quarta-feira, 7 de janeiro de 2026



07 de Janeiro de 2026
CARPINEJAR

Mesmo nos dias ruins

Acontece com frequência. Ao telefonar para um amigo com o propósito de desabafar, pois estou com um desencanto, ele nem me deixa cumprimentar direito e já diz que eu não morro mais, que estava falando de mim naquele exato momento.

É tão bom ouvir isso. Recebo uma imortalidade de graça. Uma sobrevida. Não me sinto só: alguém se lembra de mim, alguém demonstra saudade de mim, faço falta.

É mais do que uma feliz casualidade, é uma ressurreição. Minhas lamúrias se tornam menos pesadas, minhas aflições passam a parecer contornáveis. A qualquer hora, podemos ser influenciados por uma delicadeza.

Não devemos menosprezar os dias ruins. Ou sequer jogá-los fora. É como uma fruta levemente passada - corta-se com a faca a parte podre e se aprecia o restante da polpa. Mesmo nos dias ruins, haverá um fato positivo, de arrebatamento, de novidade, de estreia, de pertencimento, de espetáculo ao nosso redor. Mesmo nos dias ruins, de adoecimento ou prostração, você conhecerá tréguas de saúde.

Mesmo nos dias ruins, de exames difíceis na escola, haverá um recreio para descansar um pouco e espantar o nervosismo.

Mesmo nos dias ruins, cercados de lágrimas, você conseguirá rir de uma piada, de um diálogo, de uma extravagância. Mesmo nos dias ruins, você dará um jeito de se distrair e esquecer os pensamentos turvos por um instante, guardar a dor no bolso para usar depois. Mesmo nos dias ruins, existirá um entardecer acachapante, uma lua cheia, um vento refrescante, um sol espelhado nas águas, uma música comovente, um livro inspirador ou uma cena a suscitar seu enlevo.

Mesmo nos dias ruins, seu cachorro talvez queira brincar, e você terá de atirar a bola e o desânimo para longe. Mesmo nos dias ruins, a vontade de amar será capaz de superar a tristeza de não ser amado.

Mesmo nos dias ruins, de tempestade forte e constante, os relâmpagos revelarão a saída na montanha.

Mesmo nos dias ruins, será possível um contato, um agrado inesperado, uma visita, uma frase de incentivo, um ombro, um colo ou um apoio surgir de repente e despertar a sua sensibilidade.

Mesmo nos dias ruins, uma refeição exibirá o poder de devolver o seu prazer de estar à mesa. Mesmo nos dias ruins, o café exalará o cheiro de um começo, e a xícara fumegante aquecerá as suas mãos e a sua coragem.

Mesmo nos dias ruins, mesmo nas quedas mais abruptas, você contará com uma rede de afetos para cair protegido. Mesmo nos dias ruins, antes da meia-noite, certamente se verá surpreendido por singeleza avulsa, e não apagará mais aquela data por completo.

Mesmo os dias ruins ainda são nossos dias: tempo correndo e se transformando, com inúmeras chances para evoluirmos e nos aperfeiçoarmos.

Os dias ruins nunca são inteiramente ruins, jamais serão dias perdidos. Mesmo nos piores dias de nossa vida, brilha a esperança de se admirar algo bonito. Eu não morro mais por antecipação. 

CARPINEJAR

sábado, 3 de janeiro de 2026


03 de Janeiro de 2026
MARTHA MEDEIROS

Tão simples e fácil: a paz

Foi numa dessas tardes escaldantes do último dezembro, quando o asfalto parecia soltar fumaça e a cabeça dos motoristas também. Os carros se amontoavam na larga avenida de três pistas conduzindo pessoas atrasadas para uma consulta, ou furiosas por ter gastado uma fortuna em presentes, ou angustiadas pela ausência de uma resposta. 

Eu, que também estava ao volante, seguia o fluxo, quando vi uma pequena van de uma empresa de serviços fazer uma manobra perigosa. Trocou de pista de uma hora pra outra, sem sinalizar, numa guinada tão violenta que fez o veículo rebolar: por um triz não colheu um motoqueiro, e antes que alguém pense "ah, só podia ter moto nesta história", aviso que o moço vinha devagar, na dele, sem costurar entre os carros - um milagre em extinção.

Assisti de camarote ao quase homicídio doloso. Minha mãe, que estava ao meu lado, no banco do carona, também viu tudo, e demos início a uma instantânea sessão de tribunal: que motorista estúpido, como é que deram carteira para esse animal, quase matou o motoboy, e depois de mais duas ou três frases acusatórias, decidimos que o réu deveria ir para a cadeira elétrica.

Pois bem.

Enquanto o carro infrator seguia em frente, o motoqueiro, atrás dele, ergueu um dos braços como quem diz "qual é?", na esperança de ser avistado pelo retrovisor. O motorista o avistou. E freou, diminuindo bruscamente a velocidade. Eu, dirigindo atrás de ambos, me preparei para a rajada de balas. Todos os outros carros em volta passaram zunindo e desapareceram, restou o carro infrator rodando devagar na pista da direita, o motoqueiro atrás dele, devagar também, e eu e minha mãe atrás de ambos, mudas de medo, mas sem perder um segundo da cena.

Então o motorista da van abriu a janela e colocou o braço para fora. Não fez nenhum gesto agressivo, não socou o ar, apenas espalmou a mão para cima, como se tivesse sido rendido. E aí fez sinal para o motoqueiro alinhar com ele. Eu já estava em lágrimas, minha mãe ainda achava que podia ser blefe. Mas aconteceu: ambos, lado a lado, a 20km por hora, trocaram palavras, e eu não pude fazer a leitura labial, claro, mas entendi tudo. O gran finale: ainda em movimento, cada um em seu veículo, os dois se deram as mãos, em um cumprimento de brothers, e bem poderiam ter causado um acidente ali, mas foi rápido o suficiente para selar a paz e a vida seguir seu curso.

Não teve dedo médio apontado para cima, ninguém mandou ninguém para lugar nenhum, e se alguém estava armado, era de juízo e boa vontade. Um simples pedido de desculpas e as desculpas aceitas, e o trânsito voltou a fluir, minhas pernas pararam de tremer e a humanidade, que eu já dava como morta, também foi salva por um triz. 

MARTHA MEDEIROS

03 de Janeiro de 2026
DRAUZIO VARELLA

Médico, cientista e escritor

A cada 15 dias, Drauzio Varella escreve neste espaço. Nas outras datas, artigos sobre saúde (física ou mental), bem-estar e comportamento podem ser publicados nesta página. Os textos devem ter de 4.200 a 4.500 caracteres. Escreva para ticiano.osorio@zerohora.com.br

Cinco avanços da medicina para 2026 - Entre estudos clínicos promissores, estão uma vacina mais duradoura da tuberculose, anticorpos contra o HIV e tratamento para casos de covid longa

A revista Nature Medicine elegeu os estudos clínicos mais promissores para 2026. Selecionei cinco deles:

1)Vacina de longa duração contra a tuberculose

Em 2023, ocorreram quase 11 milhões de casos e 1,25 milhão de óbitos por tuberculose, no mundo. A vacina atual protege as crianças, mas o efeito diminui a partir da adolescência e do início da vida adulta. Como essas são as faixas etárias com mais risco de adquirir e transmitir o bacilo, a procura de uma preparação mais eficaz a longo prazo tem sido intensa.

Um estudo fase 3 para testar uma vacina nova (M72/AS01) incluiu 20 mil participantes na África do Sul, no Quênia, no Malawi, na Zâmbia e na Indonésia, em comunidades com altos índices da doença. Os resultados devem estar disponíveis em três anos.

Essa parece ser a vacina da tuberculose mais promissora em quase um século.

2)Anticorpos de longa duração contra o HIV

Os antivirais de alta eficácia que entraram no comércio a partir de 1995 impedem a multiplicação do HIV, mas são ineficientes para eliminá-lo, razão pela qual o tratamento deve ser mantido pelo resto da vida.

Três universidades (Rockefeller, Imperial e Oxford) estão conduzindo o estudo RIO, para avaliar se um "coquetel" de anticorpos que permanece no organismo por seis meses, pode manter a carga viral sob controle quando os antivirais são suspensos.

Resultados preliminares mostram que, depois de cinco meses de interrupção, 75% dos participantes mantêm cargas virais indetectáveis. Alguns permanecem cerca de dois anos nessa condição. Em comparação, no grupo placebo apenas 11% atingem esse objetivo.

3)Tratamento para casos de covid longa

A maioria das pessoas com covid-19 volta à normalidade, uma ou duas semanas depois do desaparecimento dos sintomas. Há, no entanto, aqueles que desenvolvem a forma longa da doença, caracterizada por um cortejo de sintomas que vão da fadiga intensa às dificuldades cognitivas.

Em 2021, o National Institute for Health, do Reino Unido, investiu 6,8 milhões de libras esterlinas para testar novos tratamentos para essa condição. O estudo se concentrou nas alterações presentes nos pequenos vasos sanguíneos dos pacientes. Estão sendo testados medicamentos para reduzir a inflamação e melhorar o fluxo de sangue, ao lado de anticoagulantes para impedir que se formem coágulos intravasculares, um dos problemas envolvidos na fisiopatologia da covid. Os dados serão publicados em 2026.

4) O trial Nest, para melhorar as funções neurológicas

É um estudo clínico para explorar o papel das células-tronco colhidas da medula óssea do próprio paciente, na melhora da função neurológica. As células-tronco são colhidas, isoladas e reintroduzidas através dos vasos sanguíneos que irrigam as cavidades nasais, fazendo com que penetrem no cérebro para reparar danos neurológicos.

A ideia surgiu depois de um trabalho publicado em 2010, no qual células-tronco foram introduzidas na retina de pacientes com deficiências visuais. Foi uma surpresa notar que vários deles apresentaram melhora na fala e na execução de movimentos.

Desde então, cerca de 200 receberam esse tratamento. Resultados preliminares mostram melhoras significativas em condições como Alzheimer, esclerose lateral amiotrófica (ELA), Parkinson, esclerose múltipla e encefalopatia traumática, doenças em que os recursos terapêuticos são escassos e os benefícios limitados. O procedimento é seguro, simples e dura menos de uma hora.

5) Novos tratamentos para o colesterol

O trial Lp(a)Horizon tem como alvo a lipoproteína Lp(a), um tipo de partícula de colesterol que carrega a apolipoproteína (a). Níveis elevados de Lp(a) estão geneticamente ligados a ataques cardíacos e AVCs.

O Lp(a)Horizon é o primeiro a testar uma droga nova, pelacarsen, para reduzir os níveis de apolipotroteína(a) com o objetivo de reduzir o número de infartos e de derrames cerebrais. Já foram incluídos 7 mil participantes do mundo inteiro, avaliados por equipes internacionais. Os resultados serão publicados em 2026.

Além de analisar eventos como morte por doença coronariana, AVCs e necessidade de revascularização, o estudo também avalia as mortes por outras causas. O medicamento tipicamente reduz em 80% os níveis de Lp(a). É possível que surja um medicamento a mais para reduzir a principal causa de morte no mundo atual. 

DRAUZIO VARELLA

03 de Janeiro de 2026
J.J CAMARGO - J.J. Camargo é cirurgião torácico, diretor do Centro de Transplantes da Santa Casa de Porto Alegre e membro titular da Academia Nacional de Medicina

A solidão dos idosos

Todos festejamos que nossos velhos vivam mais, mas não estamos sabendo bem o que fazer quando eles perdem a utilidade e a autonomia

"Quem ainda te amaria quando você deixasse de ser útil?" (Franz Kafka)

No maravilhoso As Intermitências da Morte, um dos seus melhores livros, José Saramago, fantasia um país onde, na iminência de perder a Rainha mãe, o Rei decreta que a partir daquela noite ninguém mais morreria no seu reino. Depois da compreensível euforia inicial, começaram os problemas, porque o decreto coibia a morte, mas não extinguia as doenças e os acidentes. Além disso, surgiram vários problemas inéditos: o negócio das companhias de seguros entrou em crise, o primeiro-ministro não sabia o que fazer com a explosão demográfica, e o Cardeal se desconsolava, porque "sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja".

Depois de poucos meses, 67 mil mortes tinham sido suspensas, mas os hospitais e as casas de repouso estavam superlotados, e a única solução foi convocar as famílias para assumirem o cuidado dos seus amados a domicílio.

Ninguém aceitou, todos estavam focados em dar sentido a suas próprias vidas, e cuidar de cadáveres insepultos devia ser tarefa do Estado, até porque a ideia de imortalidade não brotara do povo, sempre avesso a novidades.

Não é intenção desta crônica roubar o prazer de seguir Saramago até o desfecho desta história, mas ninguém entenderá tão bem a morte como um evento natural e necessário como quem o acompanhar até a última página.

Na vida real, passados só 20 anos do lançamento daquele livro, e com a idade média da população em curva ascendente e rápida, percebe-se o que pode ser interpretado como um esboço sutil de fábula paródica: todos festejamos que nossos velhos vivam mais, mas não estamos sabendo bem o que fazer quando eles, desavisados, sem culpa e nenhuma imposição legal, mas seguindo as leis implacáveis da natureza, vão perdendo progressivamente a utilidade e por fim, e tristemente, a autonomia. 

Nos feriados mais longos, e a virada do ano é o modelo mais agudo, a percepção do descompasso de expectativas e comemorações se acentua. E convenhamos, a marcha mais lenta, a surdez incipiente, a intolerância com ambientes ruidosos e comidas demoradas e a perda do protagonismo nas conversas em grupo vão gradualmente erguendo o muro de separação, que o velho inteligente percebe com tristeza, mas assimila em silêncio. Afinal, ele será o último a criticar o discutível senso de humor dos seus descendentes.

Ha 10 anos, num vídeo comovente que viralizou com milhões de visualizações, um pai, idoso e solitário, todos os anos planejava o Natal, mas seus filhos e netos nunca apareciam, alegando estarem muito ocupados. Então, numa véspera de Natal, ele simulou a própria morte. Quando a família, consternada, chegou para o velório, descobriu que ele estava vivo e preparara a ceia. Ele questionou: "De que outra forma eu poderia juntar todos vocês aqui?". 

Não gostaria de ter como amigo quem não balançasse com este vídeo, mas suspeito que, passada emoção coletiva, a prole deve ter ido cuidar da sua vida, porque não dá para "morrer" todo Natal só para trazê-la de volta. Uma pena que a vida não esteja nem aí para a solidão dos idosos. _

J.J CAMARGO

03 de Janeiro de 2026
SAÚDE

SAÚDE

Canetas emagrecedoras e a eficácia da pílula

Injeções se tornaram populares para tratamento da obesidade, mas trazem efeitos colaterais

Camila Bengo

O anúncio da gravidez da ex-BBB Laís Caldas, na semana passada, acendeu um alerta entre mulheres que fazem uso de canetas emagrecedoras. Ao contar que engravidou enquanto realizava tratamento com Mounjaro, mesmo tomando anticoncepcional oral, a influenciadora trouxe à tona uma possível interação medicamentosa que vem gerando preocupação entre usuárias: a redução do efeito dos anticoncepcionais causada pelas injeções emagrecedoras.

A ginecologista Ana Selma Picoloto, professora da Faculdade de Medicina da UFRGS, explica que a interferência é real. Contudo, segundo ela, o impacto clinicamente mais relevante é observado com a tirzepatida, substância encontrada no Mounjaro.

- Embora não existam estudos que mostrem estatisticamente um aumento nas taxas de gestação, uma vez que o medicamento é novo, há evidências de que o Mounjaro reduz a absorção da pílula - afirma a médica.

De acordo com a ginecologista, os estudos disponíveis mostram que outros agonistas do hormônio GLP-1, a exemplo da semaglutida presente no Ozempic, no Wegovy e no Rybelsus, não interferem da mesma forma que o Mounjaro nos anticoncepcionais orais. Embora também retardem o esvaziamento gástrico, o impacto na absorção dos contraceptivos é menor.

Em nota, o laboratório Novo Nordisk, responsável pelo Ozempic, o Wegovy e o Rybelsus, afirmou que a semaglutida, substância base dos medicamentos, "conta com mais de uma década de pesquisa e dados de mais de 50 mil pacientes acompanhados, o que reforça seu robusto perfil de eficácia e segurança". Conforme o laboratório, mulheres em tratamento com semaglutida podem manter o uso de contraceptivos hormonais orais.

Prevenção

Entretanto, a Dra. Ana Selma Picoloto alerta que o contraceptivo oral deve ser sempre acompanhado por um método de barreira, como a camisinha. Isso porque as canetas emagrecedoras, mesmo aquelas que têm a semaglutida como princípio, costumam causar efeitos adversos como vômitos e diarreia, que podem levar à eliminação da pílula antes de sua completa absorção.

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) orienta que mulheres em uso de Mounjaro não confiem apenas no anticoncepcional oral.

A recomendação preferencial é trocar o contraceptivo por um método que não dependa da absorção pelo estômago. Caso a substituição não seja possível, a pílula deve ser mantida com uso perfeito - todos os dias, no mesmo horário - e o uso de camisinha passa a ser obrigatório.

Entre as alternativas de contracepção consideradas mais seguras para quem utiliza Mounjaro estão: dispositivo intrauterino (DIU) hormonal ou de cobre, implante subdérmico (Implanon), anticoncepcionais injetáveis e adesivos ou anel vaginal.

- Esses métodos não passam pelo trato gastrointestinal, então, não sofrem interferência da medicação - explica a ginecologista Ana Selma.

A médica salienta que, para quem optar por métodos de longa duração, como o DIU e o Implanon, o preservativo deixa de ser necessário para evitar a gravidez, mas continua indispensável para a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis.

"Bebês Mounjaro"

As canetas devem ser suspensas quando há intenção de engravidar, segundo orienta a ginecologista. É preciso interromper o tratamento pelo menos dois meses antes de iniciar o processo de tentativas, para que haja eliminação completa do medicamento. A recomendação vale tanto para a tirzepatida quanto para a semaglutida.

Quando ocorre uma gravidez durante o tratamento com as injeções, a recomendação é de suspensão imediata. As gestações associadas ao uso das canetas emagrecedoras, que ficaram conhecidas como "bebês Moun- jaro", ainda estão envoltas em dúvidas, uma vez que dados sobre possíveis riscos dos emagrecedores ao feto ainda são limitados.

- Não temos estudos conclusivos sobre segurança fetal. Por isso, a recomendação é que essas medicações jamais sejam usadas por gestantes, lactantes ou mulheres que estejam tentando engravidar - alerta Ana Selma, frisando a importância de o tratamento com as canetas ser realizado com acompanhamento especializado.

- É fundamental o trabalho conjunto entre o endocrinologista, que vai avaliar a necessidade da caneta e prescrevê-la quando for preciso, e do ginecologista, que orientará sobre o método contraceptivo mais adequado para cada paciente. Não é somente sobre emagrecimento, mas sobre planejamento reprodutivo e segurança - conclui. _

Entendendo o impacto

O medicamento retarda o esvaziamento gástrico, fazendo com que os alimentos ingeridos permaneçam mais tempo no estômago e demorem a chegar ao intestino - o que prolonga a saciedade e leva à diminuição da ingestão calórica, promovendo o emagrecimento.

Ocorre que, além da comida, medicamentos ingeridos por via oral também acabam retidos por mais tempo no estômago. Assim, os hormônios da pílula demoram mais para chegar ao intestino e podem não ser totalmente absorvidos, o que diminui o efeito do contraceptivo.

- Essa redução na absorção do anticoncepcional pode tornar a quantidade de hormônio insuficiente para garantir a contracepção desejada, podendo ocorrer uma gestação - explica a ginecologista Ana Selma Picoloto.

Em linhas gerais, é como se o percentual clássico de eficácia dos anticoncepcionais orais, de cerca de 99,7% com uso perfeito, fosse reduzido para uma proporção menor. Conforme a médica, a questão não está relacionada à composição da pílula escolhida, mas ao modo como ela é administrada, por via oral.

- Como o mecanismo do Mounjaro é o retardo do esvaziamento do estômago, qualquer medicamento tomado por via oral pode ter sua eficácia comprometida - diz.

Segundo a médica, o alerta é especialmente importante em dois momentos: nas primeiras quatro semanas de uso da caneta emagrecedora, quando a ação tende a ser maior; e na semana que sucede cada aumento de dose, o que também intensifica o efeito da injeção.



03 de Janeiro de 2026
VITRINE

Cloud Dancer - do vestir ao perfumar

Eleito pela Pantone, o tom branco etéreo já aparece em roupas, calçados e fragrâncias

No início de dezembro de 2025, o Pantone Color Institute anunciou a cor do novo ano. Batizada de Cloud Dancer (Dançarino das Nuvens, em tradução livre), a tonalidade apresenta um branco etéreo, capaz de evocar sensações de serenidade.

Como resposta aos estímulos da vida moderna, o tom propõe um convite suave e silencioso aos momentos de descanso e contemplação - que são cada vez mais raros. Assim, para entrar em 2026 de forma tranquila, conforme a aposta da empresa, Donna reuniu uma seleção de itens alinhados à tendência. 

Produção: Juliana Farinati

Dominou as passarelas - Moda

Entre releituras do próprio acervo e novas coleções, Gucci, Dior, Chanel e Prada estão entre as grifes que aderiram rapidamente à proposta. A maison italiana fundada por Guccio Gucci reuniu diferentes gerações de peças em um desfile fictício fotografado por seu novo diretor criativo, Demna, enquanto a Prada vestiu sua embaixadora Sadie Sink com um look na cor Pantone para a estreia da quinta temporada de Stranger Things. A atriz interpreta Max Mayfield.

A proposta não se limitou às passarelas nem ao universo da alta moda. No varejo, a tonalidade aparece em marcas como Zara, Pompeia e Gang, aplicada a peças variadas que vão de itens básicos - como o conjuntinho de malha da Pompeia (camisa R$ 79,90 e calça pantalona R$ 109,90) e o body sem alça da Gang (R$ 139,90) - a opções mais fashionistas, a exemplo do casaco canelado soft da Zara (R$ 159), ampliando sua presença no dia a dia do consumidor. _

Conforto e versatilidade - Calçados

As marcas de calçados também entraram na proposta, com modelos que vão de tênis e sandálias a papetes - escolhas perfeitas para começar 2026 do jeito que o verão no hemisfério sul pede: leve, fresco e descomplicado. Um bom exemplo é o New Balance 9060 (R$ 1.200), que atualiza o clássico da série 99X com uma estética futurista inspirada nos anos 2000, apostando em linhas onduladas e um solado robusto que garante conforto e estabilidade para a rotina.

Para quem prefere um visual mais elegante, sem abrir mão da versatilidade, a Melissa Iris Sandal (R$ 139,90) acompanha tanto produções casuais quanto looks mais arrumados, funcionando bem com tecidos leves, como o algodão, ou com peças de alfaiataria. Já nos dias à beira-mar, a Papete Viena Triangle Couro, da Schutz (R$ 650), surge como aliada ao combinar a rusticidade da corda com a elegância simples do couro caramelo. _

Branco em fragrância - Perfumes

A atmosfera minimalista vai além do visual e se estende às experiências sensoriais, especialmente por meio de fragrâncias que evocam conforto e bem-estar. É nesse contexto que aromas como o Toy 2 (R$ 399), da Moschino, e o Clean Reserve Warm Cotton (R$ 679) se conectam à sofisticação etérea do branco, cada um à sua maneira.

Fiel ao visual camp característico da marca (estética que abraça o exagero e o teatral de forma irônica), o Toy 2 marca o retorno do icônico Teddy Bear da Moschino em uma leitura mais atual e moderna. Já o Clean Reserve Warm Cotton traduz seu conceito no primeiro borrifo, ao remeter à sensação de lençóis de algodão recém-lavados, combinando benjoim sustentável do Sudeste Asiático a um aroma fresco, limpo e reconfortante. 

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