sábado, 11 de julho de 2026

11 de Julho de 2026
NOTÍCIAS

PF afirma que Valdemar indicou emendas mesmo sem mandato

Recursos públicos

Presidente nacional do PL teria interferido na destinação de R$ 119,2 milhões, mas ele nega. Investigação teve início a partir de conversas extraídas de celular apreendido de uma servidora da Câmara dos Deputados. Flávio Dino determinou bloqueio de bens do político

O que mais foi descoberto

Segundo a PF, as indicações de Valdemar eram organizadas em planilhas e as emendas eram registradas em nome de deputados federais. Para os investigadores, esse procedimento dava aparência de legalidade às indicações.

Em diálogos obtidos pela PF, servidores envolvidos no esquema fazem referências recorrentes a indicações qualificadas como sendo "do Valdemar" ou "do VCN", em alusão ao presidente do PL.

As emendas investigadas foram para áreas como saúde, turismo e esporte, principalmente para municípios de São Paulo.

Em uma troca de mensagens, um servidor afirma: "Marquei com o Valdemar amanhã 10:30. Acho que ele vai jogar no turismo os 24. Pode ser?".

Em outra conversa, uma servidora avisa que está "terminando de cadastrar" as emendas "do Valdemar".

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Por que a medida do STF parece exagerada

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), bloqueou R$ 119 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, mesmo sem apresentar indícios de desvio de recursos. O que a Polícia Federal (PF) aponta, em caráter preliminar, é que o dirigente foi o verdadeiro responsável pela indicação de emendas que totalizam o valor em questão.

Valdemar não possui mandato parlamentar e não pode comandar as indicações que são de direito dos deputados e senadores. O caso pode configurar peculato por desvio de finalidade.

Mas há um abismo entre o uso de influência política para definir investimentos e a ideia de que o montante foi desviado e deve ser devolvido aos cofres públicos. A própria decisão de Dino admite a falta de qualquer elemento que ateste corrupção.

Poder de influência

Dino tem tomado decisões corretas para exigir transparência na alocação de emendas parlamentares e já conduziu inquéritos que culminaram na condenação de parlamentares e outras autoridades envolvidos em vultuosos desvios de verba pública.

No caso em questão, contudo, apenas foi demonstrado o poder de influência do presidente de um dos maiores partidos do país. Não se trata de relativizar o histórico de Valdemar, que tem conhecida ficha criminal e inclusive foi preso por envolvimento no Mensalão.

Mas, se o ministro do STF decidir punir de forma antecipada todos os dirigentes partidários que influenciam nas decisões de alocação de emendas por deputados e senadores, será difícil deixar alguém de fora. 

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