sábado, 17 de junho de 2023


16 DE JUNHO DE 2023
OPINIÃO DA RBS

MUDANÇA DE PERSPECTIVA

O país recebeu da agência de classificação de risco S&P Global Rating, uma das principais do mundo na área, a notícia de elevação da perspectiva da nota de crédito, de estável para positiva. Trata-se de uma avaliação de que o Brasil está no caminho certo quanto à busca pela estabilidade macroeconômica. Estar no rumo adequado, no entanto, não significa inexistência de importantes desafios à frente que ainda precisam ser vencidos. Mas, sem dúvida, é uma sinalização que demonstra confiança na capacidade institucional de avanços que poderão levar o país, no futuro, a ter de fato a sua nota de crédito melhorada. Por enquanto, a avaliação BB- foi mantida pela S&P.

O comunicado da agência ressalta a existência de maior segurança quanto à condução das políticas fiscal e monetária. O fator mais recente que melhorou a visão do país foi a aprovação do novo marco fiscal pela Câmara. O texto também se encaminha para ser chancelado pelo Senado. A nova regra projeta uma trajetória da dívida pública mais benigna do que chegou a ser estimado pelo mercado no início do ano, eleva a possibilidade de crescimento do PIB e ainda ajuda a criar condições para o início de um novo ciclo de corte do juro interno.

É plenamente justificável, portanto, como fizeram membros do governo Lula, comemorar a decisão da S&P. Deve ficar claro, porém, que a agência ressalta a necessidade de a agenda de reformas continuar a ser implementada. A principal, a curtíssimo prazo, é a que prevê a simplificação do sistema tributário, essencial para melhorar o ambiente de negócios no Brasil. É básico, ainda, que o governo consiga entregar as metas fiscais prometidas pelo novo arcabouço. Uma execução abaixo do esperado recriaria o risco de nova deterioração das contas, voltando a elevar a desconfiança sobre o país.

Embora exista a ênfase nos acontecimentos mais recentes, também foram avaliados amadurecimentos institucionais e reformas consolidados nos últimos anos. Mudança nas regras trabalhista e da Previdência, além da aprovação da autonomia do Banco Central (BC), pesaram positivamente. O que se espera, por consequência, é que o país, ao longo dos próximos anos, governos e legislaturas, siga na trilha da modernização de seus marcos legais e da responsabilidade com as contas públicas. Aventuras e retrocessos devem ser repelidos.

Até pelos prazos normalmente previstos em avaliações do gênero, o Brasil ainda está distante de recuperar o grau de investimento, classificação que dá a uma empresa ou nação o selo de bom pagador de seus compromissos e, portanto, a chancela de ser confiável para receber investimentos. O Brasil chegou a ganhar esse status em 2008, mas perdeu em 2015, após um processo de piora das métricas fiscais. Espera-se que, agora, a trajetória esteja consistentemente no caminho inverso. 

A mudança de percepção em relação ao Brasil cria, inclusive, um ambiente mais favorável para que se confirme a aproximação de uma fase de redução da taxa Selic, hoje em um patamar - de 13,75% ao ano - que vem esfolando a economia real . Cresce a expectativa de que, na semana a seguir, quando o Comitê de Polícia Monetária (Copom) volta a se reunir, o colegiado ao menos sinalize ter constatado condições para o primeiro corte do juro básico ocorrer na reunião do início de agosto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem em destaque

12 de Agosto de 2026 CARPINEJAR Os efeitos colaterais das canetas nos restaurantes Desde maio, já circula no Brasil uma caneta emagrecedora ...

Postagens mais visitadas