sábado, 9 de março de 2024



09 DE MARÇO DE 2024
MARCELO RECH

O avanço do Mal

Negligenciados pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, os terroristas do Hamas tiveram muito tempo para planejar uma barbárie em três atos. No primeiro, houve a selvageria em estado bruto, com a invasão de território israelense, massacres, estupros e tomada de reféns, inclusive crianças. A carnificina, obviamente, não visava a conquistar Israel. O objetivo era desencadear uma reação explosiva dos israelenses e atraí-los para o pântano humanitário de Gaza.

Bem que Joe Biden, calejado pelo 11 de Setembro, tentou avisar Netanyahu para não responder com as entranhas. Depois de milhares de vidas e trilhões de dólares enterrados no Afeganistão, os EUA observaram inertes a volta dos talibãs ao poder. Mas diante da barbárie, alguma reação, conforme o legítimo direito de defesa, era inevitável. Aí se inicia o segundo ato do plano do Hamas.

Gaza é uma área de enorme densidade demográfica, onde qualquer ação militar custaria muitas vidas civis. O plano do Hamas foi além do uso dos 2 milhões de habitantes e dos reféns israelenses como escudos humanos. Terroristas e suas famílias se protegem em uma sofisticada rede de túneis que passam sob escolas, mesquitas, hospitais e até agências da ONU. Ou seja, o palco perfeito para uma catástrofe humanitária e de imagem para qualquer invasor.

Como se viu, Netanyahu e seu governo extremista acabaram agindo com a precisão de um martelo na mesa de cirurgia. O segundo ato do plano do Hamas começava a dar certo. O Israel que assombrou o mundo com a bravura da Guerra dos Seis Dias e a ousadia do resgate dos reféns de Entebbe passou a ruir sob o olhar internacional junto com um bombardeio que produz cenas dantescas. Em incompreensível reforço ao estratagema do Hamas, Netanyahu dificulta a entrada de alimentos e medicamentos em Gaza, legando fome e doenças. E o Mal, bem escondido e explorando o desgaste de Israel, mostra muito mais vigor do que o imaginado.

Milhares de terroristas morreram nos ataques, mas isso estava na conta do Hamas. Pela concepção diabólica, faltava o terceiro ato: a eclosão do antissemitismo e o levante de países árabes em uma coalizão para atacar Israel. O antissemitismo saiu das trevas travestido de apoio a Gaza, algo com que 700 mil crianças ameaçadas de morte pela fome no Sudão, onde não há judeus ou a presença dos EUA, não contam desde a eclosão da guerra civil, em abril passado.

Felizmente, o Mal não conseguiu pôr em prática o último ato - a união árabe para tentar empurrar Israel para o mar. Mas, vivendo na segurança e no conforto no Exterior, os líderes do Hamas elucubram os próximos passos. A armadilha em que Netanyahu caiu exige agora que os invasores abriguem, alimentem e cuidem dos invadidos. O Mal ganhará ainda muitas cenas para manter vivo seu plano.

MARCELO RECH

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem em destaque

12 de Agosto de 2026 CARPINEJAR Os efeitos colaterais das canetas nos restaurantes Desde maio, já circula no Brasil uma caneta emagrecedora ...

Postagens mais visitadas