sábado, 28 de outubro de 2023


28 DE OUTUBRO DE 2023
FLÁVIO TAVARES

DO APLAUSO À CRÍTICA

Há males que vêm para bem, diz o velho refrão. Mas há, também, atos em que o bem não redime os males. É o caso de agora, quando o governador Eduardo Leite instituiu o ProClima 2050, destinado a que nosso Estado participe do combate às mudanças climáticas. Cria-se um "gabinete de crise climática" para enfrentar o problema que leva à destruição da vida no planeta. Até aí, aplausos.

A crise climática, porém, não brota das nuvens. É provocada (direta ou indiretamente) pelos atos do dia a dia. Para localizar os erros e evitá-los ou mitigá-los, os códigos ambientais estaduais definem o que é permitido e o que é vedado. Nosso Código Estadual do Meio Ambiente, redigido originalmente ao longo de anos, ouviu diferentes setores, de produtores agrícolas a industriais, ambientalistas, geólogos e outros especialistas. E assim, serviu de modelo a outros Estados.

Na anterior gestão de Eduardo Leite, porém, este código modelar foi revogado por iniciativa do governador e substituído pelo atual, que abranda uma série de medidas que impediam (ou mitigavam) os efeitos do aquecimento global. O novo código instituído pelo governo estadual abre caminho a exploração e uso dos combustíveis fósseis, num momento em que todos no mundo apontam o petróleo, o carvão e o gás natural como responsáveis diretos pela crise climática.

Dias atrás, 130 grandes empresas como Nestlé, Bayer, Heineken e Volvo pediram que a próxima COP-28 estabeleça um cronograma para proibir gradualmente os combustíveis fósseis.

Ao revogar o anterior Código Ambiental, o governo de Eduardo Leite divergiu da própria Constituição Federal que instituiu o meio ambiente como um direito de todos.

Passamos a desconhecer que a crise ambiental provém de um conjunto de fatores geradores do horror, mas que o antigo código estadual (revogado por iniciativa do governador) buscava resolver ou até proibia. Indago: solucionaremos o que foi provocado por erros de décadas em apenas sete anos, como prevê o ProClima 2050? Ou, como diz o presidente da associação dos técnicos da Fepam, trata-se de mero "marketing" governamental?

O terrível e inominável na política nacional continua a ser sua transformação em balcão de negócios. Ou não é isso que explica que o presidente Lula da Silva leve ao governo o chamado centrão, dando-lhe a presidência da Caixa Econômica? Ou é um perene estilo de governar?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem em destaque

12 de Agosto de 2026 CARPINEJAR Os efeitos colaterais das canetas nos restaurantes Desde maio, já circula no Brasil uma caneta emagrecedora ...

Postagens mais visitadas