sábado, 28 de maio de 2022


28 DE MAIO DE 2022
J.R. GUZZO

Deu tudo errado para Doria

Não é a toda hora que se encontra uma história de superação no fracasso como a que está sendo oferecida ao público em geral pelo ex-governador João Doria. Histórias de superação, em geral, são relatos edificantes. Mostram como alguém, saindo de condições terrivelmente adversas, consegue superar uma a uma todas as suas dificuldades, para ao fim chegar à vitória.

Com Doria aconteceu exatamente o contrário. Saindo de condições terrivelmente favoráveis, foi destruindo uma por uma todas as suas facilidades, para ao fim chegar à derrota. Há menos de quatro anos, era o homem que "tinha tudo" na política brasileira; seu futuro lhe reservava, no mínimo, a Presidência da República. Hoje é três vezes nada.

É realmente um fenômeno. Doria lançou-se a uma corrida de 5 mil metros e conseguiu chegar antes do ponto de partida - ou seja, correu para trás. Não é mais o futuro presidente do Brasil, cargo semi-obrigatório para quem cresce na política do maior Estado do país. Não é sequer candidato à Presidência na próxima eleição - conseguiu ser transformado em picadinho pelos seus companheiros de PSDB. Não é mais, nem mesmo, o governador de São Paulo. Ou seja: acabou com menos do que tinha quando começou.

Doria é um desses casos que podem acabar servindo como objeto de estudo em cursos de ciência política, num workshop sobre como lidar com decisões - e errar em cada uma delas. Ao ser eleito governador, ele era o "Bolsodoria" - o presidente Bolsonaro em São Paulo, seu aliado fundamental, representante e possível sucessor como presidente.

Resolveu, pouco depois de tomar posse, que seria mais lucrativo transformar-se no exato contrário: o inimigo número 1 de Bolsonaro em São Paulo. Morreu aí, mais que por qualquer outro motivo - perdeu o cartaz junto aos bolsonaristas, não conseguiu nem o mais miserável apoio na esquerda que faz oposição e acabou sem coisa nenhuma. Doria, antes do seu grande projeto, era detestado pelo PT, os jornalistas e a esquerda em geral. Agora é detestado por todos.

Sua atuação durante a covid foi um suicídio político em praça pública. Doria e suas equipes publicitárias acharam que ele ganhava milhões de votos a cada vez que aparecia em entrevistas coletivas dizendo que era preciso "fechar tudo", "salvar vidas" e deixar para "depois" a necessidade de produzir e trabalhar. Mas a população queria exatamente o contrário do que o então governador estava pregando, e rapidamente se viu a realidade. No resto do tempo, Doria foi visto fazendo dancinhas, perguntando "quem aqui já foi a Dubai" (numa de suas palestras), dando bom dia a manequins de loja e sabotando o governo federal em tudo o que podia.

Obra, que é bom, nem uma bica d?água - ou nada que a população pudesse, realmente, considerar uma obra. Iria arrasar, em 2022, abrindo os bilhões de reais que o Tesouro de São Paulo tem nos seus cofres; já se chegou ao mês de junho e não aconteceu nada até agora. Deu tudo terrivelmente errado.

J.R. GUZZO

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem em destaque

12 de Agosto de 2026 CARPINEJAR Os efeitos colaterais das canetas nos restaurantes Desde maio, já circula no Brasil uma caneta emagrecedora ...

Postagens mais visitadas