sábado, 22 de agosto de 2026

22 de Agosto de 2026
CARPINEJAR

Anjos de asas cortadas

Foi só um tapa, e crianças aparecem espancadas. Foi só um empurrão, e crianças são arremessadas nas paredes e nos móveis. Foi só uma queda de uma brincadeira, e crianças entram em coma. 

O inferno deve estar vazio, porque as tragédias estão enchendo as nossas ruas. Em Porto Alegre, no domingo passado, presenciamos mais um episódio de inexplicável e sombrio assassinato na infância.

Samylle, de 4 anos, sob a tutela dos tios, apesar de a guarda judicial pertencer à mãe, não resistiu aos ferimentos advindos de um castigo. O responsável de 22 anos afirma que aplicou apenas palmadas em sua bunda, e numa única vez, porém Samylle morreu de politraumatismo.

A Justiça decretou a prisão preventiva do réu. A Polícia Civil trata o caso como homicídio doloso, por ele ter assumido o risco de causar a morte.

O casal de tios com o qual Samylle morou nos últimos meses, com o aval do Conselho Tutelar, buscou atendimento na UPA Bom Jesus porque a menina havia convulsionado, e alegou que os hematomas seriam decorrentes de um tombo numa recreação.

Não é correção, nunca será correção, mas brutalidade a um ser frágil. Não é que perdeu a medida, mas promoveu um ato de violência gratuita e insana. Não é que educava, mas intimidava. Não é que pretendia dar uma lição provisória, mas investia suas forças para calar uma inocência para sempre. Não é que pretendia que ela deixasse de fazer algo errado, mas que deixasse de viver e perturbar.

A boçalidade nunca tem freios. Nem a vulnerabilidade inibe o ataque. A raiva não pede licença nem motivos. Não era a criança que vinha precisando de limites, era o adulto que carecia de limites.

Novamente aquele que cuidava matou. Novamente o berço se tornou cemitério. Novamente ouvimos versões inverossímeis a partir dos depoimentos para as autoridades. A criação nas mãos erradas gera destruição.

A razão assassina, de acordo com testemunha, resumiu-se ao fato de a pequena ter feito necessidades na calça. É de se supor o quanto ela já vivia sob o jugo de ultimatos e pressão psicológica. Seu corpo se mostrava desregulado de tanto medo. Clamava por ajuda. Gritava por socorro.

Samylle não pôde se defender, não pôde dizer o que sofria, não pôde ser resgatada por um colo redentor.

Desejava ser amparada, traduzida, apoiada, orientada. Desejava que alguém preparasse as suas tranças, colocasse os enfeites coloridos nos seus cabelos, a incentivasse a rir, demonstrasse paciência para responder à sua curiosidade sobre o mundo. Embora tenha trocado de lar após denúncias que correm em sigilo, não encontrou o carinho de que precisava, e sim manchas roxas na cabeça, nas pernas e nas nádegas.

Como se sentiria protegida, migrando de casa em casa, de crise em crise, sem jamais encontrar uma rede realmente segura? Não vai passar. Dói monstruosamente, e não vai passar. Cortam-se as asas dos anjos. Não há escada para o céu. 

CARPINEJAR

22 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

Sinais de baixa renovação na Câmara

Na contramão da insatisfação da sociedade com o desempenho da Câmara dos Deputados, diferentes prognósticos, de instituições e cientistas políticos, elevam as apostas em um baixíssimo índice de renovação na Casa na eleição deste ano. É possível que os números conhecidos no próximo dia 4 de outubro mostrem a menor oxigenação desde a redemocratização do país. Por certo há parlamentares com bons serviços prestados que merecem a recondução, mas a chegada de novos rostos e ideias é saudável para qualidade da representação política. Diante do empoderamento do Congresso e dos altos volumes de recursos administrados pela cúpula dos partidos, fica difícil vislumbrar uma reversão significativa desse cenário.

Uma recente análise do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a partir do histórico das eleições anteriores e dos novos fatores que dão mais força aos candidatos em busca de reeleição, projeta que a renovação neste ano ficará entre 14% e 44%. Assim, teria grandes chances de acabar abaixo da menor taxa de eleição de novos deputados federais, de 43%, em 1988.

Vários aspectos sustentam as previsões de um inédito número de reeleições. Entre elas, o alto índice de recandidaturas. Dos 513 deputados em exercício, 438, ou 85,38% do total, vão tentar permanecer na Câmara. São oito a menos do que em 2022, mas isso porque 42 deputados - o dobro de quatro anos atrás - vão buscar colocação no Senado, que neste pleito terá dois terços das vagas em disputa. Apenas 14 deputados não vão se candidatar a nada.

Salta aos olhos a grande assimetria de condições de competitividade entre os deputados com mandato e novos postulantes à Câmara. Apenas em emendas individuais, cada membro da Casa teve este ano em média R$ 40 milhões para distribuir às suas bases, na busca de fidelizar eleitores e assegurar o apoio de prefeitos. Sem falar nas demais verbas que custeiam viagens, material, combustível e assessores.

As minirreformas eleitorais de 2015 e 2017 e o advento das federações, bem-vindos em muitos aspectos, também acabam contribuindo com essa tendência. As alterações legislativas tiveram o propósito de dificultar a criação de novas siglas e de estimular fusões, incorporações e associações, com o objetivo de diminuir a grande fragmentação partidária e, de certa forma, facilitar a governabilidade no contexto do presidencialismo de coalizão. Um dos principais mecanismos é a limitação do acesso ao dinheiro do fundo partidário, pelas cláusulas de desempenho. São regras que começaram a ser implementadas em 2018 e seguirão se tornando mais restritivas até 2030. Também foi reduzido o número de candidatos que cada legenda ou federação pode lançar.

O resultado é que, neste ano, a quantidade de postulantes à Câmara é de 7,6 mil, 28% abaixo dos 10,6 mil em 2022. A relação candidatos/vaga caiu de 21 para 15. Há menos gente na disputa e a preferência dos partidos passou a ser privilegiar ainda mais quem já detém o cargo, a partir da própria competitividade conferida pela atividade parlamentar. Diante do espírito de corpo reinante, trata-se de uma realidade que tende a ser mais difícil de ser modificada, continuando a dificultar uma saudável renovação na Câmara. São circunstâncias que reforçam a importância de o eleitor dar maior atenção à escolha do candidato ao cargo que merecerá seu voto daqui a seis semanas. 

22 de Agosto de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Datafolha mostra cenário estável na eleição

Como se houvesse uma camada de Teflon a proteger o presidente Lula (PT) e o candidato do PL, Flávio Bolsonaro (PL), nada se move para além da margem de erro no cenário eleitoral. A pesquisa do Datafolha, a primeira realizada após o início oficial da campanha, traz números idênticos ao levantamento anterior e aos de outros institutos. Na simulação de segundo turno entre os dois, Lula tem 47% das intenções de voto e Flávio, 43%. Em 24 de julho, Lula tinha 48% e Flávio, 43%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

No primeiro turno, Lula segue à frente, com 39%, seguido de Flávio, com 33%. Abaixo deles, Ronaldo Caiado (PSD) tem 5%, Renan Santos (Missão), 4%, Romeu Zema (Novo), 3%, Augusto Cury (Avante), 2%, Samara Martins (UP), 1%, Rui Costa Pimenta (PCO), 1%, Wilson Grassi (Democrata), 1% e Edmilson Costa (PCB), 1%. Clariana Barão (DC) e Hertz Dias (PSTU) não pontuaram. Branco, nulo ou nenhum somam 6% e indecisos, 4%. Em um segundo cenário, o Datafolha incluiu Pablo Marçal (PRTB), que está inelegível mas registrou a candidatura. O índice dele foi de 2%.

Flávio e Lula empatam na rejeição

Mais uma vez, registra-se empate técnico no quesito rejeição entre Lula e Flávio. Questionados pelo Datafolha sobre os candidatos em que não votariam de jeito nenhum, 46% responderam Flávio e 45%, Lula. Também ocorre empate técnico no segundo pelotão entre Zema (16%), Renan (14%) e Caiado (14%).

Três dados atestam que há margem para alteração do cenário com a propaganda de rádio e TV: 27% dos entrevistados disseram que ainda podem mudar seu voto, os indecisos, brancos e nulos somam 11% na estimulada. E na espontânea, indecisos, brancos e nulos chegam a 38%.

A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e está registrada no TSE com o número BR-04496/2026. O Datafolha ouviu 2.058 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 18 e 20 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. _

Pelas pesquisas do Datafolha divulgadas na sexta-feira, três candidatos estariam eleitos no primeiro turno: Tarcísio Freitas (Republicanos) em São Paulo, Eduardo Paes (PSD) no Rio, e Raquel Lyra (PSD) em Pernambuco.

Como será dividido o tempo na TV

No dia 28, terá início o horário eleitoral em rádio e televisão. A divisão do tempo e a ordem de aparições dos candidatos foram anunciadas nesta sexta-feira pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS).

Na estreia, Luciano Zucco (PL) será o primeiro a aparecer na propaganda eleitoral, e terá também o maior tempo: 4 minutos e 24 segundos. Juliana Brizola (PDT) virá na sequência, com 2 minutos e 21 segundos.

Marcelo Maranata (PSDB) é o terceiro, com 30 segundos. Gabriel Souza (MDB) fecha o bloco dos candidatos a governador, com 1 minuto e 44 segundos. Nos demais dias, a apresentação segue o sistema de rodízio. 

aliás

Os oito candidatos ao Senado terão de dividir sete minutos diários. Marcel van Hattem e Sanderson terão o maior tempo (3 minutos e 25 segundos para dividirem), seguidos de Manuela d?Ávila e Paulo Pimenta, com 1 minuto e 49 segundos. Germano Rigotto e Frederico Antunes terão 1 minuto e 20 segundos.

Candidato do PL faz incursão de três dias por nove cidades da Serra

Candidato a governador pelo PL, Luciano Zucco escolheu um terreno fértil para encerrar a primeira semana de campanha nas ruas. Nos últimos três dias, Zucco fez uma incursão por nove cidades da Serra.

Em 2022, a maior parte dos votos foi para os candidatos do PL: Onyx Lorenzoni, na disputa pelo Palácio Piratini, e Jair Bolsonaro, na corrida presidencial.

A agenda terminou na sexta-feira em Caxias do Sul, com caminhadas pelas ruas da região central e visitas a comitês de candidatos aliados.

Antes de Caxias, o candidato do PL passou por Vacaria, Lagoa Vermelha, Guaporé, Bento Gonçalves, Nova Prata e Veranópolis, Garibaldi e Farroupilha. _

Grendene doa R$ 2,5 milhões para campanha de Zucco

Menos de uma semana depois do início da campanha, apenas dois candidatos a governador apresentaram relatório parcial sobre recursos recebidos na campanha. O primeiro é Luciano Zucco (PL), que ganhou, de uma só vez, R$ 2,5 milhões do empresário Alexandre Grendene.

Pela legislação eleitoral, empresas não podem fazer contribuições para campanhas, mas seus donos podem doar como pessoas físicas.

A única outra campanha que registrou entrada de recursos é a de Rejane Oliveira (PSTU) - R$ 500 doados por Marcela Azevedo. _

Van Hattem no topo das doações

Entre os candidatos ao Senado, a maior entrada de recursos foi registrada por Marcel van Hattem (Novo). O deputado recebeu um total de R$ 651 mil nestes primeiros dias, sendo R$ 500 mil do diretório estadual do partido e o restante de doações de pessoas físicas: R$ 50 mil de Marcos Ribeiro Simon, R$ 30 mil de Valdomiro Remussi, R$ 20 mil de Antonio Augusto Bastos Filho e R$ 15 mil de Marina Helena Santos.

A assessoria de Marcel informa que esse dinheiro repassado pelo partido é de doações privadas e não do fundão eleitoral. A lista das pessoas que doaram para a sigla pode ser conferida no site DivulgaCand, do TSE.

Ainda sem incluir na campanha, Van Hattem também arrecadou mais de R$ 726 mil em vaquinha online. Em segundo lugar, vem Ubiratan Sanderson (PL), que recebeu R$ 100 mil do empresário Celso Rigo.

Paulo Pimenta declarou duas doações de pessoas físicas, no valor total de R$ 50 mil, sendo R$ 30 mil de recursos próprios e R$ 20 mil da esposa Cláudia Pereira Dutra.

Os demais não apresentaram relatório parcial de receita ou despesa. _

POLÍTICA E PODER

22 de Agosto de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Mudança na Lei Seca é vitória do bom senso

Quem dirige sob efeito do álcool põe outras pessoas em risco. Logo, é fundamental que a mão forte do Estado atue sobre quem assume a possibilidade de matar. Havia, no entanto, uma lacuna sobre outras drogas, que são tão graves quanto a cerveja, o vinho e os destilados ao serem combinadas com a direção. Drogas psicoativas, como o próprio nome diz, também modificam o comportamento.

Por isso, é muito positiva a mudança na chamada Lei Seca, que passa a exigir, nas abordagens, o uso de equipamentos que também detectem o consumo de outras drogas. Cabe, agora, aos Estados, fazer sua parte e comprar os aparelhos, que, por enquanto, ainda são limitados quanto ao índice de presença no sangue para o caso das substâncias psicotrópicas. Detectar presença é uma coisa, a quantidade, outra. Com álcool também se evoluiu assim.

Sobre a adoção de uma triagem e um segundo olhar sobre o fenômeno do álcool residual, há uma vitória do bom senso. Primeiro, porque o pré-teste não é punitivo. Tem foco na orientação. Segundo porque a realização de uma fase de seleção, antes do teste do etilômetro, pode acelerar o processo da blitz. Nem todo mundo faz "bafômetro", nome popular do equipamento, processo que, muitas vezes, é demorado.

Sobre o álcool residual, também vitória do bom senso: uma pessoa que come um bombom de liquor ou faz uso do enxaguante bucal não pode ser tratada da mesma forma de quem ingere álcool e assume a direção de um veículo. A oportunidade de fazer o segundo teste já é de praxe nas blitze, mas, agora, passa a ser regulamentada. _

Arroz de Canoas para a Colômbia

Um avião com 19 toneladas de arroz saiu de Canoas, na Região Metropolitana, para a Colômbia. A carga é uma resposta ao pedido de assistência formulado pelas autoridades colombianas após o terremoto que atingiu o país no último dia 10 de agosto.

As doações partiram na quinta-feira, com a estimativa de chegar a Pereira, uma das cidades mais afetadas, nesta sexta-feira.

A doação segue a bordo da aeronave cargueira KC-390, da Força Aérea Brasileira (FAB). O arroz é proveniente dos estoques públicos do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), administrados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência da República, a quantidade de material doado não compromete o abastecimento nacional.

O epicentro do terremoto que atingiu a Colômbia há cerca de dez dias foi em San José del Palmar. O episódio teve magnitude 7,4, deixando 319 mortos e 4,5 mil feridos. _

Parceria entre TJRS e Corte internacional

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) e a Corte Interamericana de Direitos Humanos assinaram um acordo de cooperação para fortalecer o diálogo entre o Judiciário gaúcho e o Sistema Interamericano de Direitos Humanos. Com a assinatura, o TJRS é o primeiro tribunal do Sul e o primeiro de grande porte no país a firmar essa parceria.

O acordo visa ao intercâmbio de experiências e boas práticas na proteção dos direitos humanos e à melhoria da prestação jurisdicional, além de ampliar a difusão da jurisprudência interamericana. Estão previstas pesquisas, eventos acadêmicos conjuntos e a oportunidade de estágios. _

Entrevista - Lilia Frankenthal
Advogada criminalista e presidente da Aviva18

"Posso ser sionista e ser contra a política do governo de Netanyahu"

Advogada criminalista e presidente da Aviva18, Lilia Frankenthal está lançando o livro O Antissionismo Impossível - História, Direito e Crime na Negação da Autodeterminação Judaica. Na obra, ela reúne história, direito penal e análise da linguagem, explorando significados e consequências da negação da existência do povo judeu.

Por que o antissionismo é impossível, como a senhora afirma no título do livro?

Sionismo é o direito ao judeu de ter a sua autodeterminação. Até 1948, o antissionismo podia existir. Porque o sionismo era a meta de um projeto: Israel. Depois que Israel foi reconhecido e existe, o antissionismo não é mais possível. Porque aquele projeto, que era uma teoria, foi concretizado. Ser contra assentamentos, políticas de governo, guerras, é crítica legítima. Só que não é sionismo. O sionismo já conseguiu o que queria. Então, como você vai ser antissionista? Não existe mais, não é mais uma ideologia, não é mais uma coisa acadêmica.

Ações antissionistas não são recentes. O livro lembra episódios que já mostravam esse teor antes da fundação de Israel.

Para entender o conceito preciso voltar lá atrás porque as pessoas costumam dizer: "Claro, vocês foram expulsos de não sei quantos países". Mas o antissemitismo começou lá atrás. A primeira manifestação foi quando queriam que os judeus se assimilassem e adorassem os deuses que na época existiam, e eles se recusaram. Ali, começou. Não tem nada a ver com política, com sionismo, não tem nada a ver, inclusive, com Israel. O antissemitismo é algo anterior. Como durante milênios isso foi sendo repetido de diferentes formas, a desumanização do povo judeu vem existindo e culminou na Shoah (Holocausto). E continua, porque a primeira coisa que você precisa para ser racista é desumanizar o outro. Como os judeus vêm sendo desumanizados há muito tempo se tornam um alvo fácil de narrativas. O antissemitismo vem mudando de roupa.

Como explicar às pessoas que é possível criticar o governo de Israel sem negar a existência do Estado de Israel ou mesmo o direito de um povo de existir?

Sabe quem mais critica o governo de Israel? Os israelenses. Politicamente falando. Eu, se formos sentar para fazer crítica legítima, eu também tenho mil. Claro que Israel está mais dentro do meu coração e tem mais a ver comigo. Mas a crítica legítima faz parte da democracia. "Não concordo com o que o governo está fazendo, condeno a guerra, os assentamentos". Tudo isso é crítica legítima. Agora, quando colocam todos os sionistas, judeus, em um grupo monolítico, você está desumanizando aqueles indivíduos. Quando você desumaniza, você adota com uma narrativa falsa, como "os sionistas são todos genocidas". Posso ser sionista e ser contra a guerra. Eu posso ser sionista e ser contra a política do governo de Netanyahu. E não há nenhum problema nisso. Há uma diferença muito grande em você fazer a crítica legítima e a crítica a um grupo. 

INFORME ESPECIAL

sábado, 15 de agosto de 2026

15 de Agosto de 2026
EUGÊNIO ESBER

Aconteceu em Santa Rosa

"Sem pressa, foi cada um pro seu lado pensando numa mulher, ou num time."

Na terra em que nasceu e viveu, ninguém noticiou sua partida, na última segunda-feira. Nem a longa melancolia que foi devorando, aos poucos, a sua vontade de viver. E assim, sob um silêncio de amém, como cantou João Bosco em De Frente pro Crime, Seu Ronaldo Edison Richard morreu do coração, como se costuma dizer na sua Santa Rosa. 

E de desgosto, por certo, ante a indiferença dos circunstantes. Perseguido por crimes que não cometeu, viu-se, aos 63 anos, indefeso diante da brutalidade de um aparato judicial tirânico.

Em janeiro de 2024, a Polícia Federal esteve na casa de Seu Ronaldo, em Santa Rosa. Recolheu e vasculhou seu telefone. Ele não tinha estado em Brasília nos atos de janeiro de 2023, mas era preciso achar algo, qualquer coisa, para alimentar a sanha dos inquéritos de Alexandre de Moraes. A diligência encontrou mensagens em que o idoso ajudava a reunir pessoas para a locação de um ônibus com destino à capital federal, e custeou a passagem de um manifestante. Isso era tudo. 

Na verdade, era nada. Mas a Procuradoria-Geral da República, que até hoje não viu razão para abertura de inquérito contra Moraes pelas ligações milionárias com o liquidado Banco Master, foi implacável com Seu Ronaldo. Enquadrou o idoso como "financiador" de sabe-se-lá-o-quê e o denunciou por cinco crimes: associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, golpe de Estado, dano qualificado ao patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

Moraes, o carrasco da liberdade de imprensa e de tantas outras garantias constitucionais, estava pronto para sentenciar Seu Ronaldo, que já estava com seus bens bloqueados. A morte abreviou a excruciante espera por uma pena descabida. "O Brasil ainda vive as conseqüências de um 8 de janeiro que parece não ter acabado", disse Ana Maria Cemin, a jornalista gaúcha que se tornou voz essencial na denunciação do arbítrio e da perversidade da juristocracia brasileira. 

"Três anos e meio depois, já são 11 mortos. Vidas atravessadas por medidas extremas, processos longos, restrições severas e uma máquina estatal que não recuou - nem diante da fragilidade humana."

A propósito: a lei da dosimetria de penas, tímida correção dos abusos praticados pelo STF, foi promulgada pelo Congresso Nacional há 98 dias. Um único homem, Alexandre de Moraes, engavetou a lei, sob o silêncio cúmplice ou indiferente de quem tem o poder institucional para detê-lo. Mas... instituições? Que instituições? Como escreveu a jornalista norte-americana Mary Anastasia O?Grady no Wall Street Journal, houve, sim, um golpe de Estado no Brasil. Mas quem o promoveu foi a própria Suprema Corte brasileira. _

EUGÊNIO ESBER

 

15 de Agosto de 2026
PAULO GERMANO

A rebeldia dos covardes

Depois de anos de abandono, tapumes e obras, um dos monumentos mais extraordinários de Porto Alegre finalmente ensaia uma ressurreição. O icônico viaduto da Borges foi restaurado e agora recebe os primeiros lojistas de um projeto que pretende devolver cultura, gastronomia e gente às suas arcadas. Pois nesta semana, quando a cidade começava a reaver esse pedaço de si, alguém surgiu com a velha lata de spray para esculhambar. E lá foi a prefeitura, pela 11ª vez desde a entrega da reforma, há quatro meses, gastar tempo e dinheiro para apagar os garranchos.

Acho curioso que, no meio cultural e acadêmico, há sempre algum pudor em criticar essa modalidade de vandalismo. Como se reprovar a pichação fosse elitista ou insensível. Como se cada rabisco carregasse a voz dos excluídos - e calar essa linguagem seria oprimi-los ainda mais. Só que é difícil chamar de linguagem o que não comunica nada. São códigos que, no máximo, conversam entre si: funcionam como uma bolha grafada em concreto, indiferente ao resto do mundo, justamente num território concebido para ser de todos - o espaço público.

Houve uma época, de fato, em que pichar não só era justificável como era necessário. Na ditadura militar, por exemplo, pintavam-se as paredes para alertar a sociedade sobre o regime tirânico. Porque, claro, só tinham sobrado as paredes: a imprensa fora censurada, a oposição fora cassada, toda divergência fora calada. Não havia formas de se expressar, não havia redes sociais, então a pichação tornou-se uma rara via de contato entre a população e o outro lado.

Passado esse período de trevas, permaneceu uma aura romântica em torno de uma contravenção que, atualmente, só serve para alimentar vaidade. As pichações não têm indicativo político, não incitam reflexão, não defendem mudanças, não denunciam coisa nenhuma: são apenas sinais ou nomes cifrados que, se por um lado exigem ser vistos, por outro negam o direito de alguém responder.

Aliás, o que mais me incomoda não é a rabisqueira, é a covardia. Quer pichar o Palácio Piratini? Vá lá - ao menos haveria alguma contestação ao poder. Mas a escolha recai sempre sobre o alvo mais frágil: a vendinha da esquina, a escola pública, o prédio histórico, a pracinha do bairro. O spray castiga quem mal consegue pagar uma demão de tinta, mas recua diante da mansão com segurança na porta. Que diabo de rebeldia é essa?

Arquitetos e engenheiros gastaram anos projetando cada detalhe do viaduto da Borges. Não existe arrogância maior do que alguém decidir, sozinho, que a própria marca deva se sobrepor a um patrimônio coletivo de quase cem anos. É aí que desaba a retórica de que a pichação seria um ato de apropriação do espaço público: ora, o espaço é público justamente porque ninguém tem o direito de tomá-lo para si. 

PAULO GERMANO

Suco de atraso

No pódio dos sufixos ismo que conspiram contra um Brasil moderno, o patrimonialismo disputa a medalha de ouro. A palavra define a prática de encarar o ente público e as leis como propriedades das quais a autoridade pode usufruir a bel-prazer tão logo chegue a uma posição de poder.

As esdrúxulas quebras de sigilo de um jornalista do Maranhão e de sua fonte devido a reportagens envolvendo o ministro do STF Flávio Dino são um caso explícito de patrimônio coletivo - a Constituição de 1988 - confiscado por interesses pessoais. 

Nossa lei maior diz taxativamente em seu artigo 5º, inciso XIV, que é "resguardado o sigilo da fonte, quando necessário para o exercício profissional". Não há outra leitura, mas ainda assim o ministro Alexandre de Moraes autorizou a quebra de sigilo de um jornalista para chegar a sua fonte, um ex-secretário de Estado do Maranhão, e também violar seu sigilo. Patrimonialismo com corporativismo dá nisso.

Pois ambos os ismos se agarraram com tanta força ao Supremo que ministros chegam a comandar casos que envolvam a si, como o fez Dias Toffoli no mega Master escândalo antes de o STF ficar ruborizado, ou não veem nada de mal nas intenções de Daniel Vorcaro, rei do trânsito nas sombras em Brasília, ao fechar contrato de R$ 129 milhões com o escritório da esposa e filhos, como Alexandre de Moraes. 

O suco de patrimonialismo só é espremido porque os donos do poder convidam a rede de contenção para o festerê. É assim que a vanguarda do atraso toma conta do Congresso e avança sobre os topos das carreiras públicas por meio de benesses inalcançáveis por outros mortais.

Muitos se transformam em beneficiários do modelo patrimonialista porque assim o é desde os tempos coloniais. Em um belo dia, o sujeito busca um lugar para sua maleta no bagageiro sobre o assento 23C no voo para Brasília. No outro, está chamando jatinho como quem pede carro de aplicativo. Em um dia, ele está indo de táxi para o trabalho. 

No outro, o motorista o aguarda em um carrão preto e, prestativo, carrega sua pasta. Bastam algumas semanas para que essa autoridade esqueça o funcionamento das maçanetas, porque sempre haverá um bedel a lhe abrir as portas à frente. Para torcer as leis a seu favor, é só mais um passo na trilha de regalias.

Já houve um tempo em que ministros do STF faziam fila em aeroportos, tomavam táxis e conviviam com um país que não promove convescotes em Lisboa. Eram celebrados como guardiões do Estado democrático de direito. Agora, o tratamento conferido a uma rusga maranhense rompe mais um elo entre um STF já dilacerado em alas e o necessário distanciamento para fazer valer a Constituição. Convenhamos: o patrimonialismo não é a melhor forma de a Suprema Corte recuperar a credibilidade e a confiança dos cidadãos. 

MARCELO RECH 

 

15 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

Largada para a eleição

Começa oficialmente neste domingo a campanha às eleições de outubro que definirão o próximo presidente do país, os governadores de 27 unidades federativas e representantes legislativos para Senado, Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas. De acordo com o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos e partidos estarão liberados para ir às ruas e ocupar as plataformas digitais com o propósito de apresentar seus nomes e seus projetos aos 155 milhões de eleitores aptos a votar. É, portanto, um momento importante da democracia brasileira, caracterizado principalmente pela ampla e irrestrita liberdade dos eleitores para escolherem seus governantes e representantes políticos.

O Brasil ainda vive um clima de polarização no âmbito federal, comprovado por diversas pesquisas eleitorais que apontam empate técnico entre os candidatos mais cotados e altos índices de rejeição para ambos. Mas essa dicotomia também faz parte do jogo democrático, desde que não derive para a radicalização, o ódio e a violência. Essa, certamente, deve ser a principal preocupação da Justiça Eleitoral, dos órgãos de segurança pública e das lideranças políticas no momento em que os militantes partidários estão autorizados a propagar mensagens e a empunhar bandeiras e cartazes.

Nesse contexto, cabe ao eleitor o papel mais importante, que é o de identificar entre múltiplos pretendentes aos cargos em disputa quais as propostas mais responsáveis, factíveis e que melhor atendem às demandas coletivas da população. Informação, portanto, é a palavra-chave deste verdadeiro vestibular de democracia a que o país está novamente submetido. Mais do que nunca, numa época em que a tecnologia digital avança velozmente e a inteligência artificial mascara a realidade, o eleitor brasileiro precisa se manter atento para não ser ludibriado e para buscar informações verdadeiras que lhe permitam fazer as melhores escolhas políticas.

Para tanto, o caminho mais sensato é manter permanente ceticismo em relação às mensagens de ódio, às notícias pouco fundamentadas e aos ataques pessoais divulgados principalmente pela internet e pelas redes sociais - e, ao mesmo tempo, buscar a comprovação no jornalismo profissional e nos veículos de comunicação reconhecidos como responsáveis, com endereço e CPF, cumpridores da técnica da verificação e dos princípios éticos do ofício de comunicar.

Também é imprescindível que os potenciais eleitores evitem repassar mensagens falsas e se mantenham vigilantes em relação a manipulações, condicionamentos e ao assédio eleitoral, pois o exercício consciente da cidadania - mais do que intenções e ações dos ocupantes de cargos públicos - é o que leva um país a se desenvolver e um povo a realizar os seus ideais de liberdade, prosperidade e justiça. 


15 de Agosto de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Pesquisa indica que esta será a eleição do medo

Divulgada às vésperas do início da campanha eleitoral, a pesquisa Quaest que mostra o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) tecnicamente empatados na simulação de segundo turno indica que esta será também uma disputa de rejeições e uma eleição entre dois medos.

No segundo turno, Lula tem 43% das intenções de voto e Flávio, 40%. Respeitada a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, esse placar é quase o mesmo do medo dos eleitores. De acordo com a Quaest, 45% dos eleitores temem a volta da família Bolsonaro ao poder e 41% têm medo da permanência de Lula no Palácio do Planalto.

Os números são compatíveis com a rejeição dos dois candidatos. Neste quesito, Lula e Flávio também estão empatados: 54% responderam que conhecem Flávio e não votariam nele e 52% disseram o mesmo sobre Lula.

Nas intenções de voto, a novidade na Quaest em relação a ela mesma é que Flávio vem recuperando terreno e hoje a vantagem de Lula no primeiro turno é de sete pontos percentuais, fenômeno já detectado por outros institutos. Lula tem 38% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio, 31%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, significa que Lula pode ter entre 36% e 40% e Flávio entre 29% e 33%.

Como já se viu em outras pesquisas, o pelotão de baixo não consegue sair do chão. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) têm 4%, Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante), 2%. Samara Martins (UP) tem 1% e os demais, zero. São eles: Edmilson Costa (PCB), Clariana Barão (DC), Hertz Dias (PSTU), Leonardo Avalanche (PRTB), Rui Costa Pimenta (PCO) e Wilson Grassi (Democrata). Brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar somam 8% e os indecisos, 10%.

Um dado que o cidadão precisa prestar atenção é o da pesquisa espontânea. É aquela em que se pergunta ao eleitor em quem ele pretende votar, sem apresentar uma cartela com o nome dos candidatos. Nessa pergunta, que é das primeiras feitas ao eleitor, 51% responderam que não sabem. O que isso significa? Que a eleição ainda não está na cabeça do eleitor. Sem ver a lista com o nome dos candidatos, 25% citaram Lula e Flávio, 19%.

A pesquisa foi encomendada pela TV Globo em parceria com o jornal O Globo. A Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro da pesquisa é BR-06773/2026. _

Erechim fica em 1º no Ideb entre as 20 maiores cidades do Estado

Das 20 maiores cidades do Rio Grande do Sul, Erechim, no Alto Uruguai, conquistou o primeiro lugar no Ideb nos anos iniciais e nos finais do Ensino Fundamental. Nos iniciais, a média foi de 6,9. Nos finais, 5,8. A título de comparação, Porto Alegre ficou em último nesse ranking. A Capital aparece em 18º lugar na tabela porque há empates no 14º dos anos iniciais e no 16º dos finais entre São Leopoldo e Rio Grande. Qual o segredo de Erechim para um resultado tão expressivo? O prefeito Paulo Polis (MDB) tem a resposta na ponta da língua:

- Educação não é uma corrida de cem metros. É uma maratona. Exige continuidade. Em 2021, quando voltei à prefeitura, depois de quatro anos, retomamos projetos que tinham sido interrompidos. Aprovamos um plano de carreira que estimula a qualificação dos professores, adotamos os mesmos métodos dos colégios maristas e temos capacitação permanente pela Universidade Federal da Fronteira Sul. A merenda escolar é comprada de produtores da região e temos cinco nutricionistas para preparar o cardápio a ser servido para as crianças. _

O que leva Alcolumbre a destravar a pauta de projetos caros ao governo

Um dia depois de o presidente do PSD, Gilberto Kassab, vice de Ronaldo Caiado, ter dito que o centrão está com o presidente Lula e que Flávio Bolsonaro não tem chance na eleição, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, aceitou destravar pautas caras ao governo, como o fim da jornada 6x1. O que uma coisa tem a ver com a outra? Alcolumbre é um dos próceres do centrão e estava rompido com Lula.

Ambos reataram a relação. O senador sabe que votando ou não, Lula vai usar o trabalho do governo pelo fim da escala 6x1 na campanha. Então, melhor faturar dividendos eleitorais com tema que tem ampla aprovação dos trabalhadores. E Alcolumbre e Hugo Motta sonham com mais um mandato na presidência das respectivas Casas. Ficar bem com o líder das pesquisas é meio caminho andado para se cacifar. _

Manuela conquista título de doutora

Depois de anos dormindo tarde e acordando cedo para conciliar os estudos com as atividades políticas (mesmo sem mandato e sem disputar eleição desde 2018), a ex-deputada Manuela D?Ávila conquistou o título de doutora. Candidata ao Senado pelo PSOL, Manuela fez mestrado e doutorado em Políticas Públicas na UFRGS e defendeu tese sobre moderação de conteúdo na internet e a conformação de agenda no Brasil nas últimas duas décadas.

- Isso ninguém me tira - disse.

Nesse período, passou uma temporada nos EUA com a família, estudando, e criou o instituto E se Fosse Você?, destinado a estudar a violência na internet e a apoiar vítimas do ódio digital. Graduada em Jornalismo, escreveu cinco livros nos últimos anos, abordando violência de gênero, feminismo e maternidade. 

De R$ 1 mil a quase R$ 1 milhão declarados

Tem candidato que declarou ter exatos R$ 1 mil, enquanto outro informou quase R$ 1 milhão em bens. Estes são os patrimônios dos postulantes a governador(a) do Rio Grande do Sul, que aparecem nos registros das candidaturas na Justiça Eleitoral.

Na declaração, os concorrentes devem informar os elementos que constituem o patrimônio, como imóveis, veículos, aplicações financeiras, ações, participações em empresas e dinheiro em espécie.

O processo é feito pelo próprio candidato, que fica sujeito à análise da Justiça Eleitoral em caso de indícios de irregularidades. _

Total do patrimônio informado

Gabriel Souza (MDB) R$ 935.461,08

Juliana Brizola (PDT) R$ 376.137,78

Luciano Zucco (PL) R$ 709.304,00

Marcelo Maranata (PSDB) R$ 249.805,00

Priscila Voigt (UP) R$ 1.000,00

Rejane de Oliveira (PSTU) R$ 498.000,00

POLÍTICA E PODER

15 de Agosto de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Invasão terrestre é atacar PCC e CV?

Diante da fala do secretário de Guerra Pete Hegseth de que o governo dos EUA pretende realizar operações terrestres contra organizações do narcotráfico na América Latina, é tentador pensar em invasões em larga escala, como as de Granada e do Panamá, ou nas guerras do pós-11 de Setembro, no Afeganistão e no Iraque. Não seria assim.

O modelo estaria mais próximo de ações como a de 2026, que capturou Nicolás Maduro; a que capturou Manuel Noriega, em 1990; ou a incursão que matou Osama bin Laden, em 2011.

Mas, aqui, ideias são tão importantes quanto as possíveis operações. Hegseth anuncia a importação para a América Latina da lógica da Guerra ao Terror: grupos criminosos deixam de ser tratados como problema policial e passam a ser inimigos militares passíveis de localização e eliminação. A novidade é a possibilidade de os EUA participarem diretamente da execução dos alvos.

A partir disso, é possível imaginar uma ação americana contra o PCC e o Comando Vermelho. Isso não significa que Trump já esteja autorizado a bombardear o Brasil. A designação terrorista e o uso da força militar são diferentes.

"Ataques em terra" não significam necessariamente soldados avançando pelo território. Podem incluir bombardeios aéreos, drones ou mísseis contra alvos terrestres.

Outra medida plausível seria ampliar o bloqueio financeiro: congelamento de bens, sanções contra pessoas e empresas, bloqueio de transações e punições a bancos ou intermediários.

Também poderiam ocorrer ataques cibernéticos. Outra frente seria a vigilância de comunicações, do rastreamento de recursos, do compartilhamento de dados e imagens de satélite e da identificação de integrantes das facções.

Lideranças ou representantes do PCC e do CV que circulem por Paraguai, Bolívia, Colômbia, Equador ou outros países aliados poderiam ser alvos de operações conjuntas. Essa é uma possibilidade real, porque não dependeria da autorização brasileira.

Um laboratório, uma pista clandestina, poderia ser atacada no Equador ou na Colômbia, desde que o governo local autorizasse. O grupo seria brasileiro, mas a operação não ocorreria no Brasil.

Outra possibilidade seria a interceptação de lanchas ou cargas atribuídas às organizações em águas internacionais ou em territórios de países parceiros.

Incursão no Brasil seria o cenário mais extremo e, hoje, na minha avaliação, o menos provável. Sem autorização do Planalto, seria uma violação da soberania e abriria uma crise diplomática extrema, o que poderia levar ao rompimento das relações diplomáticas, o mais alto grau de degradação dos contatos entre países. 

Dom Jaime recebe honraria

O arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB, cardeal dom Jaime Spengler, recebeu nesta semana a Ordem do Mérito do Trabalho. A honraria, entregue pelo Tribunal Superior do Trabalho, homenageia instituições e personalidades que se destacam pelas atividades ou serviços prestados à sociedade e à Justiça do Trabalho.

Entrevista - Edmundo de Carvalho Pinheiro

Presidente do Conselho Diretor da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU)

"Sem transporte público como espinha dorsal, cidades travam"

Edmundo de Carvalho Pinheiro, presidente do Conselho Diretor da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, defende uma política nacional de financiamento do transporte público como forma de ampliar os investimentos necessários para melhorar a qualidade do serviço. Durante a feira Lat.Bus 2026, em São Paulo, ele concedeu uma entrevista à coluna.

O passageiro deixou de estar no centro das discussões sobre transporte público?

Um dos grandes problemas que o setor apresenta nesse momento é a queda da demanda de passageiros por modos coletivos. Na pandemia, sofremos uma forte redução de demanda, mas essa demanda até hoje não foi recuperada. Estamos com 77,5% da demanda que existia de passageiros nas cidades brasileiras antes da pandemia. Esse fenômeno já vem acontecendo nos últimos 10 anos. 

A participação dos modos coletivos na matriz de mobilidade nos últimos 10 anos caiu de 45% para 30%. Entre os modos individuais, chama atenção as motocicletas, que saltaram de 1% para mais de 10% nesse período, trazendo uma série de consequências, por exemplo o aumento de acidentes.

Por que na Europa usam muito o transporte público e aqui é visto como algo inferior?

Tem uma frase do Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá, que ficou famosa em todo o mundo: país rico é aquele no qual até o rico anda de transporte público, não que o pobre anda de automóvel. Tive a oportunidade, no mês passado, de coordenar uma comitiva em uma visita técnica a Barcelona, que é muito parecida com a minha cidade natal, Goiânia. 

São cidades que têm a mesma população, a mesma frota, mas há uma diferença. Barcelona, apesar de ser muito mais rica, tem mais pessoas andando de ônibus. Por que isso? Lá o transporte tem maior qualidade. Por que tem maior qualidade? Esse é o debate que estamos fazendo.

Em Porto Alegre, existe a polêmica sobre o uso de ar-condicionado. Quais os atributos para melhorar o transporte coletivo?

Há uma série. Conforto, com certeza, é um dos atributos importantes quando fazemos pesquisas de avaliação. O tempo também é algo fundamental para as pessoas. Segurança é um problema que, cada vez mais, tem sido apresentado. Hoje, as pessoas, especialmente as mulheres, têm insegurança para ir a um ponto (de ônibus) na madrugada. Também a confiabilidade, a regularidade, isso é muito importante. 

É um conjunto de atributos. A grande questão é que, para que você possa melhorar a qualidade, isso custa mais. E o transporte, como ele é para todos, você não pode aumentar o preço. Você precisa de um transporte de qualidade, que atenda até o rico, mas que seja acessível a qualquer cidadão.

O comportamento das pessoas mudou com a pandemia, principalmente com o teletrabalho. Ainda impacta?

A questão tecnológica contribuiu para a redução. Mas mesmo com o home office, continuamos vendo problemas graves de engarrafamento, de sinistralidade, com problemas ambientais, com os automóveis tomando espaços públicos, tomando praças. Exatamente essa é a questão: mesmo que mude o hábito das pessoas, se não tivermos um transporte público como espinha dorsal da mobilidade das cidades, elas vão travar. Eu diria que vão até colapsar. 

Temos de seguir o exemplo daquelas cidades que estão conseguindo reduzir a quantidade de carros nas ruas, aumentando as áreas verdes e de convívio. Aquilo que alguns urbanistas estão defendendo: cidade para pessoas, que vai contra o modelo que temos no Brasil, no qual grande parte do custo da sociedade está indo para financiar indiretamente o automóvel. Na medida que você tem que colocar recurso público para fazer um viaduto, você está destinando recursos de toda a sociedade para atender a uma parcela. Isso deveria ser para todo o transporte público. _

INFORME ESPECIAL

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

12 de Agosto de 2026
CARPINEJAR

Os efeitos colaterais das canetas nos restaurantes

Desde maio, já circula no Brasil uma caneta emagrecedora de produção nacional. A adesão é instantânea, quase inexplicável, numa bariátrica da consciência coletiva.

A aquisição dos medicamentos cresceu 23,2% no primeiro semestre deste ano. Somente no mês de junho, foram comercializadas 368 mil unidades. A pílula azul desbravou o caminho mercadológico para essa onda de procura. Quem diria: o responsável por elevar a libido gerou o rascunho da aceitação pública dos inibidores de apetite. Um para mais, outro para menos.

As canetas de semaglutida e tirzepatida operam na plataforma financeira como o Viagra em 1998: uma explosão de vendas impulsionada por consumidores dispostos a pagar do próprio bolso pelo medicamento, sem nenhuma cobertura de planos de saúde ou subsídio do governo.

Surgiu até uma nova expressão para a magreza súbita: "rosto de Ozempic". Quando o rosto murcha rapidamente. É uma epidemia. Todo mundo possui um conhecido ou familiar que usa um dos remédios.

Eles ajudam a neutralizar a fome porque imitam hormônios do intestino que mandam sinais para o cérebro. Provocam menos vontade de comer, retardam o esvaziamento do estômago e intensificam a sensação de saciedade.

Minha apreensão não é em relação a eles, mas à perigosa automedicação. Não é possível aumentar as doses por bel-prazer, tentando acelerar o processo para fazer bonito em alguma festa ou durante uma viagem.

Tomar remédio por conta é uma temeridade. Pode causar dor abdominal, constipação, diarreia, vômitos, náusea e fadiga, além de consequências adversas que exigem acompanhamento médico.

Agora quem sofre com os efeitos colaterais da disseminação das canetas são os restaurantes. Não sei qual será a sina dos rodízios, em especial churrascarias, pizzarias e galeterias. Banquetes livres estão ameaçados pela contenção da gula.

Não haverá mais sentido para o trânsito de espetos, para a abundância de massas. Perde-se o folclore de abrir o cinto para insistir em mais uma fornada e caber mais um pouco.

Uma pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, realizada com 1.417 estabelecimentos em todo o país, revelou que 61% dos endereços perceberam mudanças no consumo. Caíram drasticamente os pedidos de pratos principais e sobremesas.

Diminuiu, e muito, a quantidade de comida. As taras destinadas a pesar a refeição nos buffets a quilo resultam absolutamente modestas. A porção correspondente a uma só pessoa passou a ser dividida. Existe uma tendência por uma alimentação mais leve.

Ocorreu, também, a debandada considerável de clientes que almoçavam ou jantavam fora. Numa enquete feita pelo banco UBS com pacientes que utilizam medicamentos análogos de GLP-1, constatou-se que um terço deles prefere comer em casa.

Proprietários do setor gastronômico começam a pensar em reduzir as guarnições do serviço à la carte. Para evitar o desperdício. Para frear os gastos.

Apenas espero que não se repita o que aconteceu nos supermercados, com a manutenção dos preços em embalagens menores. Sabão em pó, amaciante e papel higiênico frequentemente apresentam queda de volume por valores semelhantes aos de antigamente. Diversos produtos com 1 litro acabaram achatados para 900 ml, 800 ml ou menos, numa prática chamada de reduflação.

Não mereço que os pratos emagreçam junto. Não tenho culpa. Continuo com a ansiedade da infância. _

CARPINEJAR

12 de Agosto de 2026
MÁRIO CORSO

Expresso 2222

Nossa estimativa de voo é de três gerações. Verifique se seu passaporte intergaláctico está válido.

Em caso de colisão com microasteroides, máscaras de oxigênio cairão automaticamente na sua frente. Coloque primeiro a sua antes de colocar no seu pet. Trave bem seu capacete antes de sair da nave.

Desligue seus aparelhos eletrônicos até ultrapassarmos o cinturão de Kuiper. Último posto de combustível antes de Andrômeda. Aproveite a promoção de energético de íons de tório para pagamento à vista.

Nas dobras do espaço/tempo, evite acenar para seus eus do passado. Faça refeições leves antes de atravessar áreas de turbulência eletromagnética.

Não abra o cinto de segurança quando a nave estiver próxima da velocidade da luz. Use protetor de raios cósmicos. É vedada a entrada de não humanoides na cabine da espaçonave.

Em caso de pane do sistema de gravidade artificial, agarre-se às boas lembranças.

Nossos banheiros são equipados com detector de fumaça. Passageiro pego fumando ficará na estação órbital, ou no planeta mais próximo. Não use maquiagem dentro da cabine de hibernação.

Evite soluçar ou espirrar durante o teletransporte, você pode ser duplicado. Em caso de duplicação, deve ser adquirida uma nova passagem.

A bagagem despachada pode chegar antes de você ter nascido. A empresa não se responsabiliza por paradoxos de entrega. Em caso de colisão com buraco de minhoca, mantenha a calma, você chegará antes de ter saído.

Objetos de mais de três dimensões devem ser despachados. Se notar o comandante em pijamas é porque o piloto automático está ativado. Se notares o piloto automático em pijamas, favor acordar o piloto.

Em caso de morte de passageiro, a família não ganha estorno do bilhete, apenas das refeições não consumidas. É gratuita a ejeção do corpo, desde que preenchido o formulário da escolha: ser arremessado em direção à alguma estrela, ou buraco negro. Lembramos que é proibido enterro em asteroides.

É proibido circular com pets sem colar gravitacional. A companhia não se responsabiliza por danos causados por fraldas de hibernação mal ajustadas. Taxa de limpeza será cobrada à parte. O comboio parte hoje de Bonsucesso e chega depois do ano três mil. 

MÁRIO CORSO

12 DE AGOSTO DE 2026
OPINIÃO RBS

A desconfiança como alerta

A mais recente pesquisa Genial/Quaest sobre a confiança dos brasileiros nas instituições públicas e privadas do país, divulgada no último domingo pelo jornal O Globo, traz subsídios valiosos para os candidatos a cargos públicos na próxima eleição, mas também para os atuais integrantes da administração do país e até para lideranças de organizações privadas. 

Consideradas naturais limitações técnicas de um levantamento por amostragem (2.004 pessoas ouvidas), o resultado indica claramente que as principais instâncias dos três poderes - a Presidência da República, o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional - continuam sendo vistas com preocupante descrédito por parcela expressiva da população brasileira. É um sinal de alerta que precisa ser considerado: a desconfiança persistente nas instituições públicas corrói a democracia e abre espaço para o autoritarismo.

Um aspecto extremamente significativo da sondagem é a aparição do Pix como instituição mais confiável dos brasileiros, com 80% de indicações. O sistema de pagamentos instantâneos instituído pelo Banco Central - e questionado pelo atual governo norte-americano como concorrência desleal às empresas de cartões de crédito - tem o apoio majoritário da população. 

Por quê? Por sua praticidade e eficiência e também por oferecer uma utilidade essencial para os usuários, como deveriam ser todos os serviços públicos. No detalhamento, a pesquisa demonstra também que o Pix detém a confiança de pessoas de todos os segmentos do espectro ideológico.

Depois dele, com alto índice de confiança na visão dos brasileiros entrevistados, aparecem a Igreja Católica (76%), a Polícia Militar (75%), os militares/Forças Armadas (70%) e os bancos (63%). Só então surgem instituições da estrutura administrativa: Presidência da República (57%), STF (50%) e Congresso Nacional (49%). 

A imprensa também é colocada nesta faixa pelos brasileiros consultados, com 50% de aprovação, indicativo de que precisa continuar investindo em precisão, transparência e credibilidade. Nas últimas posições do novo ranking aparecem os partidos políticos (44%) e as redes sociais (41%).

Cabe considerar que as instituições políticas, embora mal cotadas, apresentaram leve melhora em relação ao levantamento anterior do mesmo instituto, realizado em 2023. Mas o sistema político brasileiro carece de reformas estruturais aprofundadas para que os cidadãos passem a confiar mais nos seus representantes, com ações efetivas de aumento da transparência orçamentária, respeito às regras democráticas, combate à corrupção e prestação de serviços essenciais.

Aferições sistemáticas como o recente levantamento comprovam que todas as instituições nacionais - públicas e privadas - têm margem para aperfeiçoamento. Indicam, ainda, que os brasileiros precisam exercer melhor os seus direitos de cidadania, não apenas cobrando honestidade e eficiência dos entes políticos, mas também participando ativamente da vida do país - informando-se adequadamente, votando com consciência e acompanhando atentamente o trabalho dos seus representantes na administração pública. 

OPINIÃO RBS

12 de Agosto de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Não haverá vice decorativo nos próximos quatro anos no RS

Ganhe quem ganhar a eleição de outubro, o Rio Grande do Sul não terá o que Michel Temer chamou de "um vice decorativo". Pelo perfil dos companheiros de chapa de Gabriel Souza, Juliana Brizola, Luciano Zucco e Marcelo Maranata, nenhum é do tipo que se contenta em ganhar R$ 29,5 mil (brutos) para ficar em casa esperando o titular se afastar para assumir o cargo.

Ex-secretário do Desenvolvimento, Ernani Polo (PSD) já tem até missão definida para o caso de Gabriel se eleger governador. Será ele o interlocutor com os setores produtivos, como já vem ocorrendo na campanha, podendo retornar à secretaria, repetindo o que fez Ranolfo Vieira Júnior no primeiro governo de Eduardo Leite, quando foi secretário da Segurança. Outro exemplo é o do vice-presidente Geraldo Alckmin, que até março era ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

O vice de Juliana, Edegar Pretto (PT), é mais experiente do que ela e estaria concorrendo a governador se não fosse o acordo pelo qual o PT abriu mão da candidatura própria para apoiar o PDT. De perfis diferentes, Pretto já vem representando a chapa em setores onde ele tem mais trânsito ou quando a candidata prefere não comparecer, como ocorreu na segunda-feira na Transposul. Caso Juliana seja eleita, Pretto terá papel central no governo, repetindo o que ocorreu com Miguel Rossetto, vice de Olívio Dutra, que tinha gabinete na ala residencial do Piratini.

A deputada estadual Silvana Covatti (PP) também é bem mais experiente do que Zucco, seu companheiro de chapa. Ex-presidente da Assembleia e ex-secretária da Agricultura, Silvana é uma mulher que precisará ter um papel no governo, pelo que o PP representa na composição da aliança. Zucco tem dito que vai montar um secretariado mais técnico, com pessoas capacitadas na área em que vão atuar. Não seria a Agricultura a área de Silvana, mas pela sua biografia também não pode ser um gabinete sem trabalho efetivo.

Com perfil de atuar na linha de frente

Maranata escolheu inicialmente uma vice acostumada a colocar a mão na massa, a produtora rural Betty Cirne Lima, mas ela acabou cedendo ao apelo do governador Eduardo Leite e dos diferentes setores do agro para continuar à frente do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, como uma espécie de prefeita da Expointer. Maranata então puxou Cláudio Diaz, que seria candidato ao Senado, e fez dele seu vice. Pelo perfil, Diaz é um homem da linha de frente e não aceitaria ser apenas o substituto eventual. _

"Uma pedra em cima" das divergências com o enteado

O interesse político falou mais alto do que as rusgas pessoais entre o candidato do PL a presidente, Flávio Bolsonaro, e a ex- primeira-dama Michelle Bolsonaro, sua madrasta.

Ontem, Michelle enfim se encontrou com Flávio, tirou fotos, gravou vídeos para as redes sociais e disse ter colocado "uma pedra em cima" das divergências com o enteado.

É cedo para falar em reconciliação plena. Ela diz que aceitou o pedido de desculpas de Flávio, mas não esqueceu a forma como foi tratada. O mais preciso é falar em trégua.

Esse foi o primeiro encontro entre os dois, depois de levantarem a bandeira branca.

Questionada sobre a campanha, disse que não deve viajar pelo Brasil com Flávio porque precisa cuidar do marido, Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. _

Em busca de acesso a mais produtores

Na tentativa de ampliar o acesso dos produtores rurais às medidas de renegociação de dívidas anunciadas pelo governo federal, o governador Eduardo Leite expôs ontem ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, em Brasília, sua preocupação com a regulamentação que, no formato sugerido, atenderia apenas cerca de 10% dos agricultores.

Leite aproveitou para avançar nas negociações para adesão ao Propag, e sinalizou que o Estado deve oferecer cerca de R$ 20 bilhões em créditos de receitas futuras como ativos para amortizar o total da dívida. A divergência entre os dois se dá a respeito do índice de correção. _

Campanha nas ruas

Será em Porto Alegre a largada da campanha eleitoral dos principais candidatos ao governo e ao Senado, domingo.

O roteiro de Luciano Zucco (PL) deve começar pelo comitê em Porto Alegre, na Rua Voluntários da Pátria, seguido de mobilização em algum ponto da Capital, e depois seguir em direção a algum município da Grande Porto Alegre.

Juliana Brizola (PDT) fará caminhada e ato no Brique da Redenção, acompanhada de Edegar Pretto e dos candidatos da aliança ao Senado, Manuela D?Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT).

Gabriel Souza (MDB) deverá começar a campanha com um "adesivaço" na Capital, com a participação dos candidatos ao Senado da aliança, Germano Rigotto (MDB) e Frederico Antunes (PSD).

Marcelo Maranata (PSDB) ainda não definiu a agenda. _

Médicos do IPE Saúde terão reajuste

A partir de 1º de setembro, os honorários médicos pagos pelo IPE Saúde serão reajustados para se aproximar das tabelas dos principais planos de saúde. Consultas médicas para quem se credenciou como pessoa jurídica, por exemplo, passam para R$ 121. Para os médicos cadastrados como pessoas físicas, são R$ 84. Visitas médicas hospitalares a pacientes internados vão para R$ 60. Os valores de coparticipação pagos pelos segurados permanecem os mesmos. _

Vereador terá de remover vídeo

O vereador de Porto Alegre Jessé Sangalli (PL) terá de remover vídeo publicado nas suas redes sociais onde acusa o governo estadual de fazer chantagem eleitoral.

Segundo o parlamentar, Eduardo Leite e Gabriel Souza estariam exigindo apoio à candidatura do emedebista em troca da liberação de recursos para obras de reconstrução. Como não apresentou provas, a Justiça Eleitoral determinou a exclusão do conteúdo. _

POLÍTICA E PODER

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