26 de Setembro de 2026
OPINIÃO RBS
OPINIÃO RBS
O que resta dizer ao eleitor
A pesquisa Quaest divulgada na quinta-feira sobre a eleição para o Palácio Piratini indica que o percentual de indecisos ainda é alto. Mesmo quando são estimulados a apontar um nome diante da lista de candidatos, um quarto dos entrevistados ainda não sabe em quem votará no primeiro turno, no domingo, dia 4 de outubro. É um contingente significativo, à espera de ser convencido sobre qual postulante ao governo gaúcho merece a sua confiança para liderar o Rio Grande do Sul pelos próximos quatro anos.
É natural que, com a aproximação do pleito, os eleitores prestem mais atenção ao que as candidaturas propõem para os temas que os afligem. Ganham maior peso os debates na reta final da campanha, como o realizado na sexta-feira pela Rádio Gaúcha. O encontro reuniu Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB), postulantes cujos partidos têm representantes no Congresso. Debates são a oportunidade para que os candidatos exponham suas ideias e promovam o embate direto de propostas, para que os votantes possam compará-las e decidir o número a ser apertado na urna.
Uma das formas de o Grupo RBS contribuir para uma escolha consciente dos gaúchos é abrir amplos espaços para a discussão e a apresentação de projetos. A RBS TV realiza debate na terça-feira, às 22h50min, e entre segunda-feira e quinta, os quatro aspirantes ao Piratini serão sabatinados na Rádio Gaúcha, no espaço do Atualidade, das 9h às 10h.
O debate de sexta-feira, com maior aprofundamento dos temas em relação ao realizado no dia 6 de agosto, também pela Gaúcha, deve ser enaltecido pela civilidade, a despeito de momentos de confrontação mais incisiva, o que é próprio de uma democracia vibrante. É usual que os candidatos critiquem adversários e apontem contradições dos oponentes. O embate eleitoral, em toda a campanha até aqui, manteve-se em regra em bom nível. A troca de farpas permaneceu centrada no eixo político, sem acusações de cunho pessoal ou de desvios éticos. É bem diferente, diga-se, do que se nota na corrida ao Planalto. Os dois principais concorrentes à Presidência, aliás, nem sequer se dignaram a comparecer a debates, um desrespeito aos eleitores.
O reconhecimento ao tom respeitoso, no entanto, não pode encobrir uma preocupação central. Ainda faltam respostas factíveis e didáticas dos candidatos sobre como enfrentar os principais desafios do Estado, como a situação das finanças gaúchas a partir de 2027. O debate de sexta-feira priorizou assuntos como quadro fiscal, saúde, infraestrutura, concessões e feminicídios. Parte considerável das respostas tangenciou as questões, foi pelo caminho das generalidades, das ideias inexequíveis e de objetivos meritórios, mas que soam como promessas vagas demais.
Depositar esperanças excessivas em recursos federais é temerário. O próximo presidente também será forçado a um ajuste duro nas contas. O orçamento da União será alvo de disputa renhida. É relevante ter capacidade de articulação com Brasília, mas o que os eleitores querem saber é o que o futuro governador ou governadora fará com a força da sua caneta. Aguarda-se que os concorrentes ao Piratini aproveitem melhor as oportunidades que terão - como no debate da RBS TV e nas sabatinas da Gaúcha - para serem mais claros com os gaúchos.

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