sábado, 13 de novembro de 2021


13 DE NOVEMBRO DE 2021
OPINIÃO DA RBS

O EXEMPLO DA SEGURANÇA

De tanto receber serviços públicos precários, incompatíveis com a alta carga tributária a que cidadãos são submetidos, a sociedade brasileira - incluída a gaúcha - muitas vezes parece resignada com o pouco que o Estado demonstra ser capaz de devolver. Daí resultam uma espécie de desesperança e a aceitação de um destino que aparenta ser imutável diante de uma máquina emperrada e pesada, presa a corporativismos, condenada a fazer má alocação de recursos e incapaz de atender às necessidades mais básicas da comunidade.

Um dos mais importantes serviços públicos, ao lado da educação e da saúde, é a segurança. Até meados da década passada, a população do Rio Grande do Sul, especialmente nas grandes cidades, se mostrava atônita e amedrontada pela escalada da criminalidade e da violência, com números de delitos como homicídios, latrocínios e roubos que não paravam de subir. Uma guinada na condução da área no Estado, aliada a outros fenômenos ligados a facções criminosas, deu início à reversão das estatísticas, especialmente a partir de 2017. 

Os dados divulgados na quinta-feira pela Secretaria de Segurança Pública confirmam e consolidam essa tendência, com a continuidade da queda de quase todos os crimes, especialmente os mais violentos. De janeiro a outubro, foram registradas 1.443 ocorrências de delitos contra a vida. Embora ainda elevada, é a menor quantidade da série histórica iniciada em 2012, com uma redução de 47% em relação ao auge para o período, em 2017. A exceção são os feminicídios, apesar da queda observada isoladamente em outubro, o que requer uma atenção especial das autoridades, principalmente quanto à prevenção, para que também entrem em uma trajetória descendente.

Ao longo dos últimos anos, no entanto, junto à dedicação dos homens e mulheres das corporações da área, uma série de medidas ajudou a mudar significativamente o quadro da criminalidade no Estado. Líderes de facções foram transferidos, a tecnologia permitiu avanços como o cercamento eletrônico e o reconhecimento facial, a aposta na integração das polícias mostrou-se acertada, o programa RS Seguro - que focou nas cidades mais violentas do Estado - deu resultados e o pioneiro Programa de Incentivo ao Aparelhamento da Segurança Pública (Piseg) permitiu que empresários destinassem até 5% do ICMS devido ao Estado para os recursos serem aplicados na aquisição de veículos, armas, munições e outros itens.

Ao que parece, a soma de medidas e programas permitiu progressos no combate e na prevenção da criminalidade. Vidas e patrimônios ficaram mais protegidos e, mesmo que o Estado ainda esteja longe de índices ideais e civilizados, dissipou-se em parte a sensação de extrema insegurança que assolava a população poucos anos atrás. É um sinal de que a gestão na área caminha no sentido correto.

Se foi possível obter melhores indicadores na segurança, com impacto na vida real, é preciso acreditar que se possa melhorar também o desempenho na educação e na saúde, outros dois serviços essenciais prestados pelo poder público. As receitas por certo não são as mesmas, embora por trás exista a mesma necessidade de perseguir o equilíbrio fiscal e a racionalização do uso dos recursos, para que não faltem as verbas necessárias nas frentes prioritárias para a população, especialmente para os que mais carecem do amparo do Estado. Diagnósticos, propostas e recursos humanos empenhados no esforço de avançar não faltam. Uma sociedade segura, saudável e com melhor nível educacional tem mais qualidade de vida e coloca mais facilmente o território onde habita na trilha do desenvolvimento. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem em destaque

12 de Agosto de 2026 CARPINEJAR Os efeitos colaterais das canetas nos restaurantes Desde maio, já circula no Brasil uma caneta emagrecedora ...

Postagens mais visitadas