sábado, 20 de junho de 2026

Tecnologia gaúcha deve acelerar construção de hidrelétricas de menor porte no País

Joint venture entre empresas Higra e RPI quer difundir a solução

Joint venture entre empresas Higra e RPI quer difundir a solução

Divulgação Higra/JC

Jefferson Klein
Jefferson KleinRepórterAproveitar o potencial máximo do rio, com o mínimo de impacto ambiental possível para a geração hidrelétrica, é o foco da tecnologia de turbogeradores anfíbios desenvolvida pela Higra, de São Leopoldo. A empresa, por meio de joint venture com a companhia RPI, pretende desenvolver projetos próprios de usinas com essa proposta, além de fornecer a solução para terceiros.
O proprietário da RPI, Ricardo Pigatto, adianta que a meta nos próximos anos é chegar a uma potência de cerca de 100 MW em aproveitamentos hídricos espalhados pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. O investimento estimado para alcançar esse objetivo é na ordem de R$ 1,5 bilhão.
A joint venture fará o desenvolvimento do licenciamento ambiental, elaboração dos projetos, planejamento de conexão na rede elétrica e, posteriormente, a captação dos recursos financeiros por meio de fundos já identificados. O mercado foco será o de autoprodução e depois o mercado livre (formado por grandes consumidores que podem escolher de quem comprar a energia). Porém, Pigatto não descarta a possibilidade de disputar leilões para comercializar a produção para o Sistema Interligado Nacional de energia.
Os primeiros projetos hidrelétricos da joint venture devem ser implementados em território gaúcho, em locais como o rio Turvo (afluente do rio Uruguai), no rio Guarita e na Bacia do Jaguari. As turbinas têm capacidade de 50 kW até 1 MW (a potência de 1 MW daria para abastecer cerca de 4 mil casas). Conforme o Chief Revenue Officer (CRO) da Higra, Gil Passos, os equipamentos podem ser agrupados de forma paralela e modular, alcançando potências maiores. “A capacidade da usina acaba sendo multiplicada pelo número de máquinas”, reforça Passos.
Ele acrescenta que o sistema também simplifica as obras civis de instalação das usinas, pois não é necessário mudar o perfil do rio em que será implementado o complexo de uma forma mais radical. Outro ponto salientado pelo Chief Revenue Officer é que o processo não precisa implementar uma casa de máquinas (também chamada casa de força, onde é gerada a eletricidade).
Já o diretor da Higra Systems, Leonardo Röggen, enfatiza que a empresa é depositária da patente da solução tecnológica. “E nos orgulha bastante por ser um desenvolvimento 100% gaúcho”, assinala Röggen. Ele informa que hoje há aproximadamente 50 desses equipamentos operando no Brasil. “Abre um horizonte para fazer infinitas usinas de pequeno porte no País, com potencial para aproveitar não só as altas quedas, mas também as baixas quedas de água”, completa Pigatto.
Ele salienta ainda que em rios de grande vazão, é possível dispensar a construção de barragens e que a lubrificação e refrigeração das turbinas é feita por meio da água, sem necessidade de óleo. “Não existe o risco de contaminação de óleo, caso haja um vazamento”, assinala o dono da RPI.
Outro ponto mencionado pelo Chief Revenue Officer da Higra é que a joint venture está trabalhando para desenvolver uma hidrelétrica reversível no Brasil. Esse tipo de usina é capaz de fazer o rebombeamento de água para dentro do reservatório. “Essa usina reversível é algo que acontece muito lá fora, mas aqui no Brasil não é tão explorada”, diz Passos. Pigatto detalha que, como será usada uma estrutura flutuante nesse empreendimento, será uma iniciativa inédita no mundo.

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