sábado, 7 de novembro de 2026



06/11/2026 - 16h57min
Martha Medeiros

A liberdade de continuar lutando

O povo brasileiro está servindo de exemplo para outras nações. Por essa eu não esperava: ver o Brasil exportando consciência. O mundo inteiro está fazendo o L, e já não se trata de Lula, que agora tem que focar nos ajustes fiscais para conter o endividamento e fazer o país crescer. O L virou outra coisa: simbolismo residual de uma campanha bem-sucedida.

Ao barrar o avanço da extrema-direita, o povo brasileiro conseguiu um feito histórico: está servindo de exemplo para outras nações que flertam com o extremismo, como a França, que corre o risco de eleger Marine Le Pen em abril, e os Estados Unidos, que descobriram o que é ter um lunático no poder. Eleitores irritados costumam chutar o balde e eleger ditadores. O Brasil mostrou que é possível conter esse desatino.

Alguns votaram em Lula por amor a Lula, mas a maioria votou por amor à democracia, que é quem de fato venceu.

Os votos na extrema direita foram dados por quem não atentou para o adjetivo que a diferencia da direita tradicional. Extremidade: o ponto mais distante do centro, fronteiriço, onde o autoritarismo e o radicalismo imperam. 

De extrema-direita são os que defendem intervenção militar, promovem golpes, designam-se como ultranacionalistas (ainda que vendam barato a soberania) e cultuam valores fascistas, como a idolatria por torturadores. O mundo precisa voltar a eleger representantes da esquerda, do centro e da direita que dialogam entre si, independentemente de suas divergências. Os extremos estão longe demais de qualquer consenso.

É aí que uma letra do alfabeto ganha novos significados, em idiomas diversos. Em português, o L agora pode ser feito sem que haja medo de perder o emprego ou de ter o nome em listas de boicote. A eleição terminou e o L representa, por fim, a liberdade de continuar lutando pelo que se acredita (vale para todos os partidos). É um L que invoca a lucidez, a legitimidade, a leitura – livros nos mantém conectados com a verdade e com a história. 

Que floresça um novo “we are the world” por um futuro às claras, sem que fiquemos reféns das mentiras induzidas por algoritmos. Que as nações ocupem as ruas pacificamente para varrer preconceitos e abraçar a inclusão. Que as polarizações sejam substituídas por uma força conjunta contra a ascensão de vigaristas. 

Pense nos golpes de whatsapp, que usam nossa boa-fé contra nós mesmos. Na ânsia de ajudar alguém ou de ser ajudado, o que nos protege das armadilhas? A informação. A atenção. A cabeça preparada. É pela mente que se combate manipuladores. 

Por isso, ler, estudar e se reunir presencialmente uns com os outros pode nos salvar. Sei que não existe mundo ideal, que me chamarão de ingênua, inocente, até de louca. Ninguém mais quer saber de sonhadores. Ainda assim, hoje consagro meu L ao lirismo.


07 de Novembro de 2026
CARPINEJAR

Felizes dinossauros

Eu escrevo há 30 anos. Nunca senti vontade de parar. Nunca bateu um desânimo ou bloqueio. Nunca faltou assunto, porque jamais me afastei da vida.

Já escrevi por desabafo, por justiça, por vingança, por carência, para ser visto, para desaparecer, por amor, por separação, por reconciliação, para pedir perdão, para não me desculpar. Já chorei com o meu próprio texto. Já ri com alguma história enquanto estava contando. Até acredito que sou mais instrumento das emoções do que autor.

Na hora de me sentar para trabalhar, vem a euforia de poder falar o que não consegui na frente dos outros. É uma coragem retroativa. Organizo as ideias e elas me organizam depois. Termino uma coluna como quem tomou um banho de mar: aliviado, sem dívidas com o oceano, com o sal benzendo a pele no sol.

Sou um poeta, ainda que cronista, e me interesso em retratar as mudanças no subsolo do comportamento. Quase como um sismógrafo das sutilezas. Tudo serve para mim, inclusive o que é jogado fora.

A pandemia, que me impediu de abraçar os pais, os irmãos e os filhos adultos, cada um em seu esconderijo, levou-me a não mais adiar o contato, a ser acessível.

Não deixo mais a saudade me matar - eu a mato primeiro. Assumi o propósito de priorizar a família.

Sem essa de achar que se tem todo o tempo, sem essa de esperar uma repescagem, sem essa de aguardar uma data festiva ou uma disponibilidade que não vai surgir. Jamais vislumbraremos qual é a duração de nosso filme.

Eu aprendi com o distanciamento.

Após o período isolado, decidi visitar de qualquer jeito, desprovido de solenidade, e isso gerou o estalo para o meu novo livro No meu tempo, eu era melhor, com sessão de autógrafos na 72ª Feira do Livro de Porto Alegre.

Comecei a me perguntar: como eu vivia sem celular, sem redes sociais, nas décadas de 1970 e 1980? Como era namorar? Como era combinar de sair com os amigos? Eu me percebia mais radiante sem a necessidade de estar sempre conectado? Como eu me divertia? Como eu ia para casa? Como eu me informava?

Não havia quarto para mim, eu dividia os armários com meus irmãos, só que a rua parecia mais minha do que hoje. Encapávamos cadernos e livros para a escola, preservávamos os móveis com panos, forrávamos as gavetas com papel de presente, vestíamos o botijão de gás com uma saia. Tínhamos menos, mas muito mais capricho. Consertávamos os objetos, restaurávamos roupas e sapatos, guardávamos pregos e botões, fazíamos o almoço render para o jantar, comprávamos nossos pertences em carnês nas lojas. Economizávamos onde quer que fosse, exceto na realidade.

Será que melhoramos ou pioramos? É tanta tecnologia e tão pouca presença.

A virtualidade apenas aumentou a solidão. Não exercitamos as lembranças. Não decoramos mais nomes, lugares e telefones. Delegamos tarefas e evocações às máquinas, mergulhados em precoce Alzheimer digital.

Voltei atrás e localizei um futuro possível para salvar nossas relações. Como um menino grande que desenterra moedas no quintal.

Fui da ficha do orelhão no bolso, da lista telefônica, do mimeógrafo, de entrar pela porta dos fundos do pátio, do VHS, do K-7, do vinil, do grampeador e dos clipes, de prender dinheiro com elásticos amarelos, da fila do banco, do cheque voador, do pão de 1/2, do caderninho no armazém, da caligrafia, da procissão a pé para as festas, dos recados na palma da mão, das fotos tremidas com olho vermelho de vampiro, da televisão com seis canais e nenhum controle remoto, da máquina de escrever, da coleção de selos, da carta no correio, do bilhete na sala de aula, da reunião dançante, das brincadeiras na calçada, do romance no portão, no carro, no cinema; fui do mundo.

Se você é um feliz dinossauro e conserva velhas esperanças na humanidade como eu, marque na agenda de papel nosso encontro neste sábado, às 19h, na Praça da Alfândega. Quem sabe para um abraço apertado à moda antiga. 

CARPINEJAR

Vencer, humilhar, pisotear

O Brasil experimenta um fenômeno curioso: os vencedores da eleição também não parecem dispostos a aceitar o resultado. Ganharam, mas continuam querendo derrotar quem perdeu. E derrotar de novo. E mais uma vez. Até quando? Até o sujeito pedir desculpas pela ousadia de ter votado em quem quis? Até ele virar a casaca e passar para o outro lado? Ou até aprender a ficar de boca fechada e nunca mais dizer o que pensa?

É o que ocorre com o cantor Jorge, da dupla Jorge & Mateus, que cometeu a inconveniência de apoiar Flávio Bolsonaro. Depois de uma onda de protestos nas redes sociais, seus shows de Réveillon foram cancelados pelas prefeituras de Fortaleza e Recife. O prefeito Victor Marques (PCdoB), do Recife, explicou que a virada do ano é um momento de união e fraternidade e que, portanto, não havia mais clima para a apresentação. Uma forma intrigante de promover a união: decidindo quem fica de fora.

Ainda mais intrigante é que, dias atrás, a esquerda se horrorizava com as listas de boicote contra comerciantes que teriam votado em Lula. Com toda a razão. Mas, quando o boicotado é um artista que apoiou Flávio, aí a conversa muda: veja bem, não se pode comparar, isso é falsa simetria, os candidatos são diferentes, blá-blá-blá. Claro que são diferentes, e daí? Desde quando isso autoriza tratar seus eleitores como cidadãos de categorias distintas?

Democracia é justamente o regime em que as pessoas, mesmo discordando, dividem o mesmo país sem ficar tentando expulsar o vizinho. O eleitor que perdeu uma eleição já recebeu sua punição: ter perdido. E ponto final. Qualquer tentativa de sabotá-lo por pensar de outra forma sempre terá uma inclinação fascistoide. Inclusive entre aqueles que juram combater o fascismo.

Porque é uma lógica central no ideário fascista: a de que certos grupos representam uma ameaça moral à comunidade. E, sendo uma ameaça, não há por que tratá-los como iguais. Ou seja, primeiro transforma-se o adversário em alguém essencialmente mau. Depois, excluí-lo deixa de parecer uma injustiça para parecer o contrário: justo, merecido - e até necessário para "purificar" o convívio em sociedade.

Não dá para avançar assim. A esquerda precisa aceitar que milhões de brasileiros continuarão pensando como Jorge. E a direita precisa aceitar que milhões seguirão pensando como os comerciantes que votaram em Lula. Nenhum dos grupos vai desaparecer, portanto a questão é simples: vamos passar quatro anos infernizando a vida uns dos outros, ou vamos aceitar que temos um país para compartilhar? De que adianta derrotar o adversário nas urnas se tratamos a existência dele como derrota nossa? _

PAULO GERMANO 

07 de Novembro de 2026
OPINIÃO RBS

Maturidade no Piratini e no Planalto

A discussão dos últimos dias entre o atual e o futuro governo sobre a situação das finanças do Estado mostra diferentes interpretações sobre a gravidade do quadro, mas converge em um ponto: as dificuldades serão maiores ou menores conforme o êxito em negociações cruciais com Brasília. Construir uma relação madura entre os palácios Piratini e do Planalto, a despeito das divergências ideológicas, será fundamental. Embora existam questões relacionadas à saúde das contas do Rio Grande do Sul que dependerão apenas de decisões da gestão Luciano Zucco (PL), pautas da maior relevância para o Estado dependem do governo federal.

Era público que Zucco contava com o triunfo de Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência. Mas o próprio governador eleito reiterou na campanha que não teria problema em buscar interlocução com uma eventual nova administração Lula. O presidente reconduzido também se comprometeu a governar para todos os brasileiros. Assim, é preciso crer que, de parte a parte, haverá maturidade institucional e disposição para o diálogo.

O provável futuro secretário da Fazenda, deputado estadual Claudio Branchieri (PL), disse na quinta-feira confiar em uma convivência republicana. Projetou que Zucco pode ser o principal contato entre os Estados do Sul e Lula, diante das dificuldades de relacionamento entre o petista e Sergio Moro (PL), eleito no Paraná, e Jorginho Melo (PL), reeleito em Santa Catarina.

Uma das negociações prioritárias é sobre a adesão ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). Para o enquadramento mais favorável, o RS precisaria repassar à União ativos correspondentes a 20% do saldo da dívida (R$ 20 bilhões). O governo Leite ofereceu precatórios que não transitaram em julgado e recursos que dependeriam de uma lei a ser aprovada pelo Congresso. Diante dessas pendências, a proposta foi rejeitada. 

Dessa forma, o Estado ficaria em outra faixa do Propag, o que elevaria em R$ 1,5 bilhão as despesas no próximo ano, agravando a projeção de déficit, estimado oficialmente em R$ 4,8 bilhões para 2027. Será preciso voltar à mesa de negociações e buscar uma alternativa que permita a adesão nos termos menos onerosos.

Outro tema primordial é a demanda para que o pagamento das parcelas da dívida com a União não retorne em maio, como está previsto. Leite já buscava sensibilizar o Planalto para passar a usar esses recursos em um programa robusto de irrigação. Desde meados de 2024, o dinheiro é direcionado ao Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). A economia do Estado é duramente afetada por eventos climáticos extremos, como as recorrentes estiagens. O governo federal defende a importância de medidas de adaptação. Nada mais adequado, portanto, do que viabilizar uma iniciativa estruturante. Beneficiaria a atividade econômica e a arrecadação de impostos.

Há outras pautas de significativa relevância. Uma delas é a prorrogação do prazo de execução financeira do Funrigs. O limite legal é outubro de 2027 e o RS pede a extensão para dezembro de 2028. Outra refere-se à garantia de recursos para a conclusão de obras como as duplicações das BRs 290 e 116.

A eleição terminou. É momento de descer do palanque e de compor uma relação institucional colaborativa para colocar os interesses da população acima das diferenças políticas. 


07 de Novembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Indicação ao Supremo não pode ser toma lá dá cá

Tudo ainda é extraoficial, mas a simples cogitação de que Lula vai insistir na indicação de Jorge Messias para a vaga aberta há mais de um ano no Supremo Tribunal Federal provoca um desgaste desnecessário para o governo. A se confirmar, contradiz o discurso de campanha e rebaixa ainda mais a relação entre os poderes, dado que na negociação estaria um toma lá dá cá com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AL), que tenta a reeleição.

Foi Alcolumbre, em um conluio que envolveu até o ministro Alexandre de Moraes, o maior responsável pela rejeição de Messias pelo plenário do Senado. Insistir na indicação do advogado-geral da União e ainda incluir o compromisso de aprovação na "bacia das almas" onde são negociados os acordos políticos é uma desmoralização generalizada.

Se a Messias resta um pouco de amor-próprio, o melhor seria dizer "não, obrigado", para não correr o risco de nova derrota. Ele sabe, ou deveria saber, que nas duas casas do Congresso as traições são recorrentes e que pode estar servindo de massa de manobra.

Na campanha, questionado sobre a crise no STF e correndo o risco de perder a eleição, Lula se comprometeu a discutir mudanças na forma como são indicados os ministros. Ainda que uma alteração só venha a valer para seu sucessor, cabe ao presidente começar a mudança agora, definindo suas escolhas por outros critérios que não o da amizade, o da gratidão ou da confiança pessoal.

Ministro do Supremo precisa ter notório saber jurídico e reputação ilibada, conceitos imprecisos pelo histórico de alguns dos indicados. Lula precisa escolher um jurista acima de qualquer suspeita, de preferência mulher, para garantir um mínimo de diversidade, e que não seja das suas relações pessoais. Ministro do Supremo não é cargo de confiança, que se vai quando o presidente termina o mandato. Se a lei não mudar, é alguém que poderá ficar até os 75 anos de idade, a menos que cometa crime de responsabilidade e seja afastado em um processo de impeachment. _

Olívio e Yeda dão lição de civilidade

De campos políticos diferentes, os ex-governadores Yeda Crusius (PSDB) e Olívio Dutra (PT) deram demonstração de civilidade rara nestes tempos de radicalização política.

Assíduo frequentador da Feira do Livro, Olívio foi à sessão de autógrafos de Yeda, que lançou Fios Tecendo Vida - Crônicas de um cotidiano entre séculos.

Ao ver o ex-governador na fila, Yeda abriu os braços sorridente e os dois trocaram um abraço afetuoso. Conversaram, posaram para fotos e Yeda escreveu a dedicatória. À coluna, disse que os dois são amigos e elogiou a cultura de Olívio, com quem se encontra regularmente em eventos ou nos jantares promovidos por outro ex-governador, o decano Jair Soares, que governou o Estado de 1983 a 1986.

- Adoro conversar com ele. É um homem muito culto. Esses dias, ficamos discutindo filosofia - contou Yeda toda animada.

Nas filas em que esteve na feira, Olívio foi abraçado e convidado a tirar fotos com outras pessoas que elogiaram a sua coerência e dignidade. _

Prévia para candidato a prefeito

Apesar da euforia com a vitória de Lula e o bom resultado dos candidatos da esquerda em Porto Alegre, a direção municipal do PT não quer afobação para a eleição de 2028. Ao contrário de PP e PL, que já começam a projetar possíveis candidatos a prefeito, os dirigentes petistas preferem manter os pés no chão, com foco em fazer um balanço do pleito que acabou de passar e definir um método para escolha dos nomes que concorrerão daqui a dois anos.

Enquanto articula a base em torno da ideia de candidato do PT, o presidente municipal, Rodrigo Dilelio, diz que tem ótima relação com Roberto Robaina, presidente do PSOL na Capital, e não descarta a possibilidade de realizar uma prévia para que os aliados decidam qual dos dois partidos deve liderar o processo. Internamente, o PT só deve começar a discussão de possíveis candidatos em 2027, após o verão. _

PDT aprova entrada em federação

Após fracasso nas urnas em 4 de outubro, quando não conseguiu ultrapassar a cláusula de barreira, o PDT encontrou tábua de salvação na federação com Solidariedade, PRD e Avante. Em reunião, a executiva nacional do PDT aprovou a entrada na federação, e um indicativo favorável ao ingresso do PSB no grupo. Esse arranjo não garante sobrevida ao PDT, porque há resistência nas bases à federação, principalmente pela incerteza em relação à posição do PSB.

Ainda não está claro se a Justiça Eleitoral aceitará a formação de federação pós-eleitoral para fins de cumprimento da cláusula de barreira. Como o PDT não conseguiu vencer a exigência, a legislação permite a troca de partido sem risco de perder o mandato. Aprovada a federação, a direção do partido pode abrir processo por infidelidade partidária e requisitar o mandato. _

Gaúchos estudam cenário e futuro

Os deputados eleitos ou reeleitos em 4 de outubro pelo PDT vão se reunir na terça-feira em Porto Alegre para avaliar a situação e tomar uma posição. Tiago Cadó disse à coluna que no Interior "as reações internas no PDT são as mais variadas com esse cenário".

A federação com PRD, Avante e Solidariedade não empolga ninguém no PDT gaúcho, que ainda cura as feridas da derrota na eleição estadual. Caso o PSB concorde em aderir ao grupo, a federação se torna mais palatável.

O partido do vice-presidente Geraldo Alckmin ultrapassou a cláusula de barreira, mas teme perder espaço nas próximas eleições e, por isso, avalia a conveniência de aderir à federação. _

Acusação de assédio moral

Um assessor da vereadora de Porto Alegre Atena Roveda (PSOL) denunciou ter sofrido assédio moral no gabinete, além de ter realizado atividades particulares para a parlamentar, o que configura desvio de função.

Felipe Chagas divulgou o relato pelos stories do Instagram após deixar o cargo, com prints de conversas com Atena que comprovariam as acusações. Conforme Chagas, Atena controlava os funcionários da sua residência a partir de câmeras de vigilância instaladas no gabinete, e questionava os assessores se não cumpriam suas ordens, com reprimendas públicas.

Ela nega "episódios que firam ou ponham a dignidade humana em risco". À coluna, Atena afirmou que os supostos desvios de função "não são nada além de suposição". _

POLÍTICA E PODER

07 de Novembro de 2026
INFORME ESPECIAL - Vitor Netto

Fachin e a divisão de poderes

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, defendeu a separação dos poderes da República durante discurso ao receber o título de Doutor Honoris Causa da Unisinos, na sexta-feira, em Porto Alegre. No evento, também ponderou a autocontenção dos magistrados e alertou para ameaças à democracia.

- A separação dos poderes pressupõe distinção funcional, equilíbrio e responsabilidade. Nenhum poder pode reivindicar para si a totalidade da razão constitucional. Nenhum poder possui autorização para substituir os demais, como também não se encontra dispensado de observar os limites de suas competências. O Judiciário não governa e não legisla - disse.

Desde que assumiu a presidência do STF, Fachin defende a existência de um código de conduta para a Suprema Corte. Mesmo sem citar o tema de forma explícita em seu discurso, o magistrado falou sobre a integridade do órgão e ressaltou que o Judiciário não deve ultrapassar a competência dos demais poderes.

- Se o direito deve aspirar à integridade, também as instituições que o aplicam precisam organizar sua atuação segundo exigências de coerência, imparcialidade e fidelidade constitucional. O Judiciário não governa e não legisla. Não disputa nem deve pleitear o poder político. Exerce a jurisdição nos limites da Constituição. E, dentro desses limites, deve atuar com independência, firmeza e imparcialidade. [?] A autocontenção judicial não significa omissão diante da violação de direitos - disse.

Ao falar sobre o que chamou de erosão institucional e as lições do constitucionalismo, o ministro alertou para ameaças à democracia que o país viveu recentemente e destacou o trabalho do Judiciário em sua defesa:

- Durante muito tempo, a ameaça mais evidente à democracia era sua ruptura aberta. A suspensão das Constituições. A dissolução dos Parlamentos. A supressão das eleições. Essas ameaças não desapareceram, mas a experiência contemporânea revelou outro fenômeno. A democracia pode ser enfraquecida por dentro - ponderou.

Jurista, acadêmico e magistrado brasileiro, o atual presidente do STF e do CNJ é natural de Rondinha, no norte do Estado, e está na Corte desde 2015.

A outorga do título integrou a programação comemorativa dos 60 anos do curso de graduação em Direito e dos 30 anos do Programa de Pós- Graduação em Direito da Unisinos. _

Presidente do STF fala sobre fuga de Flávio Bolsonaro

Streaming gaúcho documenta a viagem do Papa

O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que as reações de cada candidato ao pleito eleitoral dizem respeito à sua esfera própria de deliberação. A fala respondeu a um questionamento sobre a avaliação do magistrado acerca da fuga de Flávio Bolsonaro (PL) após a derrota no segundo turno.

- Na democracia, há quem vença as eleições, há quem seja derrotado. As reações pessoais de cada candidato dizem respeito à sua esfera política. O que é importante para o processo político é a estabilidade que o processo tem representado no Brasil nos últimos anos.

O magistrado também defendeu o papel da Justiça Eleitoral no pleito, que, nas palavras dele, deu exemplo de eficiência, tanto na preparação quanto na aplicação e totalização dos votos:

- O Brasil está dando provas de maturidade política e institucional. _

Colaborou Gabriel Jacobsen

O Papa chegou ao Uruguai nesta sexta-feira, onde permanecerá até domingo. Na sequência, seguirá para a Argentina, onde ficará até o dia 11. A produção reunirá registros, encontros, relatos e experiências vividas ao longo desses dias.

A equipe é composta por cinco profissionais da empresa, presentes nos dois países para acompanhar a programação. Segundo a Lumine, a proximidade geográfica da sede da empresa torna essa experiência ainda mais significativa.

Além disso, a plataforma fará cobertura nas suas redes e canais de divulgação. _

Conexão entre POA e Portugal

Representante de Zucco na COP31

A estratégia da pasta é reforçar a malha aérea nas cidades que receberão jogos da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027 - lista que inclui a capital gaúcha.

A coluna questionou o ministério sobre o impacto da iniciativa para Porto Alegre, que terá jogos no Beira-Rio. Segundo a pasta, o fortalecimento de rotas já existentes é prioridade e o evento abre margem para negociar novas frequências com as companhias, embora não haja anúncio oficial de datas ou voos extras para o RS.

Hoje, Porto Alegre já opera a rota direta para Lisboa por meio da TAP Air Portugal. _

O governador eleito Luciano Zucco (PL) enviará o procurador do Estado Rodinei Escobar Xavier Candeia à COP31, que ocorre, a partir de segunda-feira, em Antália, na Turquia.

Candeia é integrante do grupo de trabalho de meio ambiente da equipe de transição. Tem mais de três décadas de experiência no serviço público, com atuação em direito público, questões ambientais e temas territoriais e fundiários.

Segundo a equipe de transição, a participação terá caráter institucional, com o objetivo de acompanhar os debates sobre mudanças climáticas, prevenção, adaptação e resiliência, além de identificar experiências e oportunidades de cooperação que possam contribuir para o Estado. _

INFORME ESPECIAL

sábado, 31 de outubro de 2026

30/10/2026 - 13h19min
Martha Medeiros

Mãe é uma casa cheia, inclusive no sentido metafórico

Conexão se mantém através de conversas silenciosas, às vezes divertidas

Algumas pessoas me perguntam como estou, solidárias pela dor que imaginam que eu esteja sentindo. Quase me envergonho ao responder que venho lidando bem com a ausência da minha mãe, que faleceu há três meses, aos 88 anos. Na ocasião, fui alertada de que a saudade me corroeria para sempre. Ninguém me preparou para a suavidade. Fomos a melhor amiga uma da outra, almoçávamos juntas quase todos os dias, as confidências eram habituais e as gargalhadas, mais ainda. 

Estivemos grudadas em seus últimos meses de vida, nada ficou por dizer ou escutar, nenhum fio solto, nenhuma mágoa represada. Não vou inventar uma dor que não sinto diante de um ciclo concluído de forma tão amorosa.

Atualmente, meu irmão e eu temos ido ao apartamento onde ela morava, pois há muito a fazer – e desfazer. Nossa mãe era do tipo que guardava tudo. Nossos cartões do jardim de infância, carnês de lojas que nem existem mais, maquiagens e cremes vencidos, caixas de biscoito de Natais passados, bolsas que usou no verão de 1972. Semana passada doei os seus livros, que não eram poucos, e encontrei dentro de um deles uma pequena quantia guardada em um envelope se esfacelando – com data de 1924! Deve ter pertencido ao meu avô. Alô, numismáticos. Interessa uma nota de 500 réis em bom estado?

Pendurados nos cabides, reconheço o belo vestido verde que usou em alguns casamentos e uma camisa de couro que herdei e que ainda traz o seu cheiro. Na parte de cima do armário, encontramos uma dezena de gravuras antigas que nunca foram emolduradas.

Atrás das portas, desenhos infantis colados com durex e recortes de colunas de jornal. No banheiro, estoque de lenços umedecidos e remédios que nem chegaram a ser abertos. E fotos da família por todos os aposentos: porta-retratos nas cabeceiras, cômodas, mesinhas, além de uma coleção desafiadora de álbuns.

Minha mãe era isso: uma casa cheia. Inclusive no sentido metafórico. Uma mulher plenamente habitada por si mesma.

Dezenove dias depois que ela faleceu, fiz aniversário. Fui sozinha a seu apartamento apenas para me sentar em seu sofá e sentir sua presença. Rezei, enxuguei as lágrimas e saí de lá usando o anel que ela não tirava do dedo – meu presente. Hoje, as sessões de desapego não invocam comoções, dramas, abalos. A conexão se mantém através de conversas silenciosas, às vezes divertidas: “Mãe, não acredito que tu guardaste o santinho da minha primeira comunhão”. Em algum lugar, ela me mostra a língua

Prometi às minhas filhas que farei um detox aqui em casa para que não tenham que, um dia, passar pelas mesmas escavações arqueológicas. Elas observam minhas estantes e gavetas atulhadas, se entreolham e fazem de conta que acreditam. Até parece que alguma mãe se esvazia.

 Zaffari inicia estudo do projeto com torre de 130 metros onde era a FDRH em Porto Alegre

Terreno foi obtido em permuta com o governo do Estado com a construção de um presídio como contrapartida

Terreno do Grupo Zaffari fica atrás do Shopping Praia de Belas.

Isadora Terra / Grupo RBS
No espaço, planeja-se erguer cinco prédios.

Isadora Terra / Grupo RBS

No local, funcionava a antiga Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH), extinta em 2018.
Isadora Terra / Grupo RBS
O Grupo Zaffari conseguiu o terreno em permuta com o Estado do Rio Grande do Sul.
Isadora Terra / Grupo RBS
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A pequena movimentação no antigo terreno da Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH), em Porto Alegre, já chamou a atenção de leitor da coluna. O espaço fica na Avenida Borges de Medeiros, atrás do Praia de Belas Shopping, e gera expectativa há anos sobre algum empreendimento do Zaffari, dono da área. Questionado pela coluna, o grupo informou, por nota, estar realizando estudos para "desenvolvimento do projeto que será implementado no local". 

O plano é construir cinco prédios, entre eles uma torre de 130 metros de altura, que se tornaria a mais alta de Porto Alegre. Outras duas edificações teriam 100 metros, enquanto as demais alcançariam 85 e 61 metros. E, claro, está previsto um supermercado. 

O projeto arquitetônico já foi aprovado pela prefeitura, mas ainda não passou pelo processo de licenciamento que autoriza o início da obra, informou a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus).

Torre mais alta do projeto terá 130 metros.

Já o estudo de Viabilidade Urbanística (EVU) foi aprovado pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (CMDUA) em 2024. Na época, o Plano Diretor limitava em 52 metros a altura na região. Agora, novas regras urbanísticas passaram a permitir construções de até 130 metros em áreas do Centro Histórico, do 4º Distrito e em partes dos bairros Cristal e Praia de Belas.

Em tempo, o terreno foi obtido pelo Zaffari em permuta com o governo do Estado. Em contrapartida, a rede construiu a Penitenciária Estadual de Porto Alegre, entregue em 2018, com investimento de R$ 24 milhões.

Confira as principais notícias de empresas dos últimos dias. Assista ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: licenças da CMPC, indústria se afasta do rio, safra cheia e R$ 60 milhões para inovar

Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)

Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)

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