sábado, 7 de março de 2026

Com perda de 5% na semana e abaixo de 180 mil, Ibovespa cai para nível de 26/1

No encerramento do dia, mostrava alta um pouco mais acomodada, de 1,86%, aos 178.858,54 pontos

No encerramento do dia, mostrava alta um pouco mais acomodada, de 1,86%, aos 178.858,54 pontos

ARTE/JC

Agências
Com contribuição importante de Petrobras após o balanço de 2025, o Ibovespa lutou ao menos para preservar a linha dos 180 mil pontos nesta semana em que acumulou perda de 4,99%. Porém, a pressão exercida pelo setor de metais e pelas ações de bancos colocou o índice aos 179.364,82 pontos no fechamento, em baixa de 0,61%. Com a tensão no Oriente Médio, o barril do Brent avançou 27% na semana e o do WTI, 35%, o que reforça as preocupações em torno da inflação global e da trajetória dos juros em um cenário geopolítico ainda incerto. Em Londres, o contrato futuro mais líquido do Brent subiu hoje 8,5% e, em NY, o do WTI, 12%, o que colocou ambas as referências acima de US$ 90 por barril.
A perda semanal do Ibovespa - no negativo pelo segundo intervalo consecutivo - foi a maior para o índice desde o período entre 7 e 11 de novembro de 2022 (-5,00%). Entre a mínima e a máxima desta sexta-feira, oscilou dos 178.556,49 até os 181.091,01 pontos, tendo saído de abertura aos 180.463,44. O giro financeiro foi a R$ 32,6 bilhões na sessão. No ano, o Ibovespa sobe 11,32%. No fechamento desta sexta-feira (6), o Ibovespa foi ao menor nível desde 26 de janeiro, então a 178,7 mil.
Na sessão, além da escalada do petróleo e da boa recepção ao balanço do quarto trimestre, a alta firme de Petrobras (ON +4,12%, PN +3,49%) pareceu refletir, também, um movimento de rotação a partir de setores de peso punidos pela aversão global a risco, como o metálico - destaque para Vale ON, em queda de 2,99%, e CSN ON, de 4,26% - e o financeiro, que mostrou recuo de até 2,51% (Santander Unit) no encerramento.
No começo da tarde, as ações de Petrobras ganharam impulso adicional durante a teleconferência sobre os resultados da empresa. Nela, a presidente da companhia, Magda Chambriard, reiterou que a política de preços da estatal considera tanto momentos de queda do barril do petróleo, como no ano passado, como no de alta, cenário atual.
"Vale a mesma coisa até agora", destacou, no que foi interpretado como um aceno de que os preços domésticos, na refinaria, podem vir a subir caso a escalada das cotações internacionais prossiga sem trégua. Mais cedo, nesta semana, a estatal havia indicado que não repassa a volatilidade externa para os preços internos.
Na ponta ganhadora do Ibovespa, além das duas ações de Petrobras, destaque também para outros nomes do setor de energia, como Brava (+4,61%), Prio (+4,27%) e Vibra (+2,31%). No lado oposto, além de CSN, apareceram Embraer (-8,05%), Vamos (-7,24%) e Raízen (-6,78%).
"Depois de um início de ano muito forte para a Bolsa brasileira, março começou com um certo ajuste de rota. O índice já vinha esticado, e quando o mercado está assim, qualquer notícia negativa vira gatilho para uma realização mais ampla", resume Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, referindo-se à percepção de risco global desde o ataque deflagrado no último sábado por EUA e Israel ao Irã, com desdobramentos ainda em andamento e reflexos não apenas para o mercado de ações e os preços do petróleo, mas também para o câmbio e os juros futuros.
No ano, os ganhos acumulados pelo Ibovespa, de 17,17% até o fechamento de fevereiro na sexta-feira anterior aos ataques, estão agora em 11,32%. Em dólar, o Ibovespa subia 25,26% até a última sexta-feira, em 2026. Agora, considerando também a apreciação de 2,14% do dólar frente ao real na semana, está em 16,52%. Na sessão, a moeda americana caiu 0,82%, a R$ 5,2438. Em Nova York, na sessão, Dow Jones -0,95%, S&P 500 -1,33% e Nasdaq -1,59%.
"O presidente Trump tem projetado repetidamente um prazo de pelo menos quatro a cinco semanas para encerrar o conflito, enquanto o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que não há limite para o direito de autodefesa do país. Atribui-se, agora, apenas uma chance em 3 de que as operações militares dos EUA terminem até o fim de março, abaixo dos mais de 80% de possibilidade logo após o ataque de sábado", diz Matthew Ryan, head de estratégia de mercado global da Ebury, referindo-se a dados da Polymarket, uma plataforma global de projeções de mercado.

Neste contexto de crescente incerteza geopolítica, o quadro das expectativas para as ações no curtíssimo no Termômetro Broadcast Bolsa, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, desta sexta mostra um mercado dividido. Entre os participantes, 37,50% disseram esperar alta para o Ibovespa na próxima semana e outros 37,50% preveem variação neutra, contra 50,00% e 25,00%, respectivamente, na pesquisa da semana passada. A fatia dos que projetam queda manteve-se em 25,00%. 

 CNA pede aumento do biodiesel no diesel para conter alta de preços

Pedido foi encaminhado ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em ofício assinado pelo presidente da CNA, João Martins da Silva

Pedido foi encaminhado ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em ofício assinado pelo presidente da CNA, João Martins da Silva

Reprodução/JC
Agências
 
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pediu ao governo federal o aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel no país de 15% para 17%. A entidade afirma que a medida ajudaria a reduzir impactos da alta do petróleo provocada pela escalada do conflito no Oriente Médio.
O pedido foi encaminhado ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em ofício assinado pelo presidente da CNA, João Martins da Silva.
Atualmente, o diesel vendido no Brasil já contém uma parcela obrigatória de biodiesel — combustível renovável produzido principalmente a partir de óleo de soja e outras matérias-primas vegetais. Esse percentual mínimo é definido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e hoje está fixado em 15%, prática conhecida no setor como B15.
Com o aumento defendido pela CNA, a mistura passaria para B17, ou seja, 17% de biodiesel e 83% de diesel de origem fóssil. A definição do percentual de biodiesel no diesel cabe ao CNPE, órgão responsável por orientar a política energética do país.
O conselho tem reunião prevista para a próxima semana, quando o tema poderá ser discutido. Caso aprovado, o aumento da mistura passaria a valer para todo o diesel comercializado no Brasil.

Preocupações

Segundo a entidade, o aumento da tensão no Oriente Médio tem pressionado os preços internacionais do petróleo, o que tende a elevar o valor do diesel no Brasil. O barril do petróleo tipo Brent, usado nas negociações internacionais, chegou a US$ 84, acumulando alta de cerca de 20% desde o fim de fevereiro.
Em carta ao governo, a CNA argumenta que conflitos internacionais costumam provocar efeitos diretos no preço dos combustíveis.
Brasília - O presidente da CNA, João Martins, defende aumento de biodiesel na mistura com o diesel, diante da guerra no Oriente Médio  (Marcelo Camargo/Agência Brasil) - Marcelo Camargo/Agência Brasil
A entidade cita como exemplo o período anterior à invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, quando o petróleo subiu cerca de 40% no primeiro semestre, com reflexos de altas de aproximadamente 21% no preço do diesel nas distribuidoras e de 23% na revenda.
Para a confederação, ampliar a participação do biodiesel no combustível pode ajudar a reduzir a dependência do petróleo importado e limitar pressões sobre os custos de transporte no país. "Em antecipação aos eventuais impactos à população brasileira, o avanço da mistura de biodiesel representa medida importante e sustentável para ampliar a oferta de combustível no mercado doméstico, reduzir pressões sobre os custos logísticos e fortalecer a segurança energética nacional", afirmou João Martins no documento enviado ao ministério.

Impacto no agronegócio

Atualmente, o preço do diesel representa a principal preocupação do setor produtivo, especialmente durante o período de colheita da primeira safra e preparação do plantio da segunda safra.
Produtores relatam elevação de até R$ 1 no preço do combustível nos postos. Com o aumento para 17% na mistura de biodiesel no diesel, avalia a CNA, os postos e as distribuidoras conseguem evitar repasses maiores aos consumidores e possíveis abusos de preços.

Matéria-prima

Do lado da produção, a CNA afirma que o Brasil tem condições de ampliar rapidamente o uso de biodiesel porque a safra de soja, principal insumo do combustível, está em andamento e deve ser recorde neste ano.
Com grande disponibilidade de matéria-prima e preços da soja mais baixos em relação aos níveis registrados durante a pandemia de Covid-19, a entidade avalia que o biocombustível pode permanecer competitivo.
CNA também lembrou que a mistura de 16% (B16) estava prevista para entrar em vigor em 1º de março, conforme o cronograma da política de biocombustíveis, mas ainda não foi implementada.

Conflito no Irã ameaça exportações gaúchas de carne de frango

Oriente Médio é a segunda região que mais importa carnes e miudezas do Rio Grande do Sul, atrás apenas da Ásia

Oriente Médio é a segunda região que mais importa carnes e miudezas do Rio Grande do Sul, atrás apenas da Ásia

Lucas Scherer/Embrapa Suínos e Aves/JC
Ana Stobbe
Ana StobbeRepórterA guerra deflagrada no Irã no dia 28 de fevereiro, e que envolve direta ou indiretamente outras regiões do Oriente Médio, tem ameaçado as exportações de carne de frango do Rio Grande do Sul. Afinal, a região é a segunda principal compradora do produto gaúcho — atrás apenas da Ásia —, tendo correspondido a 23,59% do comércio internacional de carnes e miudezas comestíveis do Estado em 2025, o equivalente a R$ 568,83 milhões, sendo as aves a maioria do volume comercializado. 
situação já tem preocupado a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), de onde provêm os dados sobre o comércio internacional. “Depois do tarifaço, já veio essa guerra (no Irã), que, queira ou não, atrapalha bastante os negócios. Já vi, por exemplo, que indústrias de frango pararam de exportar. Cada componente desse tem seu tipo de reação nas indústrias”, avaliou o presidente da entidade, Claudio Bier, em entrevista realizada durante o evento Marcas de Quem Decide, que aconteceu na terça-feira, 3 de março.
Irã, em si, está longe de ser um dos principais parceiros comerciais da pecuária gaúcha. As cifras de carnes e miudezas comercializadas com o país em 2025 não são significativas. Entretanto, nações vizinhas se destacam. Em especial, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, responsáveis por quase 60% das exportações do produto ao Oriente Médio.
Mas, além das vendas à região, o conflito prejudica exportações a outros locais, como a África e, inclusive, a Ásia, principal consumidora das carnes e miudezas gaúchas. O fluxo é grande, principalmente, via marítima, pelo Estreito de Ormuz, um canal que divide o Irã e o Omã e que foi completamente fechado no dia 2 de março, conforme anunciado pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês).
situação tem sido monitorada pela Associação Brasileira de Proteína Animal: “a ABPA e suas associadas estão mapeando e monitorando os pontos críticos à logística na área influenciada pelo conflito. Neste momento, o setor analisa rotas alternativas que foram utilizadas em outras ocasiões de crises na região”, afirmou a entidade em nota enviada à imprensa.
Por outro lado, há, ainda, a problemática dos preços dos combustíveis. Afinal, o Estreito de Ormuz é rota de 20% do petróleo comercializado no mundo. O efeito deve se traduzir no encarecimento do combustível — o que também amplia os custos das exportações.
Conforme o economista Gustavo Inacio de Moraes, em entrevista recente ao Jornal do Comércio, a combinação entre a alta nas cotações do petróleo e a desvalorização do real frente ao dólar afeta diretamente o mercado de combustíveis no Brasil, uma vez que os preços internacionais ditam a política adotada pela Petrobras. Vale ressaltar que o valor do petróleo e do gás disparou antes mesmo do fechamento da passagem.

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