleições deste ano.

Luciano Zucco, candidato do PL a governador, fez questão de espalhar o documento de Valdemar, em razão do temor de que os atritos poderiam impactar sua campanha. 

POLÍTICA E PODER

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