sábado, 6 de maio de 2023



06 DE MAIO DE 2023
INFORME ESPECIAL

A aventura virou livro

Maria passou por exames e foi descartada qualquer limitação intelectual. Ela é só fruto de uma cultura com uma percepção de mundo diversa. Não compreendia, por exemplo, os conceitos de ontem e amanhã. Tudo era o já. Mas os obstáculos, claro, não cessaram. Um deles foi a alfabetização. Não foi aceita em escolas particulares, conta a mãe. Hoje cursa a 5ª série na rede estadual, onde também enfrentou dificuldades de adaptação e dissabores, não exatamente com os colegas. Com o auxílio da Secretaria de Educação e do Ministério Público, as situações foram contornadas.

Essa incrível aventura virou livro. É a sua história, mas contada de forma lúdica. Maria foi lançado dia 28 abril, em uma livraria da Capital, com a presença basicamente dos colegas dela. É um e-book (disponível na Amazon), mas pode ser impresso por encomenda. Sanfrid e Maria fizeram as ilustrações. A imagem da capa (foto) é de uma pintura da artista plástica Stina Birgitta Beckman, avó de Mirele, feita em 1989, como parte de um estudo da Funai sobre os yanomamis. A foto foi encontrada por Maria em um baú da bisavó de Mirele, que também veio da Finlândia para o Brasil.

Sobre o futuro, a família pensa em mudar para um lugar com mais natureza. A menina sente falta. Projetam em se dedicar a algo relacionado à arte, também unindo o ofício de Sanfrid com a vocação de Maria para trabalhos manuais.

É uma história e tanto.

A incrível história de Mirele, Maria e Sanfrid

A advogada Mirele, 47 anos, é porto-alegrense. Maria, 15, é uma adolescente indígena da etnia ticuna. Nasceu em uma aldeia, no Amazonas. Sanfrid, 52, é um artista plástico e professor finlandês. Os três formam, na Capital, uma improvável família (foto) construída à base de muito desprendimento, coragem, amor e surpresas do destino.

Mirele queria ser mãe. Viveu sete anos uma relação estável, mas o companheiro não resistiu a dois anos de luta contra um câncer e morreu em 2015. Mas o instinto materno não se apagou. Meses depois, entrou com um pedido de habilitação no Judiciário para adoção. Não fazia restrições ao perfil da criança. O tempo passava e a espera parecia em vão. Achava que ser sozinha a colocava no fim da fila. Uma assistente social chegou a questioná-la se, de fato, tinha vocação para ser mãe, o que a deprimiu.

Chegou 2020 e a pandemia. Mirele decidiu em março entrar em um aplicativo internacional de relacionamento. Começou a conversar com Sanfrid. Optaram por não fazer videochamadas ou trocar fotos. A referência física que um tinha do outro eram as poucas imagens do aplicativo. Falariam apenas por mensagens escritas, para irem descobrindo afinidades.

Mas em maio ela recebeu a ligação de uma comunidade ribeirinha do Amazonas. Era sobre Maria, que vivia em um abrigo. Os pais dela - e de outros três irmãos - tiveram o poder pátrio destituído pela Justiça por violência contra os filhos. Foi o resultado de um contato trágico da família com a civilização. A menina ainda carregava as marcas das agressões no corpo e na alma.

- Mostraram um vídeo meu para Maria e um dela para mim, também para saber se queríamos nos conhecer. Quando recebi o dela, comecei a chorar na hora - recorda.

Mas e Sanfrid? Ao saber da história, não recuou da intenção de conhecer Mirele. Ele não pode ser pai biológico.

- Então disse para ele: "Vem para o Brasil e vamos casar."

Assim foi. Mas, antes, Mirele e Maria deveriam se conhecer. O caminho seria longo. Mirele precisava ir ao Amazonas, no auge da pandemia. Tinha dificuldades financeiras à época porque seus processos não andavam. A solução foi fazer uma vaquinha junto a amigos. Comprou passagens, conseguiu hospedagem, mas era uma época de incertezas. O voo foi cancelado na véspera. Perdeu tudo. Outra vez recebeu ajuda. Enquanto tentava remarcar a viagem, que ocorreria em setembro, Sanfrid Hasselqvist conseguiu chegar a Porto Alegre. Para identificá-lo no aeroporto, combinaram que ele usaria um chapéu de viking.

Uma semana depois, Mirele embarcou. De Manaus, onde ficou baseada, até o local onde Maria estava abrigada, eram três horas e meia de estrada. Outro desafio. Motoristas receavam o trajeto pela passagem obrigatória por uma favela dominada pelo crime organizado. Ao chegar na instituição, outro baque. Disseram a ela que Maria tinha um retardo mental grave. Aflita, ligou para Sanfrid. A resposta reconfortante foi que filho não se escolhe.

Após o estágio de convivência, Maria ao fim veio com Mirele para a Capital em outubro. Mirele e Sanfrid casaram em novembro. A menina foi a aia. A advogada passou a se chamar Mirele Alves Hasselqvist. Depois, veio a maratona burocrática para regularizar a situação de Sanfrid no Brasil. O processo de adoção foi finalizado no final do ano passado. A jovem, agora Maria Victoria Alves Hasselqvist, tem certidão de nascimento e carteira de identidade novas. Victoria foi escolha própria, após Mirele contar a lenda amazônica da vitória-régia para ela. Mês passado Sanfrid também começou os trâmites para oficializar a adoção.

- Minha filha me tornou uma pessoa muito melhor. Não tem caridade nenhuma - diz Mirele.

Esse cenário só poderá ser revertido com o trabalho de governo e sociedade.

NÍSIA TRINDADE

Ministra da Saúde, em passagem pela Capital, sobre os esforços para elevar a cobertura vacinal no país.

A pressão foi horrível, desumana e mentirosa.

ARTHUR LIRA

Presidente da Câmara, acusando as grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs, de pressionar deputados para que se posicionassem contra o PL das Fake News.

Não existe adulteração da minha parte. Não tomei a vacina, ponto final.

JAIR BOLSONARO

Ex-presidente da República, negando irregularidades sobre o caso de registro de doses de imunizantes contra a covid-19 em seu cartão de vacinação.

É com grande esperança que eu declaro o fim da emergência global de saúde de covid-19.

TEDROS ADHANOM

Diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), sobre o fim simbólico da pandemia que matou mais de 7 milhões de pessoas no mundo.

Depositaram em nossas mãos a confiança para que amanhã possa estar melhor, e vamos estar melhor.

SANTIAGO PEÑA

Presidente eleito do Paraguai, o economista filiado ao Partido Colorado venceu pleito realizado no domingo.

Valorizo os esforços que o Brasil faz e comemoro a posição explícita que o governo brasileiro tomou para ajudar a Argentina.

ALBERTO FERNÁNDEZ

Presidente da Argentina, que veio ao Brasil para pedir a ajuda do governo Lula para amenizar a crise em seu país.

CAIO CIGANA INTERIN

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem em destaque

12 de Agosto de 2026 CARPINEJAR Os efeitos colaterais das canetas nos restaurantes Desde maio, já circula no Brasil uma caneta emagrecedora ...

Postagens mais visitadas