sábado, 27 de junho de 2026

Mulheres e jovens lideram pressão por mudanças na jornada de trabalho, afirma Luiz Marinho

Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu a redução da jornada de trabalho e o fortalecimento da mobilização social

Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu a redução da jornada de trabalho e o fortalecimento da mobilização social

Tirzah Braz/MTE/Divulgação/JC
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Gabrieli Silva
Gabrieli SilvaRepórter
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, participou neste sábado (27), em Porto Alegre, do encontro "Movimento Sindical: Desafios e Sustentabilidade", promovido pelo Fórum das Centrais. Realizado no auditório do Semapi, o evento reuniu dirigentes, lideranças sindicais e representantes de diversas categorias em um momento de intensificação do debate nacional sobre temas como a redução da jornada de trabalho, a escala 6x1 e o fortalecimento da negociação coletiva.
Em sua participação, o ministro defendeu o papel do movimento sindical na construção de melhores condições de trabalho e ressaltou a necessidade de mobilização social para avançar em pautas consideradas prioritárias para os trabalhadores.
A reconstrução da estrutura do Ministério do Trabalho foi apontada por Marinho como um dos principais desafios da atual gestão federal. Segundo ele, o governo ainda enfrenta os efeitos do desmonte institucional ocorrido nos últimos anos e trabalha para recompor estruturas administrativas, políticas públicas e a capacidade de atuação do Estado.
"Nós estamos em um processo de reconstrução. O ministério foi muito desmontado e ainda não está plenamente estruturado para dar conta de todos os desafios", afirmou, ao mencionar dificuldades orçamentárias e institucionais herdadas do período anterior.
A redução da jornada de trabalho ocupou parte central da fala do ministro durante a coletiva de imprensa. Ao criticar a resistência de setores empresariais à proposta, Marinho afirmou que avanços históricos dos trabalhadores sempre enfrentaram oposição.
"Desde que o mundo é mundo, a elite reage a qualquer avanço da classe trabalhadora. Foi assim com o fim da escravidão, com a CLT, com o 13º, com todas as reduções de jornada", declarou.
Para o ministro, não há evidências de que a diminuição da jornada comprometa a sustentabilidade econômica das empresas. "Não conheço, nem no Brasil nem no mundo, empresa que tenha quebrado por conta da redução da jornada de trabalho", acrescentou.
Ao defender mudanças no atual modelo de jornada, Marinho argumentou que escalas extensas, especialmente a 6x1, têm provocado impactos na saúde física e mental dos trabalhadores. Na avaliação do ministro, esse cenário gera custos sociais e econômicos que atingem empregados, empresas e o próprio Estado.
"A jornada atual tem gerado adoecimento, e isso cria custo para o trabalhador, para a empresa, para a saúde pública e para a Previdência", afirmou.
O ministro destacou ainda que mulheres e jovens estão entre os grupos mais afetados pelas atuais condições de trabalho e, por isso, têm assumido protagonismo nas mobilizações por mudanças. Segundo ele, a escala 6x1 é "especialmente cruel" para as mulheres, fator que ajuda a explicar sua presença crescente nas reivindicações por melhores condições de trabalho, ao lado da juventude trabalhadora.
Embora tenha defendido a negociação coletiva como principal instrumento para a construção de acordos, Marinho avaliou que a greve continua sendo um mecanismo legítimo quando há bloqueio no diálogo entre trabalhadores e empregadores.
"Às vezes, a greve tem o papel de provocar que a mesa de negociação seja instalada. Quando o diálogo está travado, ela ajuda a abrir caminho", disse.
Ao abordar os desafios para a aprovação de mudanças na legislação trabalhista e sindical, o ministro ressaltou a influência da composição do Congresso Nacional sobre a agenda do governo. Na avaliação dele, propostas como o fortalecimento do financiamento sindical dependem diretamente de maior apoio parlamentar. "É preciso trabalhar para mudar o perfil do Congresso, para que haja mais equilíbrio nas decisões", afirmou.

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