sábado, 7 de março de 2026

Conflito no Irã ameaça exportações gaúchas de carne de frango

Oriente Médio é a segunda região que mais importa carnes e miudezas do Rio Grande do Sul, atrás apenas da Ásia

Oriente Médio é a segunda região que mais importa carnes e miudezas do Rio Grande do Sul, atrás apenas da Ásia

Lucas Scherer/Embrapa Suínos e Aves/JC
Ana Stobbe
Ana StobbeRepórterA guerra deflagrada no Irã no dia 28 de fevereiro, e que envolve direta ou indiretamente outras regiões do Oriente Médio, tem ameaçado as exportações de carne de frango do Rio Grande do Sul. Afinal, a região é a segunda principal compradora do produto gaúcho — atrás apenas da Ásia —, tendo correspondido a 23,59% do comércio internacional de carnes e miudezas comestíveis do Estado em 2025, o equivalente a R$ 568,83 milhões, sendo as aves a maioria do volume comercializado. 
situação já tem preocupado a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), de onde provêm os dados sobre o comércio internacional. “Depois do tarifaço, já veio essa guerra (no Irã), que, queira ou não, atrapalha bastante os negócios. Já vi, por exemplo, que indústrias de frango pararam de exportar. Cada componente desse tem seu tipo de reação nas indústrias”, avaliou o presidente da entidade, Claudio Bier, em entrevista realizada durante o evento Marcas de Quem Decide, que aconteceu na terça-feira, 3 de março.
Irã, em si, está longe de ser um dos principais parceiros comerciais da pecuária gaúcha. As cifras de carnes e miudezas comercializadas com o país em 2025 não são significativas. Entretanto, nações vizinhas se destacam. Em especial, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, responsáveis por quase 60% das exportações do produto ao Oriente Médio.
Mas, além das vendas à região, o conflito prejudica exportações a outros locais, como a África e, inclusive, a Ásia, principal consumidora das carnes e miudezas gaúchas. O fluxo é grande, principalmente, via marítima, pelo Estreito de Ormuz, um canal que divide o Irã e o Omã e que foi completamente fechado no dia 2 de março, conforme anunciado pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês).
situação tem sido monitorada pela Associação Brasileira de Proteína Animal: “a ABPA e suas associadas estão mapeando e monitorando os pontos críticos à logística na área influenciada pelo conflito. Neste momento, o setor analisa rotas alternativas que foram utilizadas em outras ocasiões de crises na região”, afirmou a entidade em nota enviada à imprensa.
Por outro lado, há, ainda, a problemática dos preços dos combustíveis. Afinal, o Estreito de Ormuz é rota de 20% do petróleo comercializado no mundo. O efeito deve se traduzir no encarecimento do combustível — o que também amplia os custos das exportações.
Conforme o economista Gustavo Inacio de Moraes, em entrevista recente ao Jornal do Comércio, a combinação entre a alta nas cotações do petróleo e a desvalorização do real frente ao dólar afeta diretamente o mercado de combustíveis no Brasil, uma vez que os preços internacionais ditam a política adotada pela Petrobras. Vale ressaltar que o valor do petróleo e do gás disparou antes mesmo do fechamento da passagem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem em destaque

Com perda de 5% na semana e abaixo de 180 mil, Ibovespa cai para nível de 26/1 No encerramento do dia, mostrava alta um pouco mais acomodad...

Postagens mais visitadas