sábado, 26 de setembro de 2026

Temas fundamentais foram ignorados

Nos dias que antecederam o segundo debate da Rádio Gaúcha neste primeiro turno, o RS chegou a seis mortes em decorrência dos temporais. A chuvarada elevou o nível dos rios, provocou alertas da Defesa Civil e obrigou 170 pessoas a deixarem suas casas diante do risco de rompimento de barragem em São Marcos. Estamos às vésperas de um El Niño vitaminado e, pouco mais de dois anos atrás, vivemos a maior tragédia climática da história do Estado.

Ainda assim, ambiente, adaptação climática e contenção de cheias praticamente não apareceram no duelo de sexta-feira.

Também não faltavam razões para falar dos desafios do agronegócio.Nos últimos cinco anos, o Rio Grande do Sul deixou de colher 48,6 milhões de toneladas de grãos em razão de intempéries, sobretudo estiagens. Segundo levantamento da Farsul, R$ 126,3 bilhões deixaram de ser gerados diretamente.

O produtor rural está endividado e precisa conviver com uma atividade cada vez mais vulnerável aos extremos climáticos. Mesmo assim, o agronegócio não mereceu, por parte dos candidatos, atenção no duelo da Gaúcha.

Essencial para o desenvolvimento de qualquer sociedade, a educação também foi ignorada. Ampliar vagas na educação infantil, melhorar os indicadores de alfabetização, aumentar o acesso ao ensino em tempo integral e fortalecer o ensino profissionalizante são desafios que estarão sobre a mesa de quem assumir o Piratini em janeiro.

Nada disso apareceu.

Segurança pública também não foi discutida de forma abrangente - exceção à resposta provocada pela colega Kelly Matos sobre violência contra a mulher.

E pouco se falou sobre indústria, setor que enfrenta dificuldades para encontrar mão de obra qualificada, segundo pesquisa da Fiergs. A escassez já restringe a capacidade de ampliar a produção. É um problema que conecta educação, produtividade, crescimento econômico e retenção de talentos.

Inovação, outro caminho fundamental para aumentar a competitividade do Estado, também passou ao largo.

Não há desenvolvimento econômico sem infraestrutura, outro grande tema ausente. O sucateamento da malha ferroviária gaúcha dificulta e encarece o escoamento da produção, como mostrou reportagem de Mathias Boni na série do Grupo RBS sobre os desafios do Estado. Falou-se de rodovias, mas nada sobre ferrovias, portos, aeroportos, logística e infraestrutura, que deveriam estar no centro de qualquer projeto que pretenda discutir o Rio Grande do Sul das próximas décadas.

E, novamente, a exemplo do primeiro debate da Gaúcha, nada sobre cultura.

O encontro acabou concentrado principalmente em três grandes assuntos: saúde, sobretudo as filas de espera do SUS; concessões de serviços básicos e infraestrutura concedida, como energia e pedágios; e contas públicas, com destaque para a dívida do Estado. Mas é lamentável que temas fundamentais para o desenvolvimento tenham passado ao largo de quase duas horas de programa.

A saudar, foi um encontro um pouco mais profundo do que o primeiro, com mais propostas, em um ambiente de relativa cordialidade. _

Advocacia pública

Ao comemorar os 60 anos, a Associação dos Procuradores do Estado do RS (Apergs) está lançando um livro que resgata a história da instituição.

A publicação reúne fatos, personagens e bastidores que marcaram a consolidação da advocacia pública no RS. Intitulada Apergs - Memória, História e Inovação, traz documentos, fotografias e depoimentos. Entre os fatos, está a consolidação da carreira e da própria Procuradoria-Geral do Estado (PGE).

- A advocacia pública hoje tem um papel que vai muito além da representação judicial: está na construção de soluções jurídicas, na segurança dos investimentos, na proteção do patrimônio público e na viabilização de políticas que impactam diretamente a vida dos gaúchos - destaca a presidente Patrícia Bernardi Dall?Acqua. _

Quem irá ocupar o cargo na ONU

Dos sete candidatos para substituir António Guterres na Secretaria-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), quatro são mulheres. Aliás, há grande chance de o cargo ser ocupado por uma mulher pela primeira vez. A terceira votação secreta informal realizada pelo Conselho de Segurança apontou duas candidatas preferidas: Rebeca Grynspan e Carolyn Rodrigues Birkett. _

O Sul é a região com os maiores índices de consumo frequente de álcool e cigarro, além de liderar a ingestão de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas. As informações fazem parte de uma pesquisa recente do A.C.Camargo Cancer Center com o instituto Nexus.

INFORME ESPECIAL 

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