sábado, 1 de fevereiro de 2025



01 de Fevereiro de 2025
ARTIGO

O cinema brasileiro ainda está aqui

Comemorar as indicações de Ainda Estou Aqui ao Oscar vai além de celebrar a memória do que não pode ser esquecido e de exportar a sensibilidade artística brasileira para o mundo. Por meio da conquista que resgata a autoestima cultural do país temos um movimento que promete se estender para além do dia da cerimônia de premiação, que é o reconhecimento de uma área com incontornável impacto social e econômico no Brasil: o cinema. O poder da expressão do ator Selton Mello, que vibrou afirmando que "Nós entramos para a história. Ainda estamos aqui: Eunice, Rubens, nós e vocês", é hoje compartilhada por cada um de nós que fazemos parte da indústria cinematográfica.

Atuando na cadeia produtiva do cinema como professora, vibro junto com Selton e com todos os meus colegas pela relevância social e histórica que ganha destaque mundial. A obra, que humaniza Eunice Paiva, transformando sua dor em resistência, não só resgata a memória de Rubens Paiva, mas alerta sobre a importância de preservar a democracia e combater o apagamento histórico, se tornando uma reflexão sobre o passado e uma advertência para o futuro.

Tecnicamente, além da direção e da atuação impecável de Fernanda Torres, o filme é fortalecido por um roteiro sólido, direção de fotografia que nos transporta para os anos 1970 e um elenco talentoso, justificando as indicações ao Oscar. Mas mais importante do que qualquer prêmio é o apoio dos brasileiros ao cinema nacional, essencial para que nossa indústria siga gerando filmes de qualidade.

Na sala de aula, o filme vai se transformar em um ensinamento poderoso. Certamente, inspira futuros cineastas a manterem viva a chama da resistência e a lutarem por uma produção nacional relevante. O maior prêmio é a transformação que essas histórias proporcionam - não apenas nas telas, mas também nas mentes e corações de quem assiste a elas, de quem dedica a vida atuando nesta indústria, que gera milhares de empregos e movimenta a economia criativa. _

Helena Stigger - Professora e coordenadora da graduação em Produção Audiovisual da Escola de Comunicação

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