segunda-feira, 6 de julho de 2026

06 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Carlos Rollsing

Novo embate na família Bolsonaro

Depois de ter publicado um vídeo dizendo ter sido apunhalada e maltratada pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro se envolveu em nova polêmica com potencial de desgaste. Na sexta-feira, ela elogiou nas redes sociais uma iniciativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Michelle comentou o lançamento da Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, do Ministério da Educação. "É um sonho realizado", postou a ex-primeira-dama, provocando irritação em Flávio e despertando críticas no bolsonarismo. A reação nas redes sociais foi dura, com montagens associando a ex-primeira-dama ao PT e contendo acusações de traição.

No sábado, Michelle publicou uma nova mensagem nas redes sociais para tentar conter a repercussão negativa causada por seu elogio à iniciativa do governo Lula. No novo post, ela afirma que a defesa das pessoas com deficiência é uma pauta que está "acima de qualquer ideologia ou partido". A ex-primeira-dama também alegou que a política de educação bilíngue para surdos foi elaborada ainda durante o governo Bolsonaro, mas teve a tramitação atrasada por uma ação judicial, o que teria impedido sua entrega antes do fim do mandato. Ela concluiu afirmando que o mais relevante não é a autoria da política, mas seus beneficiários, e parabenizou a comunidade surda.

O episódio do vídeo em que Michelle disse ter sido apunhalada por Flávio já causou a saída dela do comando do PL Mulher. O caso dos elogios à política do governo Lula aprofunda as rusgas dentro da família Bolsonaro e coloca mais dúvidas na manutenção da candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal.

As brigas entre Michelle e os filhos de Bolsonaro, sobretudo Flávio, Eduardo e Carlos, não são novidade. O fato novo é que as rusgas se ampliam no momento em que Jair Bolsonaro, maior líder da direita brasileira, está em prisão domiciliar, inelegível e com a saúde fragilizada.

O que está acontecendo é uma luta pelo espólio de Bolsonaro, nome que simboliza o domínio de uma considerável fatia do eleitorado brasileiro. A querela e os rumores de que Michelle pode fazer novas revelações sobre o enteado têm potencial para causar danos na candidatura presidencial de Flávio, que já está chamuscada pela descoberta de que pediu R$ 61 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção do filme Dark Horse, sobre a vida de Bolsonaro.

As avaliações de que a candidatura de Flávio pode sofrer mais abalos teriam, inclusive, motivado a indicação de Gilberto Kassab como candidato a vice na chapa presidencial de Ronaldo Caiado (PSD). Enquanto isso, Lula aposta nos programas populares a três meses da eleição em primeiro turno. _

Sem partido, Ricardo Gomes decide apoiar Zucco

Desfiliado do PL desde 2024, Ricardo Gomes, ex-vice-prefeito de Porto Alegre, levou sugestões para a área econômica do plano de governo do deputado federal Luciano Zucco (PL), candidato ao Palácio Piratini. O encontro aconteceu no sábado. Ricardo cogitou apoiar Gabriel Souza (MDB), mas optou por estar ao lado de Zucco pela identificação com a direita.

- O RS precisa mudar. Estamos avançando, mas em ritmo lento. O Estado precisa de um choque de liberdade econômica - afirmou Ricardo. _

Oposição vai ao MPC questionar licitação do governo Leite

A deputada estadual Laura Sito (PT) ingressa hoje no Ministério Público de Contas (MPC) e no Tribunal de Contas do Estado (TCE) com ofícios requerendo análise da licitação do Estado para a contratação de serviços de comunicação vencida pelas empresas Escala Comunicação e Marketing e House of Creativity (HOC). O caso está chamando atenção porque a HOC tem como CEO o publicitário Fábio Bernardi, marqueteiro da campanha do governador Eduardo Leite em 2022.

Experiente em comunicação política, Bernardi também está no núcleo de comunicação da candidatura do vice-governador Gabriel Souza ao Palácio Piratini em 2026. _

Indenização concedida

A 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) decidiu, por unanimidade, conceder indenização à filha menor de idade de uma médica que atuava em hospital de Passo Fundo à época da pandemia de coronavírus.

A profissional tinha controlado um câncer, mas, durante a emergência sanitária, contraiu o vírus em novembro de 2020. Depois, registrou retorno da doença e faleceu em setembro de 2021. O pedido de indenização foi negado no INSS e na primeira instância da Justiça Federal, que alegou não ter ficado comprovada a relação causal entre a covid e o óbito.

A decisão foi reformada no TRF-4. O desembargador-relator Rogério Favreto destacou que a lei 14.128/21, onde consta o direito à indenização aos profissionais de saúde incapacitados e herdeiros diretos em caso de morte, não exige relação exclusiva entre o vírus e o óbito. A norma menciona presunção legal de que a covid resultou no falecimento, mesmo que não tenha sido a causa única ou imediata, desde que preenchidas condições como diagnóstico do vírus, nexo temporal e laudo médico. A indenização ficou em R$ 180 mil, conforme valores previstos na lei. _

Atuação marcante

Foi inaugurada a fase de denúncias do Ministério Público à Justiça em razão dos supostos crimes em compras da Secretaria da Educação de Porto Alegre (Smed). Se a apuração chegou a tal ponto, papel fundamental foi desempenhado pela ex-vereadora Mari Pimentel, que denunciou irregularidades e não se intimidou com a base governista ao presidir a CPI da Educação na Câmara.

Mari não foi reeleita em 2024, mas segue filiada ao Republicanos, para onde foi depois de colher antipatia no Novo pela condução da CPI. Ela tomou a decisão de não concorrer na eleição de 2026, mas não fecha a porta para voltar no futuro. _

Perda de mandato

Está marcado para hoje, às 14h, na sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS), o depoimento do secretário-geral de Governo do Palácio Piratini, Artur Lemos, na condição de testemunha do PSD na ação de perda de mandato por infidelidade partidária movida  pelo PSDB contra o deputado estadual Valdir Bonatto (PSD).

O parlamentar trocou o tucanato pelo PSD em janeiro de 2026, antes da abertura da janela em que a mudança de sigla é autorizada. Após o depoimento de Lemos, vice-presidente do PSD-RS, a ação deve avançar à fase de alegações finais, parecer do Ministério Público e julgamento. _

POLÍTICA E PODER

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