31 de Julho de 2026
INFORME ESPECIAL - Vitor Netto
Guia para enfrentar o El Niño
Com o Brasil e o mundo à beira de enfrentar mais um fenômeno climático, a Associação Brasileira de Municípios (ABM) lançou o Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos. A publicação reúne orientações para que prefeituras, secretarias e equipes técnicas organizem a prevenção, a resposta emergencial e a recuperação dos territórios atingidos.
Elaborado pela entidade, o guia apresenta procedimentos para diferentes setores da administração pública e ações que devem ser coordenadas pelos órgãos públicos em casos de episódios climáticos.
- O objetivo é preparar os municípios para a gestão dos desastres, colaborando com sugestões como o papel do gabinete de crise, da procuradoria do município, os marcos legais que precisam ser formulados, recomendações de saúde diante de desastres, assistência social, política de educação, mobilidade urbana, meio ambiente e sustentabilidade - explicou o vice-presidente de Cidades Resilientes da ABM e prefeito de São Lourenço do Sul, Zelmute Marten.
O guia organiza a atuação municipal em todas as etapas de um evento extremo: prevenção e preparação, enfrentamento e pós-desastre.
A primeira etapa - de prevenção - envolve atividades antecipadas para evitar danos, como diretrizes de adaptação, mitigação climática, elaboração de planos de contingência e realização de diagnóstico situacional das áreas e populações vulneráveis.
O enfrentamento foca na resposta emergencial imediata (primeiras 24h a 72h). Inclui a ativação do Gabinete de Crise, declaração de calamidade pública, resgates e fornecimento de assistência humanitária para proteger vidas.
A última etapa é o pós-desastre, que contempla medidas emergenciais e de longo prazo para restabelecer a normalidade. Abrange a avaliação de danos, solicitação de recursos financeiros, limpeza urbana e a reconstrução de infraestruturas de forma mais segura e resiliente.
- São checklists de iniciativas práticas que estamos sugerindo aos prefeitos a ponto de não retorno da crise climática, para que possam desenhar estratégias com as suas comunidades e gestão diante do El Niño e de outros eventos - ressaltou Marten. _
Migração em massa e a nado
Entre os fatores apontados para a alta do fluxo está a postura do governo da Espanha, liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, vista como favorável à imigração. No início deste ano, o executivo lançou um programa para conceder status legal a cerca de 500 mil imigrantes sem documentos, o que gerou um aumento na procura e nas expectativas de regularização.
Além disso, uma decisão recente do Supremo Tribunal da Espanha proibiu a devolução sumária de migrantes interceptados no mar enquanto tentavam nadar até as cidades autônomas de Ceuta e Melilla. Dados locais apontam que, na última semana, mais de 1,5 mil imigrantes já haviam chegado a Ceuta.
Cidade autônoma da Espanha, Ceuta fica situada no continente africano, na margem sul do Estreito de Gibraltar. Juntamente com Melilla, representa a única fronteira terrestre da União Europeia com a África. _
Retorno às origens
Após mais de 30 anos vivendo no Brasil, o ativista social Januário Gonçalves se prepara para reencontrar suas raízes. Radicado na Capital, o angolano foi presenteado com uma viagem ao seu país de origem, promovida pela agência gaúcha TripTravel.
A relação entre o líder comunitário e a empresa começou em 2020, durante a pandemia de coronavírus. Na época, o CEO da TripTravel, Beto Conte, e um grupo de parceiros atuavam no apoio a imigrantes haitianos e angolanos em Porto Alegre.
Com um dos destinos da agência definido para a África, a equipe decidiu presentear o ativista com a experiência. No dia 5 de agosto, Gonçalves embarca ao lado de Conte e de um grupo de passageiros para o Grand Tour Angola.
A viagem permitirá o reencontro de Gonçalves com a mãe, de 84 anos, que vive em Luanda:
- Hoje me considero um "angoúcho". Sobre a expectativa de voltar para Angola, estou sem palavras. A principal emoção é reencontrar minha mãe depois de tanto tempo - afirma. _
Entrevista
Gustavo Feliciano
Ministro do Turismo
"O RS já possui atividade consolidada. O desafio é tornar competitiva"
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, esteve no Vale do Taquari nesta semana para coordenar uma ação de atendimento técnico sobre o Fundo Geral de Turismo (Fungetur) e o Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur). Confira trechos da entrevista.
O turismo brasileiro vive recordes. Como o RS pode aproveitar esse cenário?
Em 2025, o Brasil alcançou o patamar de 9,2 milhões de turistas estrangeiros, o maior da história. De janeiro a junho deste ano, o país já recebeu 5,2 milhões. E o RS tem todas as condições de ampliar sua participação nesse cenário. O Estado reúne uma oferta turística diversificada. O Ministério do Turismo publicou recentemente um edital para contratação de empresa especializada na elaboração de diagnósticos e planos de ação voltados ao turismo em regiões de fronteira, e o RS foi um dos contemplados.
Vila Flores, na Serra, está entre os destinos brasileiros finalistas da edição 2026 do prêmio "Melhores Vilas Turísticas", da ONU Turismo. Qual é a importância desse reconhecimento?
Extremamente importante. Primeiro, porque coloca Vila Flores entre os sete destinos brasileiros selecionados pelo Ministério para representar o país nesta iniciativa da ONU Turismo. Agora, o município concorre com 261 localidades de todo o mundo, mostrando que o turismo brasileiro vai muito além dos grandes centros.
No RS, o Fungetur destinou mais de R$ 737 milhões. Quanto e para quais regiões esse recurso foi destinado?
Esse crédito chegou a diferentes regiões do Estado e aos mais diversos segmentos do turismo. Foram destinados a restaurantes, cafeterias, bares e similares, com R$ 151,6 milhões, seguido de meios de hospedagem, com R$ 135,6 milhões. Outro dado importante é que o crédito chegou principalmente às empresas que movimentam economias locais. A maior parte foi para pequenas e médias empresas. Cerca de 80% desse valor foi destinado para capital de giro, dando fôlego financeiro aos empreendedores.
Atualmente, o ministério mantém 156 obras ativas no RS. Quais os principais gargalos?
O RS já possui uma atividade turística muito consolidada. O desafio agora é tornar essa estrutura cada vez mais competitiva, melhorando a infraestrutura, qualificando os destinos e ampliando a permanência dos visitantes. Esses investimentos contemplam obras de urbanização, revitalização de espaços públicos, parques, orlas, centros de eventos, acessibilidade, sinalização turística e equipamentos de apoio aos visitantes.
Como o ministério pode atuar na assistência aos afetados pelas novas chuvas no RS?
O governo federal acompanha a situação. Equipes da Defesa Civil Nacional permanecem mobilizadas, monitorando as condições meteorológicas e hidrológicas, analisando os pedidos de reconhecimento federal de situação de emergência e apoiando os municípios na elaboração dos planos de trabalho para solicitar recursos da União.

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