Dados operacionais da Prefeitura de Santa Maria indicam que, entre janeiro e julho de 2025, período em que houve voos diários para Porto Alegre operados pela Azul Linhas Aéreas Brasileiras, foram realizados 239 voos comerciais, transportando 32.504 passageiros.
Entre agosto e dezembro, com redução da frequência para três voos semanais, foram registrados 55 voos e 7.370 passageiros. O volume anual soma 294 voos comerciais e 39.874 passageiros transportados.
Segundo a prefeitura, a diminuição das frequências foi influenciada pelo processo de reestruturação financeira da Azul e pelo encerramento das operações da Passaredo Linhas Aéreas, que também operava na cidade no início do ano.
Entre janeiro e março, a Passaredo realizou 34 voos, transportando 4.624 passageiros, números já contabilizados no total anual.
Considerando que as operações comerciais utilizam aeronaves ATR-72, com capacidade média de cerca de 70 passageiros, os números indicam taxa média de ocupação elevada, próxima da capacidade total das aeronaves utilizadas na rota.
Além dos voos regulares, o aeroporto também registrou 813 operações de aviação geral, incluindo táxi-aéreo e voos privados, além de 32 operações de transporte aeromédico ao longo do ano.
Limitação estrutural da pista
Apesar da pista relativamente longa para padrões regionais, a infraestrutura apresenta uma restrição técnica importante. O índice de classificação do pavimento — conhecido como PCN (Pavement Classification Number) — é 20, com os 300 metros iniciais apresentando PCN 19.
Em aeroportos que recebem aeronaves comerciais de maior porte, como Airbus A320 ou Boeing 737, os níveis de PCN costumam variar aproximadamente entre 40 e 60, dependendo das características do pavimento. Na prática, isso significa que, embora o comprimento da pista seja suficiente, a resistência estrutural atual impede operações regulares de jatos comerciais.
Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Ronie Gabbi, a prefeitura trabalha para viabilizar o reforço estrutural do pavimento.
O investimento estimado para a recuperação da pista é de mais de R$ 50 milhões. A intervenção, no entanto, depende inicialmente de autorização da Aeronáutica para avançar nas etapas técnicas.
De acordo com a administração municipal, o projeto executivo da obra ainda não foi elaborado, aguardando essa manifestação prévia. Já a ampliação do terminal de passageiros possui recursos previstos por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Com o reforço estrutural da pista, o aeroporto poderia receber aeronaves de maior porte, ampliando o potencial de rotas comerciais e conexões com centros como São Paulo ou Brasília.
Comparação com outros aeroportos regionais
Mesmo com as limitações operacionais, o volume registrado em Santa Maria já coloca o aeroporto em patamar semelhante ao de outros terminais regionais do estado.
Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) indicam que o aeroporto de Passo Fundo movimentou mais de 100 mil passageiros em 2025, enquanto o terminal de Pelotas registrou aproximadamente 60 mil passageiros no mesmo período. Já o aeroporto de Santo Ângelo apresentou movimento anual inferior, na faixa de 20 mil passageiros.
O principal hub aéreo do estado segue sendo o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, que concentra milhões de passageiros por ano e a maior parte das conexões nacionais.
Em Santa Maria, a demanda aérea está associada principalmente ao perfil institucional da cidade. O município abriga uma das maiores universidades federais do país, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), além de importantes unidades militares e centros regionais de serviços. Esse conjunto institucional gera fluxo recorrente de passageiros, incluindo estudantes, pesquisadores, militares, profissionais da saúde e executivos ligados ao setor de serviços.
Dados do setor mostram que a movimentação aérea nas capitais da região Sul superou 18 milhões de passageiros em 2024, refletindo a concentração da malha em grandes hubs. Enquanto esses aeroportos concentram conexões nacionais, terminais de porte médio dependem de infraestrutura adequada para ampliar sua inserção na rede aérea.
Em Santa Maria, a superação da limitação estrutural da pista é considerada condição central para que o aeroporto avance de um terminal regional com frequência restrita para um polo de conectividade mais robusto no centro do Rio Grande do Sul.


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