sábado, 17 de dezembro de 2022


17 DE DEZEMBRO DE 2022
OPINIÃO DA RBS

DO FUTEBOL PARA A VIDA

Encerra-se neste domingo a 22ª edição da Copa do Mundo da Fifa, a principal competição do esporte mais popular e apaixonante do planeta, que reuniu atletas, autoridades e aficionados de todos os continentes no Catar - emirado da Ásia continental e um dos países mais ricos do mundo. Afora a disputa esportiva, que será decidida entre as seleções da Argentina e da França, o Mundial deixa para a humanidade lições sobre competitividade saudável, pluralismo de ideias, diversidade cultural e visões de mundo que revigoram a esperança de convivência pacífica num planeta ainda marcado por guerras, injustiças, desigualdades sociais e conflitos pelo poder.

Sem desconsiderar as mazelas do próprio país anfitrião, comandado por governantes autocráticos pouco sintonizados com os direitos humanos - o que também ganhou mais visibilidade com a Copa -, o evento futebolístico desenvolveu-se num ambiente de normalidade, em que prevaleceram o respeito e a tolerância entre povos de culturas e costumes distintos. Esta, talvez, seja a principal lição que a humanidade deveria colher da festa esportiva promovida pela Fifa, organização que atualmente conta com mais filiados do que a própria ONU: é possível, sim, o convívio entre pessoas de nacionalidades e identidades diversas, sem que eventuais conflitos de ideias e crenças tenham que ser resolvidos pelo belicismo.

Enquanto as grandes potências econômicas e nucleares do planeta mantêm animosidades políticas incompatíveis com a vocação pacífica de seus povos, o futebol expressa de forma simbólica o melhor caminho para a solução civilizada de divergências - por meio da competição justa, do respeito às regras acordadas e da cooperação recíproca.

Toda comparação, evidentemente, deve manter as devidas proporções. Não se trata aqui, por exemplo, de valorizar demasiado uma simples disputa esportiva que, como é de sua essência, também ilude e provoca frustrações, além de envolver interesses econômicos, políticos e comerciais nem sempre auditados com suficiente integridade. Mas é impositivo reconhecer que a Copa do Mundo mobiliza multidões, estimula o nacionalismo saudável das identidades coletivas e favorece o intercâmbio cultural entre distintos segmentos da população humana.

Do ponto de vista individual, a Copa também é inspiradora. Na busca de sucesso e reconhecimento, que são ambições naturais do ser humano, as seleções dos melhores atletas de cada país preparam-se cuidadosamente, desenvolvem espírito de equipe e colaboração, mobilizam seus apoiadores e investem no esforço, na ousadia e no talento para atingir seus objetivos. Ao longo da competição, evidencia-se igualmente uma verdade insofismável sobre a vida: a de que a vitória e a derrota são efêmeras e que a cada dia o ser humano precisa redimensionar sua existência.

Independentemente de conclusões filosóficas e de gostos pessoais, até mesmo porque nem todos apreciam futebol, o sentimento que fica quando acompanhamos um evento esportivo de dimensões planetárias, como a atual Copa do Mundo, é o de que a humanidade pode avançar no rumo da paz, da concórdia e da cooperação. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem em destaque

12 de Agosto de 2026 CARPINEJAR Os efeitos colaterais das canetas nos restaurantes Desde maio, já circula no Brasil uma caneta emagrecedora ...

Postagens mais visitadas