sábado, 27 de agosto de 2022


27 DE AGOSTO DE 2022
J.R. GUZZO

Como republiquetas

O ministro Alexandre de Moraes, com o apoio cego, incondicional e automático da maioria dos seus colegas do STF, está impondo ao Brasil uma justiça de Idi Amin - aquele deboche violento, e baseado na força bruta, que as piores ditaduras da África fazem da trágica deformidade que apresentam como o seu aparelho judicial. Nem existe mais esse Idi Amin, uma caricatura de ditador patológico que foi estrela do noticiário internacional nos anos 1970, nem o seu regime de barbaridades. Mas pelo que indicam os fatos, os puros e simples fatos, o seu estilo de fazer justiça ressuscitou no Brasil de hoje e está transformando o ministro Moraes, junto com o resto do Supremo, numa espécie de cópia mal resolvida dos déspotas subdesenvolvidos de 50 anos atrás.

"Temos liberdade de opinião, mas eu não posso garantir a liberdade de quem deu a opinião", diz Amin numa piada que circula nas redes sociais. É um retrato perfeito do STF de hoje. Falam, em seus manifestos à nação e em suas palestras em universidades dos Estados Unidos ou Europa, que o cidadão brasileiro tem direito de pensar livremente e dar a sua opinião sobre o que bem entenda. 

Mas a cada cinco minutos, Moraes está mandando a polícia atrás de quem tem opiniões que ele acha "antidemocráticas" - e aí se vê que a liberdade de ninguém está garantida depois que a opinião foi dada, mesmo que numa conversa particular. É exatamente o que acaba de acontecer com os "empresários golpistas", um grupo que trocava ideias pelo WhatsApp e foi enfiado por Moraes nos inquéritos totalmente ilegais que ele usa há três anos para perseguir pessoas cujas posições políticas não admite. No caso, trata-se de admiradores do presidente da República - mais uma vez.

Moraes mandou a polícia invadir, às 6 horas da manhã, os escritórios e as residências dos empresários sem ao menos avisar o Ministério Público - a única autoridade no Brasil que tem direito de fazer denúncias criminais e solicitar à Justiça que elas sejam examinadas. Mas Moraes, há três anos, ignora o MP de maneira sistemática e truculenta; nesse caso, só mandou um comunicado aos procuradores depois de iniciada a operação. É pior ainda. O MP, a quem cabe a exclusividade da acusação, é contra essa investigação dos "empresários golpistas", por não ver nenhum cabimento nisso.

Está tudo errado, em suma, neste caso dos "empresários golpistas". Na justiça de republiqueta africana que o STF criou no Brasil, entretanto, o que se está fazendo aí é "a defesa da democracia".

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem em destaque

12 de Agosto de 2026 CARPINEJAR Os efeitos colaterais das canetas nos restaurantes Desde maio, já circula no Brasil uma caneta emagrecedora ...

Postagens mais visitadas