domingo, 8 de março de 2026

 


Epílogo

Depois de todas elas, não restou explicação alguma. E isso foi o que salvou tudo.  Restou apenas um homem um pouco mais lento, um pouco mais atento, um pouco menos ansioso por respostas. Um homem que aprendeu - não sem tropeços - que amar mulheres não é acumular experiências, mas ser atravessado por elas.

Cada fábula foi um encontro. Cada encontro, uma perda necessária. Porque nada do que é vivo permanece intacto depois de ser tocado. As mulheres destas páginas não pediram nome, nem posse, nem promessa. Pediram presença. Pediram escuta. Pediram respeito ao que não se revela. E ensinaram, sem discurso, que o amor verdadeiro não é feito de controle, mas de liberdade sustentada.

Algumas foram vento. Outras, casa. Outras, espelho, fogo, tempo, silêncio, mistério. Nenhuma coube inteira em palavras. E ainda assim, foi preciso escrever. Não para aprisioná-las no texto - mas para agradecer. Para registrar o espanto. Para admitir que o mundo só faz sentido porque existe algo nele que não se deixa dominar.

Se algo ficou claro ao fim destas páginas, é isto: as mulheres não precisam ser compreendidas para serem amadas. Precisam ser honradas na sua complexidade, respeitadas na sua vastidão, celebradas na sua diferença.

Amá-las é aceitar que sempre haverá algo além dos cinco sentidos. Algo que toca a alma, desloca o eixo, desorganiza o ego e, por isso mesmo, humaniza. E se depois de tudo o narrador aprendeu alguma coisa, foi apenas isto: amar uma mulher é uma experiência que se aproxima do divino - não porque ela seja deusa, mas porque exige do homem o melhor de si. Nada mais. Nada menos. Parabéns pelo Dia Internacional da Mulher hoje.

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