sábado, 23 de maio de 2020


23 DE MAIO DE 2020
OPINIÃO DA RBS

O PAÍS PRECISA SE REERGUER

É indiscutível que, com a irrupção do novo coronavírus, a prioridade é cuidar da saúde e levar o socorro mais imediato aos trabalhadores e empresas que perderam renda e receita com a pandemia. Dar a devida atenção às medidas de curtíssimo prazo, porém, não significa esquecer de começar a planejar melhor o país para os brasileiros, assim que a crise sanitária começar a arrefecer. É neste contexto de economia de joelhos e finanças públicas agonizantes que se acentua a necessidade de se começar a pensar em profundas reformas que deflagrem uma espécie de reconstrução do Brasil.

Esta janela de oportunidade foi percebida, por exemplo, pelo Equador, onde o governo apresentou uma série de medidas, como redução de salários e de jornada do funcionalismo público, corte de gastos considerados supérfluos e eliminação de uma série de estatais ineficientes e acumuladoras de prejuízos, uma conta que acaba dividida com toda a população. No Brasil, durante as discussões que envolveram o pacote de ajuda a Estados e municípios, governadores mostraram bom senso ao apoiar a intenção do presidente Jair Bolsonaro de vetar a possibilidade de aumento para o funcionalismo. É este tipo de consenso que o Brasil precisa construir mais vezes.

Todos os gastos gerados pela pandemia, aliados à queda da arrecadação, vão aprofundar o buraco fiscal de União, Estados e municípios. É inimaginável, neste sentido, manter uma porta aberta para reajustes irresponsáveis, exatamente para aqueles que, em regra, já são privilegiados em relação aos trabalhadores da iniciativa privada, que enfrentam o desemprego, o risco de demissão e a redução de jornada e salário. 

Mas é preciso ir além, retomando assim que possível a proposta de reforma administrativa para diminuir esta abissal diferença de remuneração que existe hoje entre as duas classes de assalariados. O dinheiro do contribuinte, que hoje banca benefícios a granel para grupos favorecidos e praticamente imunes à crise, precisa ser mais bem distribuído, o que significa levar serviços mais dignos à grande maioria dos brasileiros.

Reforma tributária, segurança jurídica, desburocratização e distensionamento de relações trabalhistas são apenas algumas das outras necessidades sobre as quais o país precisa se debruçar para diminuir o custo Brasil, facilitar a retomada da economia, melhorar a competitividade em relação a outras nações mais modernas e retomar o caminho do desenvolvimento. Para avançar nestes e em outros temas, porém, é preciso amainar as tensões políticas reinantes no Brasil, trocando a beligerância pela união, mesmo que circunstancial, em torno de reformas que beneficiarão a todos. Neste sentido, deveria se esperar que Jair Bolsonaro abandone de vez a sua propensão ao conflito e, como foi observado na reunião de quinta-feira com os governadores e os presidentes da Câmara e do Senado, ajude a construir uma mínima concórdia que dê chances reais de o Brasil se reerguer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem em destaque

12 de Agosto de 2026 CARPINEJAR Os efeitos colaterais das canetas nos restaurantes Desde maio, já circula no Brasil uma caneta emagrecedora ...

Postagens mais visitadas