11 de Julho de 2026
ÁCIDO E CONTESTADOR - William Mansque
ÁCIDO E CONTESTADOR
40 anos do álbum que marcou fim da ditadura
Ácido e contestador
Lançado em 1986, o disco que mescla influências do punk rock, pós-punk, funk e reggae ganha uma turnê comemorativa. A obra se destaca por suas composições mais agressivas, que transformam angústias e inconformismos em críticas diretas ao Estado, à religião e ao capital
Os Titãs chutaram a porta com Cabeça Dinossauro. Ao lançar o disco, em 1986, a banda parecia soltar algum grito entalado.
Para celebrar as quatro décadas, a banda está promovendo a turnê Titãs - Cabeça Dinossauro 40 Anos, que passará por Porto Alegre. O grupo vai se apresentar no Auditório Araújo Vianna no dia 17 de julho.
A atual formação dos Titãs conta com Branco Mello (vocal e baixo), Sérgio Britto (vocal, teclado e piano) e Tony Bellotto (guitarra). Nas apresentações da turnê, o grupo tem tocado todas as 13 faixas do álbum, o que inclui AA UU, Bichos Escrotos, Homem Primata, Polícia e Família.
Contudo, há espaço no repertório para faixas de outros trabalhos, com canções como Diversão, Flores e Eu Não Aguento.
Todas as músicas do show têm esse viés mais ácido e contestador, como observa Britto.
- É muito fiel (à época) e talvez soe até melhor, porque as condições técnicas hoje em dia são muito melhores do que as que a gente tinha nos anos 1980 - atesta.
Britto destaca que há um vultuoso aparato cenográfico. A parte instrumental também recebeu a devida atenção, como ressalta Britto, lembrando que algumas músicas de Cabeça Dinossauro contêm três partes de guitarra. Por isso, foi adicionado mais um guitarrista para a turnê. O próprio Britto comprou o mesmo teclado que costumava usar na época da gravação do disco.
- O que mudou mais talvez seja não termos todos os vocalistas daquele período (Paulo Miklos, Nando Reis e Arnaldo Antunes) - pontua Britto.
Fruto da redemocratização
Cabeça Dinossauro foi o terceiro disco de estúdio dos Titãs. O contexto da banda era turbulento: o álbum anterior, Televisão (1985), havia recebido uma recepção morna. Bellotto e Arnaldo Antunes, então integrante do grupo, haviam sido presos no final do ano anterior por porte de drogas.
Então, o grupo catalisou todas as angústias em composições mais agressivas, transpondo suas revoltas contra o Estado (Polícia), a religião (Igreja) e, entre outras questões, o capital (Homem Primata).
Ao mesmo tempo, a sonoridade apresentava influências do punk rock e pós-punk, caracterizando-se como o registro mais cru e pesado da banda até então. Também havia elementos de funk (Bichos Escrotos) e reggae (Família).
Bellotto observa que a efervescência política e social da redemocratização entrou em Cabeça Dinossauro. Para o músico, é um disco fruto do fim da ditadura.
- Quando as pessoas estavam cantando todas aquelas músicas também estavam entoando slogans de liberdade. Era o disco certo na hora certa.
Titãs - "Cabeça Dinossauro 40 anos"
Quando: sexta, 17 de julho
Onde: Auditório Araújo Vianna (Av. Osvaldo Aranha, 685), em Porto Alegre
Ingressos: a partir de R$ 252 (mediante doação de 1kg de alimento não perecível)
Ponto de venda online: pela plataforma Eventim
Bilheteria oficial: loja Planeta Surf no Shopping Total (Av. Cristóvão Colombo, 545), de segunda a sábado, das 10h às 22h; e domingos e feriados, das 14h às 20h

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